Tumor cerebral
English: Brain tumor

Tumor cerebral
Ressonância magnética de metástases de um cancro do pulmão no hemisfério cerebral direito .
SinónimosNeoplasia intrecraniana
EspecialidadeNeurocirurgia, oncologia
SintomasDependem da parte do cérebro envolvida, dores de cabeça, convulsões, problemas de visão, vómitos, alterações mentais[1][2]
TiposBenigno, maligno[2]
CausasGeralmente desconhecidas[2]
Fatores de riscoNeurofibromatose, exposição a cloreto de vinil, vírus Epstein–Barr, radiação ionizante[1][2][3]
Método de diagnósticoTomografia computorizada, ressonância magnética, biópsia[1][2]
TratamentoCirurgia, radioterapia, quimioterapia[1]
MedicaçãoAnticonvulsivos, dexametasona, furosemida[1]
PrognósticoSobrevivência a cinco anos: ~ 35% (EUA)[4]
Frequência1,2 milhões de cancros do sistema nervoso (2015)[5]
Mortes229 000 (2015)[6]
Classificação e recursos externos
CID-1071, 33,
CID-9191, 225.0
DiseasesDB30781
MedlinePlus007222 000768
eMedicineemerg/334
MeSHD001932
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Um tumor cerebral ocorre quando se formam células anormais no cérebro.[2] Existem dois tipos principais de tumores: tumores malignos e tumores benignos.[2] Os tumores cancerosos podem ser divididos em tumores primários, que se começam a formar no próprio cérebro, ou tumores secundários, que se espalharam a partir de outras partes do corpo, denominados metástases cerebrais.[1] Este artigo descreve principalmente os tumores que têm origem no cérebro. Todos os tipos de tumores cerebrais manifestam sintomas que variam conforme a parte do cérebro afetada.[2] Os sintomas incluem dores de cabeça, convulsões, problemas de visão, vómitos e perturbações mentais.[1][7] A dor de cabeça é geralmente mais intensa durante a manhã e desaparece após os vómitos.[2] Alguns tipos de tumor podem provocar dificuldade em caminhar, falar ou a nível de sensibilidade.[3]

A causa da maior parte dos tumores cerebrais é desconhecida.[2] Entre os fatores de risco que podem ocasionalmente estar envolvidos estão uma série de condições hereditárias conhecidas como neurofibromatoses, assim como a exposição ao cloreto de vinil, ao vírus Epstein-Barr e à radiação ionizante.[2][1][3] Embora tenham sido levantadas preocupações quanto ao uso de telemóveis, as evidências não são claras.[3] Os tipos mais comuns de tumores primários em adultos são os meningiomas (geralmente benignos) e os astrocitomas, tais como os gliobastomas.[1] Em crianças, o tipo mais comum são os meduloblastomas malignos.[3] O diagnóstico é geralmente realizado através de exame clínico auxiliado por imagens de tomografia computorizada ou ressonância magnética.[2] O diagnóstico pode ser confirmado por biópsia.[1] Com base nas observações, os tumores são divididos diferentes graus de gravidade.[1]

O tratamento pode incluir uma combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia.[1] Nos casos em que ocorrem convulsões podem ser administrados anticonvulsivos.[1] Para diminuir o inchaço à volta do tumor podem ser administradas dexametasona e furosemida.[1] Alguns tumores crescem lentamente, sendo apenas necessária monitorização e sem possivelmente sem necessidade de intervenção no futuro.[1] O prognóstico varia consideravelmente de acordo com o tipo de tumor e de quanto se encontra disseminado no momento do diagnóstico.[3] O prognóstico dos glioblastomas é geralmente pouco favorável, enquanto os meningiomas têm geralmente prognóstico positivo.[3] A taxa de sobrevivência a cinco anos nos Estados Unidos para o cancro no cérebro é, em média, de 33%.[4] Estão atualmente a ser investigados tratamentos que tiram partido do sistema imunitário da pessoa.[2]

Os tumores do cérebro secundários, ou metástases, são mais comuns que os tumores do cérebro primários.[2] Cerca de metade das metástases são provenientes do cancro do pulmão.[2] Os tumores cerebrais primários afetam por ano cerca de 250 000 pessoas em todo o mundo, o que corresponde a menos de 2% do total de casos de cancro.[3] Em jovens com idade inferior a 15 anos, os tumores do cérebro são a segunda principal causa de cancro, atrás apenas da leucemia linfoide aguda.[8]

Tipos

Tumor do lobo frontal esquerdo, multiocular, invasivo, com processo infiltrante.
Primários

Os tumores podem ser devido a multiplicação de células de dentro do cérebro (primitivos ou primários) ou de células de outros tumores no organismo que se implantam no cérebro (metástases ou secundários). Os tumores primários do cérebro podem ser originados de vários tipos de células de dentro do cranio, como os neurônios, astrócitos, oligodendrócitos, células ependimárias, tecido linfático, células dos vasos sanguíneos, células de Schwann, células da adeno-hipófise e glândula pineal. Dependendo da célula que dá origem ao tumor podem ser classificados em[9][10]

  • Gliomas: Os tumores primários mais comuns (50%). Podem ser benignos (de baixo grado) ou malignos (de alto grado). Formados a partir de células de suporte do sistema nervoso (células gliais), incluem astrocitomas, glioblastomas, ependimoma, oligoastrocitomas, oligodendrogliomas e schwannomas.
  • Meningiomas: Segundo mais comuns (20%), são tumores que surge das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal (meninges). A maioria são benignos.
  • Adenoma de hipófise: Terceiros mais comuns (15%). São tumores geralmente benignos que se desenvolvem na adeno-hipófise, glândula da base do cérebro. Estes tumores podem afetar a produção de hormonas e ter efeitos em todo o corpo.
  • Meduloblastomas: São cânceres do cerebelo mais comuns em crianças. Formadas de células imaturas, crescem rápido e tendem a se espalhar através do líquido espinhal. Estes tumores são pouco comuns em adultos. Representam pouco menos de 2% dos tumores de cérebro em adultos, mas 18% dos tumores de cérebro em crianças.[11]
  • Tumor neuroectodérmico primitivo (PNET ou TNEP): Câncer raro de crescimento rápido que começa em células embrionárias (fetais) do cérebro. É mais comum em bebês. Estes tumores geralmente contêm áreas de células necrose e cistos. Fluido no torno do tumor não é incomum. Crescem muito causando efeito de massa e convulsões.[12]
  • Tumor de células germinativas: Geralmente se desenvolvem durante antes dos 30 anos. Esse tipo de tumor é mais comum nos testículos ou ovários, porém quaisquer tumores de células germinativas podem aparecer no cérebro. Representam de 3 a 5% dos tumores de cérebro em crianças.[13]
  • Craniofaringioma: Tumores benignos raros e de crescimento lento. Surgem perto da hipófise e podem afetar a regulação hormonal do corpo e comprimir os nervos da visão. Representam 2 a 5% dos tumores de cérebro e são mais comuns em menores de 14 anos ou maiores de 45 anos.[14]
Secundários

Qualquer câncer pode chegar ao cérebro, mas os tipos mais comuns que formam tumores cerebrais são[9]: