Oskar Schindler

Oskar Schindler
Oskar Schindler, Argentina
Nascimento28 de abril de 1908
Svitavy, Morávia (atual República Checa)
Morte9 de outubro de 1974 (66 anos)
Hildesheim, Baixa Saxônia
ResidênciaJerusalém, Israel
ProgenitoresMãe: Franziska Luser
Pai: Hans Schindler
CônjugeEmilie Schindler
OcupaçãoIndustrial
ReligiãoIgreja Católica

Oskar Schindler (Svitavy, 28 de abril de 1908Hildesheim, 9 de outubro de 1974) foi um industrial alemão sudeto, espião e membro do Partido Nazi, que salvou da morte 1200 judeus durante o Holocausto,[1] empregando-os nas suas fábricas de esmaltes e munições, localizadas nas actuais Polónia e República Checa, respectivamente. É o tema principal do romance de 1982, Schindler's Ark, e do filme de 1993, Schindler's List, que mostra a sua vida como um oportunista interessado no lucro, inicialmente, mas que acabou por mostrar uma iniciativa e dedicação extraordinárias com o objectivo de salvar as vidas dos seus empregados judeus.

Schindler cresceu em Zwittau, Morávia, e teve vários trabalhos até se juntar à Abwehr, o serviço de informação da Alemanha Nazi, em 1936. Aderiu ao Partido Nazi em 1939. Antes da ocupação alemã da Checoslováquia, em 1938, Schindler recolhia informações sobre caminhos-de-ferro e movimentos de tropas para o governo alemão. Foi preso por espionagem pelo governo checoslovaco, mas foi libertado segundo os termos do Acordo de Munique, em 1938. Schindler continuou o seu trabalho de recolha de informações para os nazis, na Polónia, em 1939, antes da invasão daquele território, no início da Segunda Guerra Mundial.

Em 1939, Schindler obteve uma fábrica de utensílios de cozinha em Cracóvia, Polónia, que empregava 1750 trabalhadores, dos quais cerca de mil eram judeus no auge da fábrica, em 1944. As suas ligações da Abwehr ajudaram Schindler a proteger os trabalhadores judeus de uma deportação certa e da morte nos campos de concentração nazis. De início, Schindler estava apenas interessado em fazer dinheiro fácil com o negócio. Mais tarde começou a proteger os seus trabalhadores sem olhar custos. Com o tempo, Schindler teve que subornar os oficiais nazis com dinheiro e ofertas de luxo, obtidas no mercado-negro, para manter os seus empregados seguros.

Quando a Alemanha começou a perder a guerra, em Julho de 1944, as Schutzstaffel (SS) começaram a fechar os campos de concentração a leste e a evacuar os restantes prisioneiros para oeste. Muitos foram mortos no campo de concentração de Auschwitz e Gross-Rosen. Schindler convenceu o SS-Hauptsturmführer Amon Göth, comandante do Campo de concentração de Kraków-Płaszów, a transferir a sua fábrica para Brünnlitz, na região dos Sudetas, poupando, assim, os seus trabalhadores da morte nas câmaras de gás. Utilizando os nomes fornecidos pelo oficial da Polícia dos Guetos Judeus Marcel Goldberg, o secretário de Göth, Mietek Pemper, compilou, e passou a papel, uma lista de 1200 judeus que viajaram para Brünnlitz em Outubro de 1944. Schindler continuou a subornar os oficiais das SS para impedir o massacre dos seus empregados, até ao final da Segunda Guerra Mundial na Europa, em Maio de 1945, altura em que tinha já gasto a sua fortuna em subornos e no mercado-negro para comprar provisões para os seus funcionários.

Schindler foi viver na Alemanha a seguir à guerra, onde foi apoiado financeiramente por organizações judaicas de salvamento. Depois de receber um reembolso parcial pelos seus gastos em tempo de guerra, viajou para a Argentina, com a sua esposa, para uma quinta. Quando entrou em bancarrota em 1958, Schindler deixou sua mulher e regressou à Alemanha, onde foi mal-sucedido em vários negócios, e teve que ser ajudado pelos seus Schindlerjuden ("Judeus de Schindler") – aqueles cujas vidas ele salvou durante a guerra. Schindler recebeu a designação de Justos entre as nações pelo governo de Israel em 1963, e morreu a 9 de Outubro de 1974.

Primeiros anos e carreira profissional

Schindler nasceu no dia 28 de Abril de 1908 no seio de uma família sudeta, em Zwittau, Morávia, Áustria-Hungria. O seu pai, Johnann "Hans" Schindler, geria uma empresa de máquinas agrícolas, e a sua mãe chamava-se Franziska "Fanny" Schindler (Luser de nascimento). A sua irmã, Elfriede, nasceu em 1915. Depois de frequentar as escolas primária e secundária, Schindler entrou para uma escola técnica da qual foi expulso em 1924 por ter falsificado um relatório. Graduou-se mais tarde, mas não fez o exame Abitur que lhe daria acesso à universidade. Em vez disso, tirou vários cursos em Brno, em diversas áreas, incluindo o de motorista e manuseamento de máquinas, e trabalhou com o seu pai durante três anos. Fã de motociclos desde jovem, Schindler comprou uma Moto Guzzi com um motor de 250 cc de competição, e participou, de forma amadora, em corridas em montanhas nos anos seguintes.[2]

No dia 6 de Março de 1928, casou-se com Emilie Pelzl (1907–2001), filha de um fazendeiro sudeta de Maletein.[3] O jovem casal passou a viver com os pais de Oskar, durante os sete anos seguintes.[4] Pouco depois do casamento, Schindler deixou de trabalhar com o seu pai e passou por diversas ocupações com um cargo na Moravian Electrotechnic e na gestão de uma escola de condução. Depois de passar 18 meses no exército checo, onde chegou ao posto de anspeçada, no 10.º Regimento de Infantaria do 31.º Exército, Schindler regressou à Moravian Electrotechnic, que entrou em falência pouco depois. O negócio da quinta do seu pai também entraria em bancarrota na mesma altura, deixando Schindler desempregado durante um ano. Seguidamente, foi trabalhar para o Jarslav Simek Bank de Praga, em 1931, onde se manteve até 1938.[5]

Entre 1931 e 1932, Schindler foi detido por várias vezes por estar embriagado em público. Também neste período, teve um caso amoroso com Aurelie Schlegel, uma amiga da escola. Desta relação, teve uma filha, Emily, em 1933, e um filho, Oskar Jr, em 1935. Mais tarde, Schindler alegou que o filho não era dele.[6] O pai de Schindler, alcoólico, abandonou a sua esposa em 1935. Esta morreria alguns meses mais tarde vitima de doença prolongada.[4]

Schindler ingressou no partido de natureza separatista em 1935.[7] Embora fosse cidadão da Checoslováquia, Schindler tornou-se espião ao serviço da Abwehr, o serviço de informação da Alemanha Nazi, em 1936. Foi designado para o Abwehrstelle II Commando VIII, com sede em Breslau.[8] Mais tarde diria à polícia checa que o fez porque precisava de dinheiro; por esta altura, Schindler tinha problemas alcoólicos e encontrava-se cheio de dívidas.[9] As suas tarefas para a Abwehr incluíam a recolha de informações sobre os caminhos-de-ferro, instalações militares e movimentação de tropas, tal como o recrutamento de outros espiões na Checoslováquia, em preparação para a invasão deste país pela Alemanha.[10] Foi detido pelo governo checoslovaco por espionagem a 18 de Julho de 1938, e imediatamente preso, mas foi libertado como prisioneiro político sob os termos do Acordo de Munique, o instrumento sob o qual a região dos Sudetas foi anexada pela Alemanha a 7 de Outubro.[11][12] Schindler candidatou-se a membro do Partido Nazi a 1 de Novembro e foi aceito no ano seguinte.[13]

Depois de uma pausa para recuperar em Zwittau, Schindler foi promovido a número dois da sua unidade Abwehr, e colocado com a sua esposa em Ostrava, na fronteira checo-polaca, em Janeiro de 1939.[14] Nos meses seguintes, até a tomada total da Checoslováquia por Hitler em Março, Schindler continuou ligado à espionagem. Emilie ajudou-o com a parte burocrática, e com a ocultação de documentos secretos da Abwehr no seu apartamento.[15] Como viajava com frequência para a Polónia, com os seus 25 agentes, Schindler conseguia recolher informação sobre as manobre as linhas de caminho-de-ferro polacas para a invasão da Polónia.[16] Em uma das suas missões, Schindler e a sua unidade tinham como missão monitorizar e enviar informações sobre a linha de caminho-de-ferro, e do túnel, de Jablunkov Pass, uma rota considerada vital para a movimentação das tropas alemãs.[17] A rota foi capturada intacta pelo 14.º Exército (Wehrmacht) em 1 de Setembro de 1939, nas primeiras horas da Segunda Guerra Mundial na Europa.[18] Schindler continuou a trabalhar com a Abwehr até ao Outono de 1940, quando foi enviado para a Turquia para investigar casos de corrupção entre os oficiais da Abwehr ligados à embaixada alemã naquele país.[19]