Universidade de Cambridge

Universidade de Cambridge
Brasão de armas
LemaHinc lucem et pocula sacra
"A partir daqui, a luz e as taças sagradas"
Fundação1209
Tipo de instituiçãoPública
LocalizaçãoCambridge, Inglaterra, Reino Unido
PresidenteDavid Sainsbury
Docentes8614
Total de estudantes18 396 estudantes[1]
CampusUrbano
Página oficialwww.cambridge.ac.uk

A Universidade de Cambridge[nota 1] (em inglês: University of Cambridge) é uma tradicional instituição de ensino superior do Reino Unido, considerada uma das mais prestigiadas e importantes do mundo. É a segunda universidade mais antiga ainda em funcionamento do país. Localiza-se na própria cidade de Cambridge. Foi fundada no ano de 1209, porém o rei Henrique III concedeu-lhe o monopólio do ensino apenas em 1231.

As universidades de Cambridge e Oxford são rivais na aspiração a serem a melhor universidade do Reino Unido. Ambas produziram uma grande proporção dos mais proeminentes cientistas, escritores e políticos do mundo ocidental. Cambridge produziu mais vencedores de Prémio Nobel (82 no total) do que qualquer outra universidade do mundo. Muitos dos homens que mudaram a história da Física obtiveram seus diplomas por Cambridge, incluindo Isaac Newton, James Clerk Maxwell, John Joseph Thomson, Ernest Rutherford e Paul Dirac. Outras personalidades históricas ilustres associadas à universidade incluem o naturalista Charles Darwin, o economista John Maynard Keynes, o filósofo e matemático Bertrand Russell e o matemático Andrew Wiles.

Em 2006, Cambridge foi considerada novamente a segunda melhor universidade do mundo de acordo com o Institute of Higher Education, Shanghai Jiao Tong University, atrás apenas da Universidade Harvard nos Estados Unidos. Em 2010, segundo lista elaborada pelo conselho acadêmico QS, foi considerada a melhor universidade do mundo.

Constituição e administração da universidade

A Vice-Chanceler da Universidade de Cambridge, em procissão rumo a uma Congregação da Câmara Regente

A Universidade de Cambridge é uma universidade colegial formada por 31 colégios (Colleges) e seis escolas académicas autorizada pelo monarca do Reino Unido a outorgar títulos acadêmicos nos graus de bacharel, mestre e doutor. Como a maioria das instituições britânicas de ensino superior, a universidade é mantida por dotação pública através de financiamento à educação e bolsas de investigação e uma dotação privada (endowment) própria, estimada no final de 2011 em 4,3 bilhões de libras esterlinas.[3]

O Chanceler (atualmente David Sainsbury, Barão Sainsbury de Turville) é o chefe constitucional da universidade, mas sua função é na maior parte dos casos cerimonial. A autoridade executiva e responsabilidade por planejamento estratégico, administração da universidade e gerência dos seus recursos ou ativos permanecem por sua vez com o Conselho Universitário (University Council) presidido pelo Vice-Chanceler, que serve como o chefe executivo e principal oficial acadêmico da universidade e tem um mandato de sete anos. O atual Vice-Chanceler é o imunologista Leszek Borysiewicz. De acordo com os regulamentos da universidade, o Conselho Universitário pode nomear até cinco Pró-Vice-Chanceleres para assistir o Vice-Chanceler na administração cotidiana da universidade. Desde janeiro de 2005, o Conselho Universitário inclui ainda dois membros externos à universidade.

O poder legislativo ao nível da universidade e o poder de eleger o Vice-Chanceler e outros membros do Conselho Universitário são formalmente investidos na Câmara Regente (Regent House), que inclui mais de 3800 membros representando tanto as faculdades como os colégios. Os membros da Câmara Regente reúnem-se em Congregações para a aprovação e concessão de graus acadêmicos ou em ocasiões especiais como a posse de um novo Vice-Chanceler. Várias matérias legislativas ordinárias, como por exemplo a aprovação de ordenanças (ordinances) que regulam assuntos acadêmicos, são entretanto delegadas pela Câmara Regente à Junta Geral das Faculdades (General Board of the Faculties), que é o órgão responsável por formular a política educacional da universidade, incluindo a aprovação de currículos e requisitos para a concessão de graus acadêmicos.

Os membros correntes da Câmara Regente em conjunto com todos os ex-alunos da universidade detentores do grau de Master of Arts ou um grau superior a este formam o Senado universitário (Senate), cuja principal função é eleger o Chanceler (normalmente a título vitalício) e aprovar normas regulamentando a sua eleição.

Da esquerda para direita: A Câmara do Senado (Senate House), o Gonville and Caius College e a Igreja de Santa Maria Maior

Faculdades e departamentos

As diversas faculdades que compõem a universidade subdividem-se em unidades menores especializadas conhecidas como departamentos. Adicionalmente, há também departamentos isolados que não pertencem formalmente a nenhuma faculdade. Os departamentos são liderados por um chefe (department head) e são responsáveis por contratar docentes, ministrar aulas (lectures), aplicar exames e desenvolver atividades de pesquisa (investigação) nas suas respectivas especialidades. Cada faculdade ou departamento isolado responsável por cursos de graduação/pós-graduação mantém a sua própria junta eleita (Faculty Board) que supervisiona as atividades de ensino e pesquisa na sua respectiva área e submete currículos e outros assuntos de natureza acadêmica para aprovação da Junta Geral (General Board) da universidade.

Para fins administrativos, as diversas faculdades e/ou departamentos isolados são agrupados ainda em seis unidades maiores conhecidas como "Escolas" (Schools), subdivididas por área de conhecimento (ciências físicas; ciências biológicas; medicina; tecnologia; artes e humanidades; e humanidades e ciências sociais). Cada escola (semelhante às Divisões na Universidade de Oxford) mantém o seu próprio Conselho Administrativo (Council of the School) com representação das faculdades e/ou departamentos incluídos no seu âmbito. Entre outras funções, os Conselhos das Escolas são responsáveis por nomear oito dos dezessete membros da Junta Geral das Faculdades, escolhidos necessariamente entre membros da Câmara Regente.

Colégios

Clare College (esquerda) e capela do King's College (centro).

As Faculdades de nível superior (ou Colleges em inglês) são instituições independentes e autogovernadas, incluindo membros juniores (alunos de graduação ou pós-graduação) e membros seniores conhecidos como Fellows que são responsáveis por governar o colégio além de exercerem outras atividades de ensino e pesquisa. O sistema dual universidade/colégios tende a se sobrepor, entretanto, uma vez que a maioria dos Fellows dos colégios são também docentes permanentes nos vários departamentos da universidade. Cada colégio é dirigido por um Mestre (Master, Principal, President, ou Warden) eleito pelo corpo de Fellows e responsável pela administração do colégio.

Os vários colégios possuem ativos próprios (incluindo normalmente os edíficios que ocupam) e servem como residências para alunos de graduação e pós-graduação durante a duração dos seus estudos em Cambridge. Mais do que simples residências estudantis porém, os colégios de Cambridge participam ativamente também do ensino de graduação através do sistema de "supervisões" (supervisions) que complementa as aulas e outras atividades (por exemplo práticas de laboratório) ministradas ou organizadas pelos departamentos da universidade.

O sistema de supervisões, típico das Universidades de Cambridge e Oxford, consiste em sessões tutoriais organizadas pelos colégios, geralmente com uma hora de duração cada, onde grupos pequenos de alunos (entre um e cinco) se reúnem com um Supervisor (normalmente um "Teaching Fellow" do respectivo colégio) para discutir o material visto nas aulas. Espera-se que os alunos se preparem a priori para as sessões de supervisão submetendo algum trabalho escrito, por exemplo um ensaio (em inglês, essay) ou, no caso de alunos de engenharia, matemática ou ciências físicas, soluções de listas de exercícios (chamadas example papers) distribuídas durante as aulas. Embora os exercícios ou textos/trabalhos submetidos não sejam avaliados para nota, eles ajudam os alunos a se manterem em dia com o material desenvolvido nas aulas e servem também como preparação para os exames finais escritos. As supervisões oferecem ainda aos alunos a oportunidade de discutir regularmente com um especialista na área a matéria vista em sala de aula, resolvendo dúvidas e, normalmente, aprofundando o assunto. Dependendo do curso de graduação, o número de sessões de supervisão pode variar de uma a quatro por semana.

Além do sistema de supervisão acadêmica, cada aluno conta ainda com um tutor individual nomeado pelo colégio, cuja função não é ensinar, mas sim acompanhar o bem-estar pessoal do aluno, incluindo problemas familiares ou financeiros, e prestar-lhe assistência dentro do que for possível.