Mikhail Bakunin

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Mikhail Aleksandrovitch Bakunin
Михаил Александрович Бакунин
Nascimento30 de maio de 1814
Premukhimo, no Russian Emperor Flag.jpg Império Russo
Morte1 de julho de 1876 (62 anos)
Berna, na Suíça
Ocupaçãosociólogo, filósofo, agitador, revolucionário e teórico anarquista.
Influências
Influenciados
Escola/tradiçãoanarquismo
Principais interessessociologia, economia, história, política, ação direta.
Ideias notáveisAteísmo, antiestadismo, anticapitalismo, coletivismo, contraposição à ditadura do proletariado, educação integral, federalismo, propaganda pelo ato, rede invisível, revolução social
Assinatura
Mikhail Bakunin (signature).svg

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (em russo: Михаил Александрович Бакунин; Premukhimo, 30 de maio de 1814Berna, 1 de julho de 1876), também aportuguesado de Bakunine ou Bakúnine, foi um teórico político russo. É considerado uma das figuras mais influentes do anarquismo e um dos principais fundadores da tradição social anarquista. O enorme prestígio de Bakunin como ativista o tornou um dos ideólogos mais famosos da Europa, e sua influência foi substancial entre os radicais da Rússia e da Europa.Bakunin cresceu em Premukhimo, e morou em uma propriedade familiar localizada em Tver Governorate, onde se mudou com a intenção de estudar filosofia. Em Tyer ele passou a ler as enciclopédias francesas, entusiasmando-se particularmente pela filosofia de Fichte. A partir de Fichte, Bakunin conheceu as obras de Hegel, o pensador mais influente entre os intelectuais alemães da época. Em 1840, Bakunin viajou para São Petersburgo e Berlim com a intenção de se preparar para a cátedra de filosofia ou história na Universidade de Moscou. Em 1842, Bakunin mudou-se para Dresden. Posteriormente viajou para Paris, onde conheceu Pierre-Joseph Proudhon e Karl Marx.

O radicalismo crescente de Bakunin - incluindo sua oposição ao imperialismo Russo – pôs fim às esperanças de uma carreira na docência. Ele foi finalmente deportado da França por militar contra a opressão russa exercida na Polônia. Em 1849, Bakunin foi interrogado em Dresden por conta de sua participação na rebelião checa de 1848 e acabou levado à Rússia, onde foi preso na Fortaleza de São Pedro e São Paulo em São Petersburgo. Ele permaneceu preso até 1857, quando acabou exilado em um campo de trabalho na Sibéria. Conseguindo fugir para o Japão, passou pelos Estados Unidos e finalmente chegou em Londres, onde trabalhou com Alexander Herzen no jornal Kolokol (O Sino). Em 1863 ele deixou o Reino Unido com a intenção de se juntar à insurreição na Polônia, mas ele não conseguiu chegar ao seu destino.

Em 1868, Bakunin se juntou à Associação Socialista Internacional dos Trabalhadores, uma federação de sindicatos e trabalhadores que possuía filiais espalhadas por muitos países europeus, bem como pela América Latina, norte da África e Oriente Médio. A influência “Bakuninista" rapidamente se expandiu, especialmente pela Espanha. Bakunin envolveu-se então numa contenda com Karl Marx, que era uma figura-chave no Conselho Geral da Associação. O Congresso de Haia de 1872 foi dominado por uma luta entre os seguidores de Marx, que defendiam o uso do Estado para provocar o socialismo, e a facção anarquista de Bakunin, que argumentava em prol da substituição do Estado por federações locais de trabalho autônomos. Bakunin não pôde participar do congresso, pois não conseguiu chegar à Holanda a tempo. Diante da ausência do líder, a facção anarquista acabou perdendo e Bakunin foi expulso por Marx, sob a alegação de manter uma organização internacional secreta.

No entanto os anarquistas persistiram na ideia de que o congresso não foi representativo. O grupo Bakuninista, muito maior em número, ultrapassou o pequeno rival marxista, que se mantinha isolado em Nova York. Essa vitória contribuiu muito para a disseminação global do anarcosocialismo. Durante esses debates, bem como em seus escritos teóricos, Bakunin articulou e combinou as ideias básicas do sindicalismo e do anarquismo, e desenvolveu uma análise estratégica do anarquismo. Bakunin abandonou então o nacionalismo anti-imperialista que adotara durante a juventude. Entre 1870 e 1876, Bakunin escreveu algumas de suas obras mais longas, como o Estadismo e Anarquia e Deus e o Estado. Mesmo exercendo intensa atividade intelectual, Bakunin permaneceu participando ativamente como militante.

Biografia

Primeiros anos

Alexander Michailouiitsch Bakunin, pai de Mikhahil.

No dia 18 de maio, a meio da primavera do ano de 1814, nascia Mikhail Alexandrovich Bakunin na pequena cidade de Premukhimo (Прямухино), entre Torzhok (Торжок) e Kuvshinovo (Кувшиново), na província de Tver, no noroeste de Moscou.

Nasceu em uma família de linhagem nobre, formada por grandes proprietários de terra. Era um dos sete filhos de Alexander Michailowitsch Bakunin e Varvara A. Bakunin (nascida Varvara Muravyov). Durante a infância de Mikhail, seu pai Alexander, que se identificava com o liberalismo europeu e a Revolução Francesa, apresentou, a sua família, as ideias em torno deste movimento e ofereceu, aos seus filhos, uma educação primária baseada nestes mesmos ideais.

No entanto, depois dos levantes dezembristas, Alexander Bakunin, horrorizado com a violência e temeroso que as ideias liberais lhes causassem problemas, tornou-se um leal czarista a defender os benefícios da aristocracia russa, na época quase toda ela composta por famílias da nobreza daquele país. Nesta mesma época, Alexander decidiu mandar Mikhail para São Petersburgo para que ele se tornasse um oficial de artilharia.[1] Aos 14 anos de idade, Mikhail Bakunin deixou a casa de sua família em Premukhimo para ir para a Universidade de Artilharia em São Petersburgo. Lá, o jovem Bakunin completou seus estudos em 1832, e em 1834 foi promovido a oficial júnior da Guarda Imperial Russa. Seu pai imediatamente exigiu que ele fosse transferido para o exército regular. Após a transferência de cargo, a bateria na qual Bakunin estava alistado foi enviada a Minsk e Gardinas, na Lituânia.

Varvara A. Bakunin, mãe de Mikhail.

Deprimido e insociável, em meio ao inverno rigoroso e preso em uma pequena aldeia congelada, o jovem Bakunin passaria a negligenciar seus deveres, mentindo para passar os dias envolto em pele de carneiro. Diante da incontinência, o oficial em comando lhe deu duas opções, retomar suas funções regulares ou desligar-se do exército. Bakunin escolheria a segunda, retornando para casa no início da primavera.[2]

Diante do seu retorno, a relação com o pai se tornaria cada vez mais conflituosa. No verão seguinte, tomou parte em uma briga familiar assumindo o lado de sua irmã, que se rebelara contra o pai, a defender um casamento no qual sua filha se sentia infeliz. Em 1835, Mikahil Bakunin partiu para Moscovo com o objetivo de estudar filosofia. A escolha se contrapunha frontalmente ao projeto de vida defendido por seu pai: tornar-se um grande oficial de carreira militar.

Interesse por filosofia

Em Moscou, Bakunin tornou-se amigo de um grupo de estudantes universitários engajados no estudo sistemático de filosofia idealista, agrupados em torno da figura do poeta Nikolay Stankevich, "o arrojado pioneiro que expôs ao pensamento russo o vasto e fértil continente da metafísica alemã" (E. H. Carr). A filosofia de Kant inicialmente era central neste círculo de estudos, mas depois o grupo partiu para Schelling, Fichte, e Hegel. No outono de 1836, Bakunin decidiu formar um círculo de estudos filosóficos em sua cidade natal de Premukhino; um espaço passional onde jovens se reuniam não só para o estudo de filosofia. Neste círculo de estudos, Vissarion Belinskii se apaixonaria por uma das irmãs de Bakunin. No início de 1836, retornou a Moscou, onde publicou algumas traduções de Algumas Leituras Acerca da Vocação Escolar e O Caminho da Vida Abençoada, de autoria de Fichte. Este havia se tornado seu livro favorito. Com Stankevich, ele também leria Goethe, Schiller e E.T.A. Hoffmann.

Casa da família de Bakunin em Premukhimo, em 1860.

Ele se tornou amplamente influenciado pelo pensamento de Hegel e foi o autor da primeira tradução de sua obra para o idioma russo. Durante esse período, ele conheceu o eslavófilo Konstantin Aksakov, Piotr Tschaadaev e os socialistas Aleksandr Herzen e Nikolay Ogarev. Nessa época, começou a desenvolver uma perspectiva pan-eslávica. Depois de longas discussões com seu pai, Bakunin foi para Berlim em 1840. Inicialmente, tinha planos para tornar-se um professor universitário (um "sacerdote da verdade", tal qual imaginavam ele e seus amigos), mas logo encontrou-se e tomou parte em um coletivo de estudantes denominados a "Esquerda Hegeliana", e uniu-se ao movimento socialista em Berlim. Em seu ensaio de 1842, A Reação na Alemanha, ele argumentava em favor da ação revolucionária da negação, resumida na frase:

a paixão pela destruição é uma paixão criativa.[3]


Depois de três semestres em Berlim, Bakunin foi para Dresden, onde tornou-se amigo de Arnold Ruge. Ele também havia lido o ensaio de Lorenz von Stein Der Sozialismus und Kommunismus des heutigen Frankreich e, à época, era considerado um socialista fervoroso. A esse tempo, havia abandonado seu interesse em uma carreira acadêmica, devotando mais e mais do seu tempo a promoção da revolução. Preocupado com seu radicalismo, o governo imperial russo ordenou que ele retornasse à Rússia. Diante de sua recusa, todas as suas propriedades em território russo foram confiscadas em dezembro de 1844. Nesta mesma época, Bakunin foi para a cidade suíça de Zurique com Georg Herwegh.

Suíça, Bruxelas, Praga, Dresden e Paris

Mandado de expulsão emitido pela prefeitura de polícia de Paris a Mikhail Bakunin em 1847.

Durante seis meses, Bakunin permaneceu em Zurique, tornando-se muito próximo de Wilhelm Weitling. Até o ano de 1848, seguiu tendo boas relações com os comunistas alemães, ocasionalmente se autoproclamando um comunista e escrevendo artigos sobre comunismo no periódico Schweitzerische Republikaner. Acabou por mudar-se para Genebra, no oeste suíço, após a prisão de Weitling. Seu nome aparecia frequentemente na correspondência de Weitling apreendida pela polícia. Este fato fez com que relatórios a seu respeito circulassem entre a polícia suíça e o Império Russo. Não demorou para que o embaixador russo em Berna ordenasse o retorno de Bakunin à Rússia. Este não obedeceu aos ditames do Estado russo, ao invés disso foi para Bruxelas, onde se encontrou com oradores do nacionalismo e do progressismo polonês, como Joachim Lelewel, membro da Associação Internacional de Trabalhadores junto com Karl Marx e Friedrich Engels.

Lelewel teve grande influência sobre Bakunin. No entanto, não demorou para que este último rompesse com os nacionalistas poloneses frente às suas demandas pela restauração de uma Polônia histórica baseada nas fronteiras de 1776 (antes da divisão da Polônia), somado ao fato de que também sua defesa ao direito de autonomia das populações não polonesas nestes territórios era paulatinamente desconsiderada. Bakunin também não apoiava o clericalismo reinante entre os nacionalistas da Polônia, e também estes não demonstraram qualquer apoio à defesa da emancipação do campesinato propalada por ele.

Em 1844, Bakunin foi a Paris, que então era considerada um dos principais centros do pensamento progressista revolucionário europeu. Nessa cidade, estabeleceu contato com o comunista Karl Marx e o anarquista Pierre-Joseph Proudhon. Este último lhe impressionou prontamente e, com ele, Bakunin estabeleceu fortes laços pessoais. Em Dezembro de 1844, o imperador Nicolau I da Rússia lançou um decreto refutando os privilégios de Bakunin, destituindo-o de seu título de nobre bem como de quaisquer direitos civis, confiscando suas posses na Rússia, e condenando-o ao exílio para o resto de sua vida na Sibéria caso as autoridades russas alguma vez conseguissem pegá-lo.

Bakunin prontamente respondeu o decreto com a longa carta La Réforme, denunciando o imperador como um déspota e fazendo um chamado para a democracia na Rússia e na Polônia.[4] Em março de 1846, em outra carta, intitulada Constitutionel, Bakunin defendeu a Polônia da repressão orquestrada nesse país pelos católicos. Alguns refugiados poloneses da Cracóvia, que se instalaram na França após a derrota do Levante da Cracóvia, convidaram-no para discursar[5] em um de seus encontros em novembro de 1847 em comemoração ao Levante de Novembro de 1830.

Em seu discurso, Bakunin fez um chamado por uma aliança entre as populações russa e polonesa contra o imperador, em prol do "colapso definitivo do despotismo na Rússia". Em consequência deste chamado, foi expulso da França e se dirigiu para Bruxelas. Lá, Bakunin faria um apelo para que Aleksandr Herzen e Vissarion Belinsky se envolvessem em uma ação conspiratória em favor da revolução social na Rússia. No entanto, nenhum dos dois daria ouvidos a ele. Também em Bruxelas, Bakunin restabeleceu contato com poloneses revolucionários e voltou a encontrar com Karl Marx. Em um encontro organizado por Lelewel em fevereiro de 1848, ele discursou sobre o grande futuro reservado aos eslavos, cujo destino era rejuvenescer a Europa Ocidental. Por essa época, na embaixada russa, circulavam rumores de que Bakunin era um agente russo que havia excedido suas ordens.

Litografia de Bakunin em 1849.

Frente ao fim do movimento revolucionário de 1848, Bakunin não continha seu desapontamento frente aos parcos resultados alcançados na Rússia. Ainda assim, junto aos revolucionários do Governo Provisório - Ferdinand Flocon, Louis Blanc, Alexandre Auguste Ledru-Rollin e Albert L'Ouvrier -, havia obtido algum recurso com o objetivo de fomentar a criação de uma Federação Eslava, cuja finalidade seria libertar as populações que permaneciam sob o controle da Prússia, do Império Austro-Húngaro e da Turquia. Partiu para a Alemanha viajando de Baden até Frankfurt e Köln.

Bakunin apoiou a Legião Democrática Alemã liderada por Herwegh e não poupou esforços tentando vinculá-la à insurreição de Friedrich Hecker em Baden. Posteriormente, ele romperia com Marx com relação ao criticismo de Herwegh. Muito mais tarde em 1871 – Bakunin escreveria: "Eu preciso admitir abertamente que nessa controvérsia, Marx e Engels estavam certos. Com sua insolência característica, eles atacaram pessoalmente Herwegh quando ele não estava lá para se defender. No confronto cara a cara, eu calorosamente defendi Herwegh, e nossa desavença mútua aí teve seu início."[6]

Bakunin (sentado à frente da mesa) se reúne com membros do governo provisório na prefeitura da cidade de Dresden, em 1849

Em Berlim, foi impedido pela polícia de chegar a Posen, onde estava acontecendo uma insurreição popular. À época, essa cidade compunha os territórios poloneses tomados pelo Reino da Prússia nas Divisões da Polônia. Frente ao impedimento, foi para Leipzig e Breslau, de lá para Praga, onde participou do Primeiro Congresso Paneslávico. O congresso foi seguido por uma insurreição malfadada que buscou promover e intensificar mas que, por fim, foi violentamente suprimida. Retornando a Breslau, ficou sabendo que Marx havia alegado publicamente que ele era um agente imperial. Face à acusação, Bakunin exigiu que George Sand apresentasse suas evidências. Marx se retrataria depois que a própria George Sand veio a sua defesa.

No outono de 1848, Bakunin publicou seu Apelo aos Eslavos,[7] no qual propunha que os revolucionários eslavos se unissem com os revolucionários húngaros, italianos e alemães para derrubar as três maiores autocracias da Europa, o Império Russo, o Império Austro-Húngaro, e o Reino da Prússia.

Mikhail Bakunin teve um papel de destaque no Levante de Maio em Dresden em 1849, ajudando a organizar a defesa das barricadas contra as tropas prussianas com Richard Wagner e Wilhelm Heine. Wagner escreveria em sua biografia sobre a atuação do grande anarquista em Dresden e Praga, bem como sobre a aura revolucionária que emanava de suas ações:[8]

Por anos havia cruzado com seu nome nos jornais, e sempre sob extraordinárias circunstâncias extraordinárias. Ele voltou a Paris para um encontro polonês, mas ainda que fosse um russo, ele declarou que pouco importava se um homem era russo ou polaco, se ele desejasse ser um homem livre, isso era tudo o que importava. Ouvi mais tarde de Georg Herwegh, que ele havia renunciado a toda sua riqueza enquanto membro de uma influente família russa, e que um dia, quando toda sua fortuna consistia em dois francos, ele a entregou para um mendigo no bulevar, porque isso lhe causava irritação, estar preso por suas posses, suas preocupações estavam no amanhã. Fui informado de sua presença em Dresden um dia por Rockel, mais tarde ele se tornaria um fervoroso republicano. Ele havia levado o russo para sua casa, e me convidou para ir lá e conhecê-lo. Naquela época, Bakunin estava sendo perseguido pelo governo da Áustria por sua participação nos eventos que ocorreram em Praga no verão de 1848, e porque ele era membro do Congresso Eslavo que precedeu aqueles acontecimentos. Em decorrência desta perseguição, ele teve procurar refúgio em nossa cidade, mas de forma que não desejava permanecer muito longe da fronteira com a Boémia. A sensação extraordinária que ele criou em Praga advinha do fato que, quando os tchecos buscaram a proteção da Rússia contra a temerosa polícia germanizada da Áustria, ele conjurou-os eles próprios a defender-se com fogo e espada contra aqueles mesmos russos, e também contra quaisquer outras pessoas que vivessem sob o mando de um despotismo como aquele dos czares.


Bakunin seria capturado pelos saxões em Chemnitz e trancafiado por treze meses antes de ser condenado à morte pelo governo da Saxônia; uma vez que os governos da Rússia e Áustria também estavam atrás dele, sua sentença foi comutada para prisão perpétua. Em junho de 1850, ele foi enviado para as autoridades austríacas. Onze meses depois, recebeu uma sentença de morte compulsória, que também seria comutada para prisão perpétua. Finalmente, em maio de 1851, Bakunin foi enviado para as autoridades russas.

Aprisionamento, "confissão" e exílio

Cela em que Bakunin ficou confinado na Fortaleza de Pedro e Paulo.

Bakunin foi levado à notória prisão da Fortaleza de Pedro e Paulo. No início de sua sentença, o conde Orlov, um emissário do Imperador, visitou Bakunin e disse a ele que o imperador requisitava uma confissão por escrito,[9] esperando que a confissão pudesse encaminhar Bakunin espiritual e fisicamente frente ao poder do estado russo. Uma vez que todos seus atos eram conhecidos, ele não possuía segredos a serem revelados, e decidiu escrever ao Imperador:

Você quer a minha confissão; mas você precisa saber que um criminoso penitente não é obrigado a implicar ou revelar as ações de outrem. Guardo apenas a honra e a consciência de que jamais traí quem quer que tivesse confiado em mim, e é por esse motivo que não lhe entregarei nenhum nome.


Ao ler a carta, o imperador Nicolau I teria dito: "Ele é um bom rapaz, cheio de espírito, mas é um homem perigoso e não devemos jamais deixar de vigiá-lo." A confissão seria publicada muito posteriormente, após ser descoberta em meio aos arquivos imperiais.

Primeira página das confissões de Bakunin ao czar Nicolau I

Depois de três anos em uma pequena cela da Fortaleza de São Pedro e São Paulo, ele passaria outros quatro trancafiado nas masmorras subterrâneas do castelo de Shlisselburg. Lá, ele sofreria com o escorbuto e todos seus dentes cairiam como resultado da aterradora dieta. Mais tarde, Bakunin diria que ele encontrou algum alento ao rememorar mentalmente a lenda de Prometeu. Seu contínuo aprisionamento nessas terríveis condições fizeram com que ele pedisse ao seu irmão que lhe trouxesse veneno para que desse um fim ao seu sofrimento.

Após a morte de Nicolau I, o novo imperador Alexandre II exigiu que o nome de Bakunin ficasse fora da lista de anistia. No entanto, em fevereiro de 1857, sua mãe fez um apelo ao imperador que resultou na deportação do libertário ao exílio permanente na cidade de Tomsk, na Sibéria Ocidental. Após um ano de sua chegada em Tomsk, Bakunin casou com Antonia Kwiatkowska, a filha de um mercador polonês. Anteriormente, ele havia ensinado francês a ela. Em agosto de 1858, Bakunin recebeu a visita do seu primo em segundo grau, o conde Nikolay Muravyov-Amursky, que fora governador-geral da Sibéria Ocidental por dez anos.

Muravyov era um liberal e Bakunin, enquanto seu parente, tornou-se seu primo favorito. Na primavera de 1859, Muravyov ajudou Bakunin com um emprego na Agência de Desenvolvimento de Amur o que permitiu que ele e sua companheira se mudassem para Irkutsk, a capital da Sibéria Oriental. Esta mudança possibilitou que Bakunin fizesse parte do círculo de discussões políticas centrado no quartel-general da colônia de Muravyov.

Com sua companheira Antonia Kwiatkowska, em meados de 1861

A administração regional estava ressentida com o tratamento despendido à colônia pela burocracia de São Petesburgo, que lhe destinava o caráter de colônia penal para criminosos e descontentes. Neste ambiente, emergiu a proposta para a criação de um Estados Unidos da Sibéria, independente da Rússia e confederado junto a um novo Estados Unidos da Sibéria e América, seguindo o exemplo dos Estados Unidos. O círculo incluía o jovem chefe do Estado-Maior, Kukel — o qual, relatava Kropotkin, tinha, em sua posse, a obra completa de Aleksandr Ivanovitch Herzen  – o governador civil Izvolsky, que permitiu que Bakunin utilizasse seu endereço para correspondência, e o eventual vice de Muravyov, seu provável sucessor, o general Alexander Dondukov-Korsakov.

Quando Herzen criticou Muravyov em O Sino, Bakunin escreveu uma resposta vigorosa na defesa de seu patrono.[10] Cansado de seu emprego como viajante comercial, ainda que agradecido pela influência de Muravyov, Bakunin havia conseguido alguns benefícios (recebia 2 000 rublos por ano) sem ter que pagar nenhum imposto. No entanto, Muravyov seria forçado a se aposentar de seu cargo de governador-geral, em parte por sua conduta liberal, em parte pelo temor de que ele pudesse levar a Sibéria a um movimento de independência.

Muravyov seria substituído por Korsakov, que por sua vez também era parente de Bakunin. O irmão de Bakunin, Paulo, havia casado com sua prima. Tomando a palavra de Bakunin, o novo governador-geral deu-lhe uma carta permitindo a ele passagem em todos os barcos que circulassem no rio Amur e seus tributários desde que ele voltasse para Irkutsk antes do retorno do gelo.

Fuga do exílio e retorno à Europa

Em 5 de junho de 1861, Bakunin deixou Irkutsk para supostamente tratar de negócios da companhia, aparentemente empregado por um mercador siberiano para fazer uma viagem até Nikolaevsk. Em 17 de julho, ele estava a bordo do navio de guerra Strelok indo para Kastri. No entanto, no porto de Olga, Bakunin conseguiu convencer um capitão americano da nau SS Vickery a levá-lo a bordo. A bordo, para sua surpresa se deparou com o cônsul russo, mas ainda assim passou despercebido e partiu navegando sob o nariz da Marinha Imperial Russa. Em 6 de agosto, chegou a Hakodate, na ilha de Hokkaido, no extremo norte do arquipélago do Japão, e logo estava em Yokohama.

Foto de Bakunin, amigos e a companheira durante o exílio na Sibéria.

No Japão, Bakunin por acaso se encontrou com Wilhelm Heine, um de seus camaradas de armas de Dresden. Ele também conheceria o botânico alemão Philipp Franz von Siebold, que estava envolvido na abertura do Japão aos Europeus (particularmente aos russos e aos holandeses) e era um amigo do patrono de Bakunin, Muraviev.[11] O filho de Von Siebold escreveria 40 anos mais tarde:

Naquele porto de Yokohama nós encontramos um fora da lei do oeste selvagem de Heine, provavelmente tão bem quanto tantos outros convidados interessantes. A presença do revolucionário russo Michael Bakunin, recém-chegado da Sibéria, foi tão longe quanto alguém pudesse ver em um piscar de olhos das autoridades. Ele estava muito bem amparado com dinheiro, e nenhum dos que vieram a conhecê-lo deixaram de demonstrar por ele seu respeito.


Ele deixou o Japão a partir de Kanagawa no SS Carrington, como um dos dezenove passageiros incluindo Heine, o reverendo P. F. Koe e Joseph Heco. Heco era um nipo-americano, que oito anos mais tarde teria um papel importante ao assessorar politicamente Kido Takayoshi e Itō Hirobumi durante o levante revolucionário que derrubou o shogunato feudal de Tokugawa.[12] Chegaram a San Francisco em 15 de outubro. Antes das ferrovias transcontinentais terem sido completadas, a forma mais rápida de ir para Nova York era através do canal do Panamá. Bakunin subiu a bordo do Orizaba para o Panamá, onde, depois de esperar por duas semanas, subiu na embarcação Champion em direção a Nova York.

Em Boston, Bakunin visitou Karol Forster, uma partisan de Ludwik Mieroslawski durante a revolução de Paris de 1848, que fora apanhada junto com outros quarenta e oito veteranos das revoluções de 1848 na Europa, entre eles Friedrich Kapp.[13] Depois, ele navegou para Liverpool, aportando em 27 de dezembro. Imediatamente, Bakunin foi a Londres para ver Herzen. Naquela noite, ele irrompeu na sala de jantar onde a família comia sopa. "O quê! Você está sentado aí comendo ostras! Bem! Conte-me sobre as novidades. O que está acontecendo, e onde?!"

Na Itália

Gravura em madeira de Bakunin em 1868

Tendo retornado ao oeste europeu, imediatamente Bakunin mergulhou nos movimentos revolucionários. Em 1860, enquanto ainda estava em Irkutsk, Bakunin e seus associados políticos tinham muito se impressionado com Giuseppe Garibaldi e sua expedição à Sicília, na qual declarou-se ditador em nome de Vitor Emanuel II. Após seu retorno a Londres, ele escreveu para Garibaldi em 31 de janeiro de 1862:

Se você pudesse ver como eu vi o entusiasmo apaixonado de toda a cidade de Irkutsk, a capital da Sibéria Ocidental, frente às notícias de sua marcha triunfal através das terras do louco rei de Nápoles, você teria dito como eu disse que já não existem distâncias ou fronteiras.[14]


Bakunin pediu para Garibaldi para que participasse de um movimento abrangendo italianos, húngaros e eslavos do sul contra os estados do Império Austríaco e do Império Otomano. Garibaldi estava então engajado nas preparações para a Expedição contra Roma. Por maio, a correspondência de Bakunin focava a possibilidade de estabelecer proximidade entre os italianos, os eslavos e progressistas da Polônia. Em junho, ele resolveu se mudar para a Itália, mas estava esperando que sua esposa se unisse a ele. Em agosto, ele partiu para a Itália. Giuseppe Mazzini escreveu para Maurizio Quadrio, um de seus apoiadores-chave, dizendo que Bakunin era uma pessoa boa e confiável. No entanto, diante das novas da derrota na Batalha de Aspromonte, Bakunin parou em Paris, onde estabeleceu um contato breve com Ludwik Mierosławski.

Cartão de membro de Bakunin na Liga de Paz e Liberdade.

No entanto, frente ao chauvinismo de Mieroslawski e de sua recusa em garantir concessões aos camponeses, Bakunin dele se afastou, retornando à Inglaterra e focando sua atenção nas questões referentes à Polônia. Quando a insurreição polonesa irrompeu em janeiro de 1863, ele navegou para Copenhaga, onde esperava se reunir com a Legião Polonesa. Eles planejavam navegar através do mar Báltico no SS Ward Jackson para se juntarem à insurreição. A tentativa, no entanto, falhou, e Bakunin encontrou com sua esposa em Estocolmo antes de retornar a Londres. Sua atenção voltou-se novamente à Itália, para onde decidiu retornar. Seu amigo Aurelio Saffi lhe escreveu cartas de introdução para Florença, Turim e Milão. Mazzini escreveu cartas de recomendação para Frederico Campanella em Gênova e Giuseppe Dolfi em Florença. Bakunin deixou Londres em novembro de 1863 viajando via Bruxelas, Paris e Vevey (Suíça), chegando na Itália em 11 de janeiro de 1864. Foi lá que, pela primeira vez, ele se autodeclarou anarquista e expôs suas ideias enquanto tal.

Lá, ele concebeu o plano de formar uma organização secreta de revolucionários para levar à frente o trabalho de propaganda e prepararem-se para a ação direta. Ele recrutou italianos, franceses, escandinavos, e eslavos para uma Irmandade Internacional, também chamada de Aliança dos Socialistas Revolucionários. Até então, o termo "socialismo" se relacionava com diferentes formas de superação da sociedade de classes. Posteriormente, com a popularização do marxismo e com a experiência soviética, o termo "socialismo" ganhou a conotação de um molde político específico de transformação através da ditadura do proletariado.

Em julho de 1866, Bakunin escrevia para Herzen e Ogarev sobre os bons resultados de seus esforços em relação aos últimos dois anos. Sua sociedade secreta possuía, então, membros na Suécia, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Inglaterra, França, Espanha, e Itália, bem como também membros da Rússia e da Polônia. Em seu Catecismo de um Revolucionário de 1866, ele se opunha tanto à religião quanto ao estado, defendendo a

absoluta rejeição a toda autoridade, incluindo aquela que sacrifica a liberdade em nome da conveniência do estado.[15]


Monchal, Charles Perron, Mikhail Bakunin, Giuseppe Fanelli e Valerian Mroczkovsky em 1868, por ocasião do congresso da Basileia da Associação Internacional de Trabalhadores.

Durante o período entre os anos de 1867 e 1868, respondendo ao chamado de Emile Acollas, Bakunin envolveu-se na Liga de Paz e Liberdade (LPF), para a qual ele escreveu o longo ensaio Federalismo, Socialismo, e Antiteísmo[16] Neste escrito, ele defendia o socialismo federalista, baseado no trabalho de Proudhon. Ele apoiava a liberdade de associação e o direito de secessão para cada unidade da federação, mas enfatizava que essa liberdade deveria se dar conjuntamente com o socialismo, já que:

Liberdade sem socialismo é privilégio, injustiça; socialismo sem liberdade é brutalidade e escravidão.


Bakunin desempenhou um importante papel na Conferência de Genebra em setembro de 1867, e juntou-se ao comitê central. Participaram, desta conferência fundacional, em torno de 6 000 pessoas. Bakunin se ergueu para falar:

o grito passava de boca em boca: 'Bakunin!' Garibaldi, que estava sentado, se levantou, avançou uns poucos passos e o abraçou. Este encontro solene de dois velhos e experientes guerreiros da revolução produziu uma impressão estonteante... todos se levantaram e houve um prolongado e entusiasmado bater de palmas.[17]


No Congresso de Berna de 1868, ele e outros libertários (Élisée Reclus, Aristide Rey, Victor Jaclard, Giuseppe Fanelli, Nicholas Joukovsky, Valerian Mroczkovsky e outros) encontravam-se em minoria. Eles romperam com a Liga, estabelecendo outra organização: Aliança Internacional de Democracia Socialista, que adotou o programa socialista revolucionário.

Nechayev e o niilismo

Entre os anos de 1869 e 1870, Bakunin esteve envolvido com o revolucionário russo Sergey Nechayev em um número significativo de projetos clandestinos. Em conjunto, os dois teriam escrito os livretos " Palavras à juventude – princípios da revolução" e " Catecismo de um Revolucionário", obras consideradas, por muitos, um exemplo de frieza maquiavélica.

No entanto, um pouco mais tarde, Bakunin revê esta posição e rompe com Nechayev devido aos seus métodos "jesuítas]", como o próprio Bakunin posteriormente definiria. Desde então, passa a criticar a ideia de Nechayev de que todos os meios são justificáveis para atingir aos fins revolucionários.[18]

A Primeira Internacional

Bakunin fala para os membros da Associação Internacional de Trabalhadores no Congresso da Basileia em 1869.

Em 1868, Bakunin participou da seção de Genebra da Primeira Internacional, na qual ele permaneceu sendo muito ativo até sua expulsão por Karl Marx e seus seguidores no Congresso de Haia em 1872. Bakunin foi um importante articulador no estabelecimento de núcleos da Internacional na Itália e na Espanha.

Em 1869, a Aliança Internacional de Democracia Socialista foi impedida de entrar na Primeira Internacional. O argumento era que esta também era uma organização internacional por si mesma, e apenas organizações nacionais eram permitidas enquanto membros na Internacional. A Aliança foi dissolvida e os vários grupos que a formavam uniram-se à Internacional separadamente.

As discordâncias entre Bakunin e Marx, que resultaram na expulsão da Internacional de 1872 pela votação dominada pelos seguidores de Marx no Congresso de Haia, ilustram a crescente divergência entre as seções "antiautoritárias" da Internacional que advocavam a ação e organização dos trabalhadores de forma a abolir o estado e o capitalismo, e as seções social-democratas aliadas de Marx que defendiam a conquista do poder político pela classe trabalhadora.

Ainda que Bakunin aceitasse a análise de classe de Marx e suas teorias econômicas relacionadas ao capitalismo, reconhecendo sua genialidade, ele considerava Marx um arrogante, bem como que seus métodos poderia comprometer a revolução social. Bakunin criticava de forma efusiva o que chamava de "socialismo autoritário" (que associava sobretudo ao marxismo) e o conceito de ditadura do proletariado, o qual refutava abertamente.

Se você pegar o mais ardente revolucionário, e investi-lo de poder absoluto, dentro de um ano ele seria pior que o próprio czar.[19]


As palavras de Bakunin evidenciando a falha da estratégia marxista soam um tanto proféticas com relação aos acontecimentos do século XX:

Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.


As seções antiautoritárias expulsas da Primeira Internacional por Marx e seus seguidores criaram seu próprio Congresso Internacional em Saint Imier. Agregando grupos libertários de vários países, e importantes pensadores anarquistas - entre estes os irmãos Élisée e Élie Reclus, Piotr Kropotkin, Errico Malatesta -, esta organização internacional seria responsável por um novo fôlego à tradição antiautoritária, mutualista e de caráter descentralizado do anarquismo nas próximas décadas, não sem algum teor de dissenso.[20]

As comunas de Lyon e Paris

Proclamação da comuna de Lyon, corredigida por Bakunin.

Em 1870, Bakunin atuou como articulador de um levante na cidade francesa de Lyon, chamando a população a se rebelar em resposta ao colapso do governo francês durante a Guerra Franco-Prussiana, procurando transformar um conflito imperialista em revolução social. Este levante que efetivamente fracassou mostrou-se um importante precedente da Comuna de Paris, com a qual compartilhou princípios e modelos. Em suas Cartas para um Francês Sobre a Presente Crise, ele defendeu uma aliança revolucionária entre a classe trabalhadora e o campesinato e apresentou sua formulação daquilo que, mais tarde, ficou conhecido como propaganda pelo ato:

precisamos difundir nossos princípios, não com palavras mas com ações, esta é a mais popular, mais potente e mais irresistível forma de propaganda.[21]


Bakunin foi um forte apoiador da Comuna de Paris de 1871, movimento revolucionário que foi brutalmente suprimido pelo governo francês. O movimento das comunas foi compreendido por Bakunin como uma "rebelião contra o Estado e os privilégios de classe". Bakunin elogiou os homens e mulheres que, posteriormente, ficaram conhecidos como Communards por rejeitarem não só o Estado mas também uma "ditadura revolucionária".[22]

Em uma série de panfletos enérgicos em resposta a um artigo do nacionalista italiano Giuseppe Mazzini, Bakunin não só defenderia a Comuna como a Primeira Internacional contra seus ataques. Dessa forma, o pensador russo conseguiria conquistar muitos republicanos italianos tanto para a Internacional quanto com relação à necessidade de transformação social através da revolução.

Últimos anos e morte

O túmulo de Bakunin no cemitério de Bremgarten, na cidade de Berna.

Bakunin retirou-se para a cidade suíça de Lugano em 1873. Passou a morar em uma pequena vila chamada Baronata, em uma casa adquirida por seu amigo e colaborador Carlo Cafiero, na primavera daquele ano. Mesmo doente, com alguns estudantes e intelectuais, nesse mesmo ano funda uma editora na qual grande parte de seus livros são publicados sob o título de Estadismo e Anarquia (Staatlichkeit und Anarchie).

Bakunin ainda participaria no ano seguinte, 1874, de uma tentativa de revolta na cidade italiana de Bolonha. Esta, no entanto, não alcançou êxito, fazendo com que o velho revolucionário retornasse para Lugano. Lá, passou seus últimos anos, época em que a vida de aventuras e estadias na prisão cobraram seu último quinhão. Em seu texto Lembrando Bakunin, Errico Malatesta rememorou os últimos dias do revolucionário por ocasião dos cinquenta anos de sua morte.

Há cinquenta anos, morria Bakunin. Há quase cinquenta anos, eu o vi pela última vez em Lugano, já mortalmente atacado pela enfermidade e reduzido à sua própria sombra (ele me dizia, meio sério, meio irônico: "Meu caro, assisto à minha dissolução"). Entretanto, o simples fato de pensar nele ainda reconforta meu coração e enche-o de entusiasmo juvenil.[23]


Em 1876, com a saúde muito deteriorada, Bakunin é levado por um amigo para um hospital em Berna. Lá, encontrou seu fim, falecendo em 1 de julho de 1876.

A Vila Baronata, onde Bakunin morou em Lugano, em uma casa adquirida por Carlo Cafiero.

Seu corpo foi enterrado no túmulo 68, no bloco 9 201, no cemitério de Bremgarten, na cidade de Berna. Seu túmulo, mantido graças às doações de um suíço anônimo, é visitado por anarquistas vindos de todo o mundo. Segundo o diretor, não é incomum que, em algumas noites, grupos de jovens entrem no cemitério e se reúnam para beber junto ao túmulo de Bakunin. Este túmulo permanece sendo o mais visitado daquele cemitério.[24]