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Ortografia

Ver artigo principal: Ortografia da língua portuguesa

Desde 1945, existiam duas normas ortográficas para o português: uma em vigor no Brasil e outra nos restantes países lusófonos. A maior parte das diferenças diz respeito às consoantes "mudas", que haviam sido eliminadas da escrita no Brasil. Por exemplo, as palavras ação e atual, que em Portugal eram grafadas acção e actual, mas ditas como no PB.

Português europeu antes do Acordo Ortográfico de 1990 Português brasileiro antes e depois do Acordo Ortográfico de 1990
acção ação
baptismo batismo
contacto contato ou contacto (menos usado)
contactar contatar ou contactar (ainda comum em Norte e Nordeste)
direcção direção
eléctrico elétrico
facto fato ou facto (usado apenas como formalismo ou latinismo)
óptimo ótimo

Com a implementação do Acordo Ortográfico de 1990, aprovado pela Assembleia da República portuguesa e assinado pelo Presidente da República a 21 de julho de 2008, a maioria das consoantes mudas foram também eliminadas da ortografia oficial do português europeu, restando apenas um número pequeno de palavras que admitem ortografia dupla, geralmente quando a consoante é muda no português europeu, mas pronunciada no português brasileiro (por exemplo, em recepção), ou vice-versa (por exemplo, em facto).

O trema

Até a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990, em janeiro de 2009, o trema era usado no português brasileiro para assinalar que a letra u nas combinações que, qui, gue e gui, normalmente muda, deve ser pronunciada. Exemplos: sangüíneo (pronuncia-se /sãˈgwinju/) e conseqüência (pronuncia-se /kõseˈkwẽsja/).

Com a entrada em vigor no novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa a partir de 1º de janeiro de 2009 o trema deixou de ser usado, a não ser em nomes próprios e seus derivados. Palavras como lingüiça, seqüestro, tranqüilo deixam de ter trema. No entanto, o acento continua a ser usado em palavras estrangeiras e seus derivados: Müller, mülleriano e Bündchen são exemplos.

Até 2012 no Brasil e até 2014 em Portugal, vigorou um período de adaptação, durante o qual tanto a antiga ortografia do Formulário Ortográfico de 1943 e da Reforma Ortográfica de 1911 respectivamente, como a nova do Acordo Ortográfico de 1990 foram oficialmente aceitas como válidas.

A ortografia do português europeu já não utilizava o trema, reservando-o para palavras derivadas de nomes estrangeiros, como mülleriano (do antropônimo Müller).

Acordo Ortográfico de 1990 Formulário Ortográfico de 1943
linguiça lingüiça
sequência seqüência
frequência freqüência
quinquênio qüinqüênio
pinguim pingüim
bilíngue bilíngüe
trilíngue trilíngüe
quinquelíngue qüinqüelíngüe
sequestro seqüestro

Acentuação Gráfica

Devido à diferença de pronúncia entre o português falado no Brasil e o falado em Portugal, as proparoxítonas que no Brasil recebem acento circunflexo, por terem a vogal tônica fechada, em Portugal recebem acento agudo, por terem a vogal tônica aberta. Observe:

Português europeu Português brasileiro
cómodo cômodo
fenómeno fenômeno
tónico tônico
génio gênio

Note-se que existem exceções a esta regra, com palavras a proparoxítonas a receberem acento circunflexo em ambas as normas: fêmea, estômago, etc. (Em algumas variantes de português europeu, particularmente no Norte de Portugal, a pronúncia de fato é fémea e estómago, apesar da grafia.). A grafia dupla, entretanto, é permitida, embora não recomendada para ocasiões em que deve-se seguir àquela ou esta norma do país em questão (como em concurso públicos) [40]

Na Língua Portuguesa, todas as palavras possuem uma sílaba tônica: a que recebe a maior inflexão de voz. Nem todas, porém, são marcadas pelo acento gráfico. As sílabas são subdivididas em tônicas, subtônicas e átonas.