Inflação

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Mapa dos países segundo a variação nos Índices de Inflação em 2009

Inflação refere-se a um aumento contínuo e generalizado dos preços em uma economia. Alguns economistas (como os da Escola Austríaca) preferem defini-la como um aumento no suprimento de dinheiro (expansão monetária). No entanto, esse conceito não é amplamente utilizado. É comum que se divida a inflação em três categorias, com base na causa: de demanda, de custos e inercial.

A inflação de demanda diz respeito ao aumento de preços que se observa em casos onde o poder aquisitivo da população sobe em disparidade com a capacidade que a economia tem de prover os bens e serviços demandados. Em outras palavras, quando a demanda supera a oferta.

A inflação de custos ocorre quando os insumos necessários para a produção de bens e serviços ficam mais caros, e os custos de produção são repassados ao consumidor final. Dois dos exemplos mais comuns são a alta no preço da energia elétrica e a dos combustíveis.

A inflação inercial é aquela que resulta do impacto psicológico de tendências inflacionárias em períodos anteriores. Quando uma economia apresenta inflação de demanda, ou de custos, em níveis muito altos, ou por períodos muito prolongados, é comum que os agentes econômicos acostumem-se com o processo inflacionário, e passem a praticar aumentos sistemáticos de preços, na tentativa de resguardarem-se. Ao fazerem isso, no entanto, estão provocando mais inflação. O reconhecimento da inflação inercial é mais recente do que o das inflações de demanda e custos.

A inflação pode causar sérios transtornos à economia de um país, mas não deve ser confundida com a hiperinflação, que consiste em um aumento contínuo e generalizado dos preços em uma proporção muito maior. Ao passo que um pouco de inflação é um sintoma comum de economias saudáveis em crescimento, hiperinflação é um processo completamente descontrolado, associado a severas recessões econômicas e crises de estabilidade.

Ao longo da decadência do Império Romano, a cunhagem indiscriminada de moedas para cobrir as crescentes despesas militares foi causa de um grande processo inflacionário que agravou a situação da economia do império, já fragilizada. O imperador Diocleciano, em face do problema, promulgou, em 301, o Édito Máximo, que determinava valores máximos pelos quais os bens transacionados na economia romana poderiam ser vendidos, alegando que o problema da inflação tinha origem na ganância dos mercadores. Tal providência assemelha-se ao congelamento de preços promovido pelo governo Sarney, em fevereiro de 1986, como parte do Plano Cruzado.

O conceito de inflação pode ser contrastado com os conceitos de deflação, a redução contínua e generalizada dos preços e estagflação, a inflação acompanhada de estagnação econômica, ou baixo crescimento.

Medição

A medição do processo inflacionário é feita através dos índices de inflação. Estes, por meios de técnicas estatísticas, tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços transacionados na economia.

A medição da inflação é feita através de uma cesta hipotética de consumo da população. Esta cesta reúne os bens e serviços de que costumam necessitar as famílias, observando sua quantidade adequada. Geralmente é realizada uma Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) para determinar a cesta de consumo média dessas famílias. Ou seja, é realizada uma média ponderada das cestas de produtos consumidas por estas famílias, para determinar o valor que será gasto na aquisição desse conjunto de itens.

A maioria dos índices de preços ao consumidor utiliza o Índice de Laspeyres para calcular a variação dos preços de um mês para o outro. As quantidades consumidas nos índices de Laspeyres são fixas.

Assim, os índices de preços ao consumidor calculam a variação dos preços de bens e serviços entre dois períodos, ponderados pela participação dos gastos com cada bem no consumo total. Repare que o índice calcula o gasto com o mesmo consumo em dois períodos diferentes, o que faz com que não ocorra substituição no consumo.[1]

O mais importante índice no Brasil é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE, utilizado para determinar as metas de inflação. O IPCA apura a variação de preços nos bens consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, em nove regiões metropolitanas (Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), no Distrito Federal e no município de Goiânia.

Para se medir o andamento dos preços sem o efeito de distúrbios resultantes de choques temporários, exclui-se do IPC o preço do petróleo e dos bens alimentares não transformados – chamando-se esta medida "núcleo de inflação", ou "inflação subjacente".[2]