Intervenção militar na Iugoslávia em 1999

Operação Força Aliada
Parte da Guerra do Kosovo
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Disparos de armas de artilharia anti-aérea durante um bombardeio de aviões da OTAN a capital da Iugoslávia, em 1999.
Data24 de março de 199910 de junho de 1999[1]
LocalRepública Federal da Iugoslávia,[2] principalmente na Sérvia[3][4]
DesfechoÊxito estratégico da OTAN[5]
  • Tratado de Kumanovo iniciado;
  • Retirada das tropas iugoslavas do Kosovo;
  • Instalação da KFOR;
  • Grande destruição da economia e da infra-estrutura da Iugoslávia;
Mudanças
territoriais
Nenhuma mudança legal aconteceu, de acordo com a Resolução 1244, porém de facto o Kosovo se separou da Iugoslávia e se tornou uma zona administrada pela ONU;
Combatentes
Flag of NATO.svg OTAN

e outras forças aéreas, marítimas e terrestres da OTAN

Sérvia e Montenegro República Federal da Iugoslávia
  • Rv i pvo vscg.jpg Força Aérea Iugoslava
  • Marinha Iugoslava
Líderes e comandantes
Flag of NATO.svg Wesley Clark
Flag of NATO.svg Rupert Smith
Flag of NATO.svg Javier Solana

Estados Unidos Bill Clinton
Estados Unidos Gen. John W. Hendrix
Estados Unidos James O. Ellis

Sérvia e Montenegro Slobodan Milošević (Presidente da Iugoslávia e Comandante em chefe do Exército)
Sérvia e Montenegro Dragoljub Ojdanić (Chefe de Estado Maior)
Sérvia e Montenegro Svetozar Marjanović (Vice Chefe de Estado Maior)
Sérvia e Montenegro Nebojša Pavković
Forças
Flag of NATO.svg Mais de 1 031 aeronaves
Flag of NATO.svg 30 navios de guerra e submarinos
Estados Unidos Força Tarefa Hawk
Sérvia e Montenegro 114 000 soldados do exército
Sérvia e Montenegro 20 000 policiais
Sérvia e Montenegro 15 000 voluntários
Sérvia e Montenegro 14 caças MiG-29
Sérvia e Montenegro 46 caças MiG-21
Sérvia e Montenegro 34 caças Soko J-22 Orao
Sérvia e Montenegro 1 400 canhões de artilharia
Sérvia e Montenegro 1 270 tanques de guerra
Sérvia e Montenegro 825 veículos de combate blindado
Vítimas
Estados Unidos 2 soldados mortos na queda de um AH-64 Apache (não relacionado ao combate)

Estados Unidos 1 F-117 Nighthawk abatido[6]
Estados Unidos 1 F-117 danificado
Estados Unidos 2 A-10 Thunderbolt IIs danificados
Estados Unidos 1 F-16C abatido
Estados Unidos 1 AV-8B Harrier caiu
Estados Unidos 3 militares capturados
Flag of NATO.svg 21 VANTs abatidos

Sérvia e Montenegro 249 militares mortos – 2 500 civis mortos, 5 173 feridos e 52 desaparecidos
Sérvia e Montenegro 6 MiG-29s abatidos e outros 4 destruidos no chão
Sérvia e Montenegro 1 J-22 Orao destruido
Sérvia e Montenegro 22 veículos blindados e peças de artilharia destruídos no Kosovo, incluindo 14 tanques

A intervenção militar na Iugoslávia em 1999 foi a operação militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra a República Federal da Iugoslávia durante a Guerra do Kosovo. De acordo com a OTAN, a operação buscava deter os abusos de direitos humanos no Kosovo, [7] e foi a primeira vez que a organização usou a força militar sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. [8] Os ataques aéreos duraram de 24 de março de 1999 a 10 de junho de 1999. O codinome oficial da operação da OTAN foi Operação Força Aliada (Operation Allied Force);[9] os Estados Unidos chamaram de Operação Noble Anvil, [10] enquanto na Iugoslávia a operação foi incorretamente chamada de "Anjo Misericordioso" (cirílico sérvio: Милосрдни анђео), como resultado de um erro ou má tradução. [11]

O bombardeio da OTAN assinalou a segunda grande operação de combate em sua história, após a campanha de bombardeio na Bósnia e Herzegovina em 1995 (Operação Força Deliberada). Os bombardeios de 1999 levaram à retirada das forças iugoslavas do Kosovo e o estabelecimento da UNMIK, a missão da ONU no Kosovo.

A operação, com o apoio direto do governo dos Estados Unidos da América sob a administração de Bill Clinton, ficou caracterizada principalmente pelos bombardeios aéreos da OTAN às cidades de Belgrado e Novi Sad, que acarretaram a morte de centenas de civis inocentes, a mais de 300 km da zona de conflito, além da destruição da infraestrutura civil e militar da região. De um ponto de vista militar, de acordo com a OTAN, a operação foi um sucesso, cumprindo seus objetivos e trazendo um fim ao conflito que assolava a região há quase uma década.[12]

Antecedentes

Após a sua autonomia ser anulada, o Kosovo foi confrontado com o estado organizado opressão: desde o início da década de 1990, rádio e televisão de língua albanesa foram restringidos e jornais fechados, enquanto que kosovares albaneses foram demitidos em um grande número de empresas e instituições públicas, incluindo bancos, hospitais, estação de correios e escolas. [13] Em junho de 1991, a assembleia da Universidade de Pristina e vários conselhos do corpo docente foram dissolvidos e substituídos por sérvios, e professores kosovares albaneses foram impedidos de entrar nas instalações da escola para o novo ano escolar com início em setembro de 1991, forçando estudantes a estudar em casa. [13]

Com o tempo, os albaneses do Kosovo começaram uma insurgência contra Belgrado quando o Exército de Libertação do Kosovo foi fundado em 1996. Os confrontos armados entre dois lados irromperam no início de 1998. Um cessar-fogo facilitado pela OTAN foi assinado em 15 de outubro, mas ambos os lados o quebraram dois meses depois e os combates recomeçaram. Quando o assassinato de 45 albaneses kosovares no massacre de Račak foi relatado em janeiro de 1999, a OTAN decidiu que o conflito só poderia ser resolvido através da introdução de uma força militar de manutenção de paz forçadamente para conter os dois lados. Após os Acordos de Rambouillet fracassarem em 23 de março com a rejeição iugoslava de uma força de manutenção de paz externa, a OTAN se preparou para instalar as forças de paz pela força.