Monofilia
English: Monophyly

Árvore filogenética: os grupos a azul (esquerda) e vermelho (direita) são táxons monofiléticos; o grupo a verde (centro) é parafilético.
Cladograma dos primatas, mostrando um grupo monofilético (os símios, a amarelo), um grupo parafilético (os prossímios, a azul, incluindo o subgrupo representado avermelho), e um grupo polifilético (os primatas com actividade nocturna, os lorises e os Tarsius, a vermelho.)
Grupos filogenéticos: (1) Monofilia: um taxon monofilético contém um ancestral comum e todos os seus descententes (a amarelo, o grupo dos "répteis e aves"); (2) Parafilia: um taxon parafilético contém o seu mais recente ancestral comum, mas não contém todos os descendentes desse ancestral (a azul, os répteis); e (3) Polifilia: um taxon polifilético não não contém o mais recente ancestral comum de todos os seus membros (a vermelho, o grupo de todos os animais de sangue quente é polifilético).
O agrupamento dos répteis e das aves é considerado como monofilético.

Monofilia ou monofiletismo é a propriedade apresentada por um agrupamento taxonómico (um taxon ou conjunto de organismos) que contenha entre os seus elementos todos e apenas os descendentes de um ancestral comum.[1][2][3][4] Um conjunto de organismos que satisfaça a condição de monofilia é um agrupamento monofilético, o que na moderna cladística corresponde a um táxon (grupo de organismos) que forma um clado ou ramo, ou seja, que consiste exclusivamente numa espécie ancestral e todos os seus descendentes. Em consequência da partilha do património genético do ancestral comum, os membros de um grupo monofilético caracterizam-se por partilharem características derivadas comuns, as sinapomorfias.[1] «Monofilia» é sinónimo de «holofilia», termo entretanto caído em desuso.

Descrição

Monofilia contrasta com parafilia e polifilia, como mostrado nos diagramas ao lado. A moderna taxonomia de base filogenética assenta na análise de grupos filogenéticos que são classificados de acordo com o padrão estabelecido pela condição de monofilia. Com essa base os grupos são classificados em:

  • Grupo monofilético — os seus elementos cumprem a condição de monofilia, agrupando exclusivamente o universo dos descendentes de um ancestral comum pré-determinado. Em teoria, apenas os grupos monofiléticos podem constituir um táxon de bona fide num sistema de classificação biológica.
  • Grupo parafilético — consiste no conjunto de todos os descendentes de um ancestral comum minus um ou mais grupos monofiléticos. Em consequência, um grupo que exiba parafilia é "quase monofilético" (daí o prefixo 'para', significando 'próximo' ou 'concordante'.)
  • Grupo polifilético — consiste num conjunto de organismos que forma um grupo caracterizado por apresentar características comuns resultantes da acção da evolução convergente. As características partilhadas, que podem ser anatómicas, bioquímicas, comportamentais ou outras (por exemplo, primatas com actividade nocturna, árvores de fruto, insectos aquático), não resultam da herança de um ancestral comum mas da adaptação a condições ambientais específicas.

A aceitação generalizada da definição de «monofilia» foi demorada. Quando a escola cladística passou a dominar o campo da taxonomia, na década de 1960, estavam em uso várias definições alternativas. Na realidade, muitos taxonomistas utilizaram as definições associadas aos grupos filogenéticos sem os definir de forma precisa, o que levou a confusão na literatura,[5] uma confusa que ainda parcialmente persiste.[1]