Nematoda
English: Nematode

Como ler uma infocaixa de taxonomiaNematoda
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Classificação científica
Domínio:Eukaryota
Reino:Animalia
Filo:Nematoda
Classes
Adenophorea

   Subclasse Enoplia

   Subclasse Chromadoria

Secernentea

   Subclasse Rhabditia

   Subclasse Spiruria

   Subclasse Diplogasteria

Nematoda (nematódeos) são um filo de animais cilíndricos espetacularmente alongados. São animais triblásticos, protostômios, pseudocelomados. Seu corpo cilíndrico, alongado e não segmentado exibe simetria bilateral. Possuem sistema digestivo completo, sistemas circulatório e respiratório ausentes; sistema excretor composto por dois canais longitudinais (renetes-formato de H); sistema nervoso parcialmente centralizado, com anel nervoso ao redor da faringe.

Possuem corpo não segmentado e revestido de cutícula resistente e colagenosa. Possuem sistema digestivo completo, possuindo boca e ânus. O sistema nervoso é formado de um anel anterior, que circunda a faringe, e cordões nervosos longitudinais relacionados com aquele anel. O sistema locomotor é estruturado em camadas musculares longitudinais situadas logo abaixo da epiderme. As contrações desses músculos só permitem movimentos de flexão dorsoventral.

Há movimentos laterais. Todos os nematódeos são unissexuados (animais dioico), ou seja, têm sexos separados — machos e fêmeas distintos. Em alguns, há até nítido dimorfismo sexual (o macho é bem diferente da fêmea). Não há estruturas flageladas nem ciliadas nesses animais. Nem mesmo os espermatozóides possuem flagelos. Eles se locomovem por meio de pseudópodos, com movimentos ameboides.

Os nematódeos não possuem sangue, sistema circulatório nem sistema respiratório. Podem tanto serem aeróbicos quanto anaeróbicos. Ecologicamente são muito bem-sucedidos, sendo tal fato demonstrado pela alta diversidade de espécies. Encontram-se em todos os habitats, terrestres, marinhos e de água doce e chegam a ser mais numerosos que os outros animais, tanto em número de espécies, como de indivíduos. Algumas espécies são microscópicas, enquanto a fêmea de uma espécie, parasita do cachalote chamada "Placentonema gigantissima" pode atingir 13 metros de comprimento.

Eram classificados, juntamente com outros grupos, no filo nemathelminthes (nematelmintos), hoje obsoleto. Recentemente, aclamou-se que os nematódeos são uma das três principais radiações de organismos multicelulares que têm produzido a maioria das espécies do mundo, sendo as outras radiações os insetos e os fungos (Gaston, 1991).

Taxonomia e sistemática

Eophasma jurasicum, um nematódeo

Em 1758, Lineu descreveu algumas espécies e gêneros de nematódeos (como, Ascaris), incluídos na classe Vermes. O nome Nematoda, derivado de Nematoidea, originalmente definido por Karl Rudolphi (1808)[1] vem do do grego antigo νῆμα (nêma, nêmatos, 'filamento') e -eiδἠς (-eidēs, 'espécie'). A base "nematod" era frequentemente utilizada em nomes formais criados por vários cientistas, como a família Nematodes de Burmeister (1837) por exemplo. Além disso, as mudanças taxonômicas posteriores frequentemente alternavam entre as categorias de Ordem, Classe e Filo, ora mantendo nomes utilizados antes ora criando novos nomes para as novas interpretações.

Em sua origem, "Nematoidea" inclui erroneamente tanto os atuais Nematoda quanto os Nematomorpha, de acordo com Rudolphi (1808). atribuídos por von Siebold (1843). As primeiras diferenciações entre nematódeos e nematomorfos, embora equivocadas, se devem a von Siebold (1843), com as ordens Nematoidea e Gordiacei (esta contendo alguns nematódeos)[2]. Huxley (1864) elevou provisoriamente as ordens para as classes Nematoidea e Gordiace inclusas em uma categoria taxonômica maior denominada Scolecida. Ray Lankester (1877) elevou Nematoidea ao nível de filo, contendo Gordiidae, como uma "subdivisão". Posteriormente, tanto nematódeos quanto gordiáceos foram classificados junto com os atuais Acanthocephala no obsoleto filo Nemathelminthes por Gegenbaur (1859). A partir daí, foi feita a primeira distinção clara entre nematódeos e gordiáceos, Vejdovsky (1866) criou a classe Nematomorpha para os gordiáceos no filo Nemathelmintes[2]. Nematódeos também configuraram outras classificações, como o grupo obsoleto conhecido como Entozoa, criado para abrigar também outros helmintos endoparasitos como Acanthocephala, Trematoda e Cestoidea[3].

Em 1919, Nathan Cobb propôs que os nematódeos deveriam ser reconhecidos isoladamente como filo. Ele argumentou que eles deveriam ser chamados de "nema" em inglês ao invés de "nematoides" e definiu Nemates como o nome do táxon (ou Nemata = plural latinizado de "nema"), listando Nematoidea sensu strictu como seu sinônimo, dando detalhes mais claros sobre a diagnose do grupo em 1932[2]. No entanto, em 1910 Grobben havia proposto o filo Aschelminthes com uma composição um pouco diferente de Nemathelminthes. Nele os nematoides foram incluídos na classe Nematoda juntamente as classes Rotifera, Gastrotricha, Kinorhyncha, Priapulida e Nematomorpha (O filo foi posteriormente revivido e modificado por Libbie Henrietta Hyman em 1951 como Pseudoceolomata mas permaneceu similar). Tanto Nemathelminthes, Aschelminthes e Pseudoceolomata são hoje considerados obsoletos.

Talvez por desconhecer ou por desconsiderar o trabalho de Cobb, Potts (1932) elevou a classe Nematoda de Grobben ao nível de filo deixando o mesmo nome. Apesar da classificação de Potts ser equivalente à de Cobb e portanto sinônimas, ambos os nomes foram usados ​​(e ainda são usados ​​hoje) e o termo Nematoda tornou-se popular na ciência zoológica[2][4]. Como Cobb foi o primeiro a incluir os nematóides em um filo separado dos nematomorfos, alguns pesquisadores consideram Nemata como o nome válido para o táxon, especialmente por causa regra de nomenclatura zoológica que dá prioridade ao termo mais antigo utilizado em caso de sinonímia. Entretanto há quem defenda e aceite o uso de ambos devido a grande difusão do termo Nematoda.

Quanto ao nome vulgar do grupo, em português, varia bastante: "nemátodos", "nemátodas", "nemátodes", "nematódeos", "nematódios", "nematoides" ou "nemas". O mais utilizado na literatura científica em português é "nematoides", seguido de "nematódeos".[5][6][7] A partir de critérios de etimologia e estilística, alguns autores julgam mais preferível o segundo nome, "nematódeos",[5] porém, deve-se lembrar que o uso de nomes vulgares não é controlado pelo ICZN (não há um "nome correto", nesse sentido, ficando a escolha do nome a critério do autor), ao contrário do que ocorre com os nomes científicos, latinos.[8]