Português brasileiro

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Português brasileiro
Falado em: Brasil
Uruguai (região de fronteira com o Brasil )
Região:Em todo o Brasil e nas regiões fronteiriças com a Argentina, Uruguai e Paraguai
Total de falantes:~205 milhões[1]
Família:Língua portuguesa
 Português brasileiro
Regulado por:Academia Brasileira de Letras (ABL)
Códigos de língua
ISO 639-1:pt-BR
ISO 639-2:---
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Localização do Brasil.

Português brasileiro ou português do Brasil (abreviado como pt-BR) é o termo utilizado para classificar a variedade da língua portuguesa falada pelos mais de 200 milhões de brasileiros que vivem dentro e fora do Brasil. A população brasileira, quando comparada com as dos demais países lusófonos, implica que o português brasileiro seja a variante do português mais falada, lida e escrita do mundo, 14 vezes mais que a variante do país de origem, Portugal.

Devido à importância do Brasil no Mercosul e na UNASUL, esta variante vem sendo ensinada nos países da América do Sul e nos principais parceiros econômicos do Brasil. Também há falantes de português brasileiro como língua materna nos países onde há grandes comunidades brasileiras, particularmente nos Estados Unidos, Japão e em diversos países da Europa, como Portugal, Alemanha, Reino Unido, França e Espanha. De fato, trata-se da variante da língua portuguesa mais estudada no mundo. No Japão, nos Estados Unidos, e, sobretudo, na América Latina, é ensinada a variante brasileira para estudantes estrangeiros da língua portuguesa.

Antes da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, havia variadas línguas no território que coincide com o atual país, faladas por indígenas americanos de diversas etnias. No decorrer da sua história, o português brasileiro incorporou empréstimos de termos indígenas, como do tupi,[2] mas também de línguas africanas, sobretudo do quicongo, quimbundo e umbundo,[3] do francês, do castelhano, do italiano, do alemão, do inglês e do árabe.

Há várias diferenças entre o português europeu e o português brasileiro, especialmente no vocabulário, pronúncia e sintaxe, principalmente nas variedades vernáculas; nos textos formais as diferenças também existem, mas são bem menores. Vale ressaltar que dentro daquilo a que se convencionou chamar "português brasileiro" e "português europeu" há um grande número de variações regionais. O estabelecimento do Acordo Ortográfico de 1990, já em vigor no Brasil desde 1 de janeiro de 2009, visa a unificar a grafia das duas variantes da língua portuguesa, criando uma ortografia comum que garantirá uma grafia única para 98% das palavras. As diferenças entre a língua escrita formal de Portugal e do Brasil são comparáveis às diferenças encontradas entre as normas cultas do inglês britânico e inglês americano.[4]

História

Línguas indígenas americanas ou ameríndias

Antes da chegada dos portugueses, estima-se que cerca de 1.500 línguas diferentes eram faladas no território que veio a ser o Brasil. Essas são agrupadas em famílias, classificadas como pertencentes aos troncos Tupi, Macro-jê e Aruaque. Há famílias, entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos. São elas: Karib, Pano, Maku, Yanomami, Mura, Tukano, Katukina, Txapakura, Nambikwara e Guaikuru. Evidentemente, o fato de duas sociedades indígenas americanas falarem línguas pertencentes a uma mesma família não faz com que seus membros consigam entender-se mutuamente.[5]

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela

E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Apesar de o Brasil ter sido descoberto oficialmente em 1500 pelos portugueses, sua colonização europeia só começou efetivamente em 1532 e de forma gradual. No ano de 1530, o rei de Portugal, João III, organizou a primeira expedição com objetivos de colonização. Foi comandada por Martim Afonso de Sousa e tinha, como objetivos, povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar no Brasil. Com isso, a língua portuguesa passou a ser usada factualmente no território hoje conhecido como Brasil. Ao mesmo tempo, outras nações europeias vieram para o Brasil, como a França e a Holanda (que chegou a instalar uma colônia na região que é hoje o Estado de Pernambuco).

No início da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos ameríndios Tupinambá (tronco Tupi) era falada numa enorme extensão de território ao longo da costa atlântica. No século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que, de início, eram uma minoria entre a população local. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de "brasílica", se intensificou e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro. Com o decorrer do tempo, ela se modificou e, a partir da segunda metade do século XVII, passou a ser chamada de "língua geral".

Era a língua de contato entre ameríndios de diferentes línguas e entre ameríndios e portugueses e seus descendentes. A língua geral era, assim, uma língua franca no atual território brasileiro. Essa foi a primeira influência que a língua portuguesa recebeu no Brasil. Como tal, deixou algumas marcas no vocabulário popular falado atualmente no país. A língua geral possuía duas variantes:

O português no Brasil

O Marquês de Pombal instituiu o português como a língua oficial do Brasil, proibindo o uso da língua geral.

Com a saída dos holandeses em 1654, o português passa a ser a única "Língua de Estado" do Brasil.

No fim do século XVII, os bandeirantes iniciam a exploração do interior do continente, e descobrem ouro e diamantes. Devido a isso, o número de imigrantes portugueses no Brasil e o número de falantes da Língua Portuguesa no Brasil passam a aumentar, superando os falantes da língua geral (derivada do tupinambá). Em 17 de agosto de 1758, o Marquês de Pombal instituiu o português como a língua oficial do Brasil, ficando proibido o uso da língua geral. Nesta altura, devido à evolução natural da língua, o português falado no Brasil já tinha características próprias que o diferenciavam do falado em Portugal. [carece de fontes?]

No século XVII, devido à intensificação do cultivo de cana-de-açúcar, existe um grande fluxo de escravos vindos da África, que se espalharam por todas as regiões ocupadas pelos portugueses e que trazem uma influência lexical africana para o português falado no Brasil. Para se ter uma ideia, no século XVI foram trazidos para o Brasil 100 mil negros. Este número salta para 600 mil no século XVII e 1 milhão e 300 mil no século XVIII. A influência lexical africana veio principalmente da língua iorubá, falado pelos negros vindos da Nigéria, e do quimbundo angolano.

Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808, como consequência das invasões francesas, ocorre uma relusitanização no falar da cidade do Rio de Janeiro, que passou a ser a capital do país. Acompanhando a família real, chegam ao Rio de Janeiro cerca de 15 mil portugueses. Com essa relusitanização expande-se e influencia outras partes do Brasil.

Em 1822, o Brasil torna-se independente. Com isso o tráfico negreiro diminui e muitos imigrantes europeus, como alemães e italianos, chegam ao país. Em números absolutos os italianos formaram a maior corrente imigratória no país. Deste modo, as especificidades linguísticas dos imigrantes italianos interferiram nas transformações da língua portuguesa no Brasil. Assim, palavras foram agregadas de outros idiomas europeus.

A língua portuguesa no mundo:
  Língua materna
  Língua oficial e administrativa
  Língua cultural ou secundária
  Minorias falantes do português

Na segunda metade do século XIX ocorre uma tentativa, dos autores romantistas, de criar uma personalidade literal brasileira. Entretanto, o movimento que consagrou rapidamente a norma brasileira foi o modernismo brasileiro. Esse foi um movimento de nacionalização que rompeu com o parnasianismo e com a imitação do padrão tradicional do português, privilegiando as peculiaridades do falar brasileiro. O modernismo brasileiro nasceu no dia 11 de fevereiro de 1922, com a Semana de arte moderna de 1922. Representou uma verdadeira renovação da linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora e na ruptura com o passado. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos.

Há várias ideias acerca de quando começaram a divergir o português do Brasil e o de Portugal. O professor titular da Universidade de São Paulo Ataliba Teixeira de Castilho disse numa entrevista ao jornal da Unicamp:[8]

Há várias posições sobre isso. Uns dizem que a partir do século XIX começou a ser construída uma gramática do português brasileiro, quer dizer, uma nova língua, distinta do português europeu. Mas se analisar o português medieval, como fez a minha mulher Célia Maria Moraes de Castilho em sua tese de doutorado, descobre-se que aquilo que se explicava como um abrasileiramento do português, na verdade, já se encontrava lá, sobretudo nos documentos do século XV. Ou seja, esse português veio para o Brasil e foi preservado. Nós estamos fazendo mudanças gramaticais a partir dessa base. Já Portugal, a partir do século XVIII, imprimiu um novo rumo à língua, por isso é que muito do que aqui sobreviveu, não existe mais lá. Eles é que estão diferentes, não nós.[9]

É preciso, também, não esquecer que em Portugal existe uma grande variedade de dialetos para além do de Lisboa, alguns mais próximos dos brasileiros.

pt-BR

pt-BR é um código de língua para o português brasileiro, definido por normas ISO (ver ISO 639-1 e ISO 3166-1 alpha-2) e normas Internet (ver "IETF language tag").