Milton Friedman

Milton Friedman Medalha Nobel
Nascimento31 de julho de 1912
Brooklyn, Nova Iorque
Morte16 de novembro de 2006 (94 anos)
São Francisco, Califórnia
NacionalidadeEstadunidense
CônjugeRose Friedman
Alma materUniversidade Columbia (Ph.D.), 1946, Universidade de Chicago (M.A.), 1933, Universidade Rutgers (B.A.), 1932
PrêmiosMedalha John Bates Clark (1951), Medalha do prêmio Nobel Alfred Nobel de Economia (1976), Medalha Presidencial da Liberdade (1988), Medalha Nacional de Ciências (1988)
Assinatura
Milton friedman signature.svg
InstituiçõesInstituição Hoover (1977–2006), Universidade de Chicago (1946–77), Universidade Columbia (1937–41, 1943–45,
1964–65)
,
NBER (1937–40)
Campo(s)Economia e estatística

Milton Friedman (Nova Iorque, 31 de julho de 1912São Francisco, 16 de novembro de 2006) foi um economista, estatístico e escritor norte-americano, que lecionou na Universidade de Chicago por mais de três décadas. Ele recebeu o Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel de 1976 e é conhecido por sua pesquisa sobre a análise do consumo, a teoria e história monetária, bem como por sua demonstração da complexidade da política de estabilização.[1]

Biografia

Como um líder da escola de economia de Chicago, Friedman influenciou vários campos de pesquisa da economia. Uma pesquisa feita com economistas posicionou Milton Friedman como o segundo economista mais influente do século XX, logo atrás do britânico John Maynard Keynes,[2] com o periódico The Economist descrevendo-o como "o economista mais influente da segunda metade do século XX... possivelmente de todo o século".[3]

Os desafios de Friedman ao que mais tarde ele chamou de teoria "keynesiana ingênua" (em oposição à nova teoria keynesiana)[4] começaram com sua reinterpretação na década de 1950 da função de consumo, sendo que ele se tornou o principal opositor às políticas governamentais keynesianas.[5] No final da década de 1960, ele descreveu sua abordagem (juntamente com toda a economia ortodoxa) como sendo "linguagem e instrumentos keynesianos", rejeitando suas conclusões iniciais.[6]

Durante a década de 1960, ele promoveu uma política macroeconômica alternativa conhecida como "monetarismo". Ele afirmou que existia uma taxa "natural" de desemprego e defendeu que os governos somente poderiam aumentar o nível de emprego acima desta taxa aumentando a demanda agregada e causando uma aceleração da inflação.[7] Ele defendeu que a curva de Phillips era, no longo prazo, vertical à "taxa natural" e previu o que seria conhecido como estagflação.[8] Embora se opusesse à existência do Federal Reserve System, Friedman defendeu que, dado que ele existia, uma pequena expansão estável da oferta monetária era a única política a ser tomada.[9]

Friedman foi um conselheiro econômico de Ronald Reagan, enquanto o republicano ocupou a posição de chefe de estado dos Estados Unidos da América. Sua filosofia política exaltava as virtudes de um sistema econômico de livre mercado com intervenção mínima. Ele uma vez afirmou que seu papel na eliminação do alistamento nos Estados Unidos foi sua realização de maior orgulho, sendo que seu apoio à escolha da escola levou-o a fundar a Fundação Friedman para a Escolha Educacional. Em seu livro de 1962 Capitalismo e Liberdade, Friedman defendeu políticas como o alistamento voluntário, taxas de câmbio flutuantes, a abolição da licença médica, um imposto de renda negativo e cupons escolares.[10] Suas ideias quanto à política monetária, tributação, privatização e desregulamentação influenciaram as políticas governamentais, especialmente durante a década de 1980. Sua teoria monetária influenciou a resposta do Federal Reserve à crise financeira mundial de 2007-2008.[11] No campo da estatística, Friedman desenvolveu o método de amostragem sequencial de análise.

As obras de Milton Friedman incluem muitas monografias, livros, artigos acadêmicos, colunas em revistas, programas de televisão, vídeos e palestras, cobrindo uma ampla variedade de tópicos de microeconomia, macroeconomia, história econômica e assuntos de política pública. Seus livros e ensaios foram amplamente lidos, tendo uma influência internacional, até mesmo em antigos estados comunistas.[12][13][14][15]

Juventude

Friedman nasceu no Brooklyn, Nova Iorque, e seus pais eram os imigrantes judeus Sára Ethel (née Landau) e Jenő Saul Friedman,[16] de Beregszász, Reino da Hungria (atual Berehove, na Ucrânia), ambos mercadores de confecção. Logo após o nascimento de Milton, a família se mudou para Rahway, Nova Jersey. Em sua adolescência, Friedman se feriu em um acidente de carro, que deixou uma ferida em seu lábio superior.[17] Um estudante talentoso, Friedman se formou no Colégio Rahway em 1928, um pouco antes de seu 16º aniversário.[18][19]

Em 1932, Friedman formou-se na Universidade Rutgers, onde se especializou em matemática e economia, inicialmente tendo a intenção de se tornar um atuário. Durante sua permanência na Rutgers, Friedman foi influenciado por dois professores de economia, Arthur F. Burns e Homer Jones, que o convenceram que a economia moderna poderia ajudar a acabar com a Grande Depressão.

Após se formar pela Rutgers, Friedman recebeu a proposta de duas bolsas de estudos para pós-graduação – uma em matemática na Universidade de Brown e outra em economia na Universidade de Chicago. Friedman escolheu a segunda, assim recebendo o título de mestre em 1933. Ele foi muito influenciado por Jacob Viner, Frank Knight e Henry Simons. Foi em Chicago que Friedman conheceu sua futura esposa, a economista Rose Director. Durante o ano letivo de 1933-1934, ele recebeu uma bolsa de estudos da Universidade de Colúmbia, onde ele estudou estatística com o renomado estatístico e economista Harold Hotelling. Ele voltou para Chicago no ano letivo de 1934-1935, trabalhando como pesquisador assistente para Henry Schultz, que na época estava trabalhando na Teoria e Mensuração da Demanda. Naquele ano, Friedman conheceu os seus amigos de toda a vida, George Stigler e W. Allen Wallis.[20]

Serviço público

Friedman inicialmente não conseguiu encontrar um emprego na área acadêmica, portanto em 1935 ele foi com seu amigo W. Allen Wallis para Washington, onde o New Deal de Franklin D. Roosevelt foi "um salva-vidas" para muitos economistas jovens.[21] Nesta ocasião, Friedman afirmou que ele e sua esposa "consideravam os programas de criação de empregos como o WPA, CCC e PWA respostas apropriadas à situação crítica," mas não "as medidas de fixação de preços e de salários da Administração pela Recuperação Nacional e da Administração de Ajustamento Agrícola."[22] Prenunciando suas ideias posteriores, ele acreditava que o controle de preços interferia com um mecanismo essencial de sinalização para ajudar os recursos a serem usados onde eles seriam mais valiosos. De fato, Friedman posteriormente concluiu que toda a intervenção do governo associada com o New Deal foi "a cura errada para a doença errada", defendendo que a oferta monetária simplesmente deveria ser expandida, ao invés de ser contraída.[23]

Na publicação Uma História Monetária dos Estados Unidos, 1867-1960, de Friedman e Anna J. Schwartz, eles defendem que a Grande Depressão foi causada por uma contração monetária, que foi uma consequência da política adotada pelo Federal Reserve e da contínua crise do sistema bancário.[24]

Em 1935, ele começou a trabalhar para o Comitê de Recursos Naturais, que na época estava trabalhando em uma grande pesquisa sobre o orçamento do consumidor. As ideias deste projeto mais tarde tornaram-se parte de sua Teoria da Função de Consumo. Friedman começou o seu emprego no Departamento Nacional de Pesquisa Econômica durante o outono de 1937 auxiliando Simon Kuznets em seu trabalho sobre renda profissional. Este trabalho resultou em sua publicação conjunta de Rendas da Prática Profissional Independente, que introduziu os conceitos de renda permanente e transitória, um componente central da hipótese da renda permanente, que Friedman tratou com grandes detalhes na década de 1950. O livro propõe que a licença profissional restringe artificialmente a oferta de serviços e aumenta os preços.

Durante 1940, Friedman foi nomeado professor assistente de Economia na Universidade de Wisconsin–Madison, mas encarou o antissemitismo no departamento de economia e decidiu retornar ao governo.[25][26] De 1941 a 1943, Friedman trabalhou na política tributária do período da guerra para o Governo Federal, como um conselheiro no Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Como um porta-voz do Tesouro em 1942, ele defendeu a política keynesiana de tributação. Ele ajudou a inventar o sistema de imposto retido na fonte da folha de pagamento, visto que o governo federal necessitava de recursos para vencer a guerra.[27] Ele mais tarde afirmou que "Eu não tenho desculpas para isto, mas eu realmente gostaria que isto não fosse necessário e que existisse alguma forma de abolir o imposto retido na fonte."[9]

Vida adulta

Depois de participar do Programa de Reconstrução do New Deal, especificamente num estudo sobre os padrões de consumo familiar, ingressa em 1946 na Universidade de Chicago, onde permanece até sua morte. Friedman foi colunista da revista semanal Newsweek e membro do Departamento Nacional de Pesquisas Econômicas (EEUU). Muitas de suas ideias foram aplicadas na primeira fase do governo Nixon. No começo dos anos 1970, ele esteve no Chile e muitas de suas ideias econômicas de cunho liberal foram adotadas naquele país. Alguns de seus ex-alunos chilenos, na pós-graduação do curso de Economia da Universidade de Chicago, ocuparam importantes ministérios no governo Pinochet.

Friedman, embora tenha sempre criticado o regime chileno, recebeu críticas por sua suposta (e por ele negada) vinculação com Pinochet, que tinha deposto o presidente eleito Salvador Allende por meio de um golpe militar.[28] Ele foi duramente criticado pelo ex-Ministro das Relações Exteriores do Chile, na época exilado, Orlando Letelier. Em 1976, Letelier escreveu: "É curioso que o autor do livro Capitalismo e Liberdade, escrito para argumentar que o liberalismo econômico pode suportar uma democracia política, possa agora facilmente desvincular economia de política quando as teorias econômicas que ele defende coincidam com a restrição absoluta de qualquer tipo de liberdade democrática".[29]

Embora Friedman jamais tenha endossado a violência política e a supressão de garantias e liberdades individuais, os socialistas do mundo inteiro o associaram aos crimes da ditadura chilena. Em 1976, quando ele recebeu o Nobel em Estocolmo, organizaram-se protestos na Suécia e em diversas partes do mundo. Hoje, o Chile, apesar de governado por uma coligação de esquerda, não abandonou muitas das prescrições liberais de Friedman e o País segue conjugando liberdade com prosperidade, pois vem realizando o julgamento daqueles que perpetraram e participaram da ditadura de Pinochet, tentando corrigir injustiças históricas.

Foi conselheiro dos presidentes dos Estados Unidos: Richard Nixon, Gerald Ford e Ronald Reagan. Recusou sempre qualquer cargo político. Publicou numerosos livros sobre as diversas áreas que abordou, da macroeconomia à microeconomia, teoria monetária, estatística e história económica. No mais famoso desses livros — Capitalismo e Liberdade —, publicado em plena Guerra Fria (1962), Friedman tece as bases do seu pensamento, argumentando que a liberdade econômica é uma condição essencial para a liberdade das sociedades e dos indivíduos. Também produziu com sua esposa, Rose D. Friedman, a série de televisão Free to Choose que foi ao ar em 1980 no canal PBS nos Estados Unidos. A série tornou-se um livro homônimo que foi best-seller por 5 semanas seguidas.

O seu posicionamento fez-lhe muitos adversários no plano das ideias, e foi motivo de muitas controvérsias. Conduziu-o, no entanto, à liderança de uma doutrina de pensamento econômico. Por suas realizações nos campos da análise do consumo, da história monetária e da teoria e demonstração da complexidade da política de estabilização, recebeu o Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel de 1976.

Celebrado como o maior advogado do Liberalismo econômico e da subsequente redução das funções do Estado frente ao domínio do mercado livre. Seu monetarismo foi bem-sucedido em recuperar economias desenvolvidas estagnadas, como a da Grã-Bretanha da era Thatcher. Milton Friedman é um defensor da liberdade econômica individual e da democracia. Corajosamente enfrentou polêmicas questões como a da liberação de drogas, embora não recomendasse o seu uso. Defendeu um governo limitado, que garante estabilidade monetária, liberdades econômicas, estado de direito e direito de propriedade.

Friedman propôs a substituição do sistema de bem-estar EUA existente com um imposto de renda negativo, um sistema de imposto progressivo em que os pobres receberiam um salário básico do governo.[30] De acordo com o New York Times, as opiniões de Friedman a este respeito foram baseadas na crença de que apesar "das forças do mercado ... fazerem coisas maravilhosas", elas "não podem garantir uma distribuição de renda que permita que todos os cidadãos consigam atender às necessidades econômicas básicas".[30]