Guerra de Inverno
English: Winter War

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Guerra de Inverno
Parte da(o) Segunda Guerra Mundial
The War in Finland, 1940 HU55566.jpg
Soldados finlandeses no norte da Finlândia a 12 de Janeiro de 1940.
Data30 de novembro de 1939 a 13 de março de 1940
LocalFinlândia oriental
DesfechoTratado de Paz de Moscou;
Independência da Finlândia mantida
Mudanças
territoriais
Cessão das ilhas do Golfo da Finlândia, Istmo da Carélia, Ladoga da Carélia, Salla e Península de Rybachy e parte de Hanko para os Sovíeticos
Combatentes
 Finlândia
  • Voluntários estrangeiros
Flag of the Soviet Union (1924–1955).svg União Soviética
Líderes e comandantes
Finlândia Kyösti Kallio
Finlândia Risto Ryti
Finlândia Carl Mannerheim
Flag of the Soviet Union (1924–1955).svg Josef Stalin
Flag of the Soviet Union (1924–1955).svg Kirill Meretskov
Flag of the Soviet Union (1924–1955).svg Kliment Vorochilov
Flag of the Soviet Union (1924–1955).svg Semyon Timoshenko
Forças
300 000 – 340 000 soldados
32 tanques
130 aeronaves[1][2]
425 000 – 760 000 soldados
2 514 – 6 541 tanques[3]
3 800 aeronaves[4][5]
Vítimas
25 904 mortos
43 557 feridos
800 – 1 100 capturados[6]
20 – 30 tanques perdidos
62 aeronaves perdidas
126 875 – 167 976 mortos ou desaparecidos
188 671 – 207 538 feridos
5 572 capturados[7]
1 200 – 3 543 tanques perdidos[8]
261 – 515 aeronaves perdidas

A Guerra de Inverno, também conhecida como a Guerra Soviético-Finlandesa ou Guerra Russo-Finlandesa (em finlandês: talvisota , em sueco, em russo: Зимняя война ) começou quando a União Soviética atacou a Finlândia, bombardeando a capital Helsínquia a 30 de novembro de 1939, três meses após o início da Segunda Guerra Mundial. O conflito arrastou-se até 12 de março de 1940, quando um tratado de paz foi assinado, cedendo 10% do território finlandês, e 20% da sua capacidade industrial, à União Soviética.[9][10][11][12]

O motivo dos soviéticos não terem vencido tão facilmente, como previam, deve-se por um lado aos expurgos de 1937 no comando do Exército Vermelho e à falta de espírito de luta dos atacantes, e por outro lado ao êxito da resistência finlandesa, liderada pelo marechal Carl Gustaf Emil Mannerheim.

Como consequência, a União Soviética foi banida da Liga das Nações a 14 de dezembro de 1939. Josef Stalin tinha esperado conquistar todo o país até ao final de 1939, mas a resistência finlandesa frustrou as forças soviéticas, que eram em maior número (3 soviéticos para 1 finlandês).

O resultado da guerra foi misto. Embora as forças soviéticas finalmente tivessem conseguido atravessar a defesa finlandesa, nenhum lado, quer a União Soviética ou a Finlândia, emergiu do conflito vitorioso. As perdas soviéticas na frente de combate foram tremendas, e a posição internacional do país sofreu.

E ainda pior, as habilidades de combate do Exército Vermelho foram postas em questão, um facto que teve um grande impacto para a decisão de Adolf Hitler de lançar a Operação Barbarossa. Finalmente, as forças soviéticas não alcançaram o seu objectivo primário de conquistar a Finlândia, mas ganharam apenas uma extensão de território ao longo do lago Ladoga. Os finlandeses asseguraram a sua soberania e ganharam uma posição internacional considerável.

O tratado de paz de 12 de março de 1940 impediu as preparações franco-britânicas de envio de apoio para a Finlândia através do norte da Escandinávia (a campanha Aliada na Noruega) que impediria também o acesso alemão às minas de ferro no norte da Suécia. A invasão pela Alemanha Nazista da Dinamarca e da Noruega a 9 de abril de 1940 (Operação Weserübung) desviou então a atenção do mundo para a luta pelo controlo da Noruega.

A Guerra de Inverno foi um desastre militar para a União Soviética. Contudo, Stalin aprendeu com este fiasco e compreendeu que o controlo sobre o Exército Vermelho já não era possível. Após a Guerra de Inverno, o Kremlin iniciou o processo de reinstaurar oficiais qualificados e de modernizar as suas forças, uma decisão que viria a permitir que os soviéticos resistissem à invasão alemã.

Precedentes

A Finlândia tinha uma longa história de ser parte do reino sueco quando fora conquistada em 1808, tornando-se num estado estabilizante para proteger a então capital russa São Petersburgo. Após a Revolução de Outubro que trouxe um governo soviético ao poder na Rússia, a Finlândia se auto-declarou independente a 6 de dezembro de 1917.

Fortes relações entre a Finlândia e a Alemanha foram fundadas quando o movimento de independência da Finlândia era apoiado pelo Império Alemão durante a Primeira Guerra Mundial. Na subsequente Guerra Civil Finlandesa tropas Jäger finlandesas treinadas pelos alemães e tropas regulares alemãs tiveram um papel crucial. Apenas a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial dificultou o estabelecimento de uma monarquia dependente da Alemanha, sob o poder de Frederico Carlos de Hesse como Rei da Finlândia. Após a guerra, as relações entre a Alemanha e a Finlândia foram mantidas, embora a simpatia finlandesa com os Nacionais Socialistas não fosse a melhor.

Com as relações entre a União Soviética e a Finlândia tensas e congeladas - tanto os dois períodos de russificação forçada no virar do século, como o legado da rebelião socialista na Finlândia, contribuíram para uma forte desconfiança mútua. Josef Stalin temia que a Alemanha Nazi atacasse mais cedo ou mais tarde, e, que com a fronteira Soviético-Finlandesa apenas a 32 quilómetros de distância de São Petersburgo (na ocasião renomeada pelo governo comunista como Leninegrado, o território finlandês providenciaria uma excelente base para o ataque alemão - algo que Estaline tentava evitar. Em 1932, a União Soviética assinou um pacto de não-agressão com a Finlândia. O acordo foi renovado em 1934 para os 10 anos seguintes.

Em abril de 1938 ou possivelmente mais cedo, a União Soviética encetou negociações diplomáticas com a Finlândia, tentando melhorar as defesas mútuas contra a Alemanha. A principal preocupação da União Soviética era que a Alemanha utilizaria a Finlândia como uma ponte para o ataque a Leninegrado, e começou a fazer exigências ao governo finlandês de grandes áreas. Mais de um ano passou sem progresso significante e a situação política na Europa piorou.

A Alemanha Nazi e a União Soviética assinaram um pacto mútuo de não-agressão, o pacto Molotov-Ribbentrop, a 23 de agosto de 1939. O pacto também incluía uma cláusula secreta incluindo a divisão dos países da Europa de Leste e bálticos entre os dois países. Foi concordado que a Finlândia estaria na "esfera de influência" soviética. O ataque alemão à Polónia a 1 de setembro foi seguido 16 dias depois pela Invasão Soviética da Polónia no leste. Em apenas algumas semanas tinham dividido o país entre si.

No outono de 1939, após o ataque alemão na Polónia, a União Soviética finalmente exigiu que a Finlândia concordasse em mover a fronteira mais 25 km para além de Leninegrado, que nesta altura estava apenas a 32 quilómetros da fronteira. E também exigiu que a Finlândia emprestasse a península de Hanko à União Soviética por 30 anos para a criação de uma base naval lá. Em troca, a União Soviética oferecia uma grande parte da Carélia (com o dobro da área, mas menos desenvolvida).

Mas o governo finlandês recusou-se a seguir as exigências soviéticas. A 26 de novembro, os soviéticos simularam um bombardeamento finlandês contra Mainila, um incidente no qual a artilharia soviética bombardeou áreas perto da vila russa de Mainila, procedendo ao anúncio que um ataque de artilharia finlandesa tinha matado tropas soviéticas. A União Soviética exigiu que os finlandeses pedissem desculpas pelo incidente e movessem as suas forças 20 a 25 quilómetros da fronteira. Os finlandeses negaram qualquer responsabilidade pelo ataque e recusaram-se a seguir as indicações soviéticas. A União Soviética utilizou isto como uma desculpa para quebrar o pacto de não-agressão. A 30 de novembro, as forças soviéticas atacaram com 23 divisões, totalizando 450 000 homens, que rapidamente alcançaram a Linha Mannerheim.

Um regime fantoche foi criado na vila fronteiriça finlandesa ocupada de Terijoki (hoje Zelenogorsk), a 1 de dezembro de 1939, sob a protecção da República Democrática Finlandesa e liderada por Otto Ville Kuusinen, tanto por causas diplomáticas (imediatamente tornou-se o único governo da Finlândia reconhecido pela União Soviética) como militares (esperavam que levasse os socialistas e comunistas existentes no exército finlandês a abandonarem a luta) mas não foi bem-sucedido. Esta república existiu até 12 de março de 1940, quando foi incorporada na República Socialista Soviética Carelo-Finlandesa Russa.