Guerra Russo-Georgiana

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Guerra Russo-Georgiana
Parte da(o) Conflito georgiano-osseta
e Conflito georgiano-abecásio
2008 South Ossetia war en.svg
Localização da Geórgia (incluindo a Abcásia e a Ossétia do Sul) e da parte russa do Cáucaso do Norte
Data7 de Agosto — 12 de Agosto de 2008[1]
LocalOssétia do Sul, Abecásia, Geórgia
DesfechoVitória russa, sul-osseta e abecásia
Mudanças
territoriais
Geórgia perde o controle sobre partes da Abecásia (25%) e Ossétia do Sul (40%) que anteriormente detinha.
Combatentes
Geórgia GeórgiaRússia Rússia
Ossétia do Sul Ossétia do Sul
Abecásia Abecásia
Líderes e comandantes
Geórgia Mikheil Saakashvili (comandante supremo)[6]
Geórgia Lado Gurgenidze (primeiro ministro)
Geórgia Davit Kezerashvili (ministro da Defesa)[6]
Geórgia Alexandre Lomaia (Conselho de Segurança Nacional)
Geórgia Zaza Gogava (Chefe do Estado-Maior Conjunto)
Geórgia David Nairashvili (Comandante da Força Aérea)
Geórgia Mamuka Kurashvili (forças de paz)[7]
Geórgia Vano Merabishvili (Ministro da Administração Interna)
Rússia Dmitry Medvedev (comandante supremo)
Rússia Anatoly Serdyukov (ministro da Defesa)
Rússia Vladimir Boldyrev
(Forças Terrestres)
Rússia Anatoly Khrulyov (58ª Exército) (WIA)[8]

Rússia Vyacheslav Borisov (76o aerotransportada)[9]
Rússia Marat Kulakhmetov (forças de paz)[10][11]
Rússia Sulim Yamadayev (Batalhão de Vostok)
Rússia Vladimir Shamanov (na Abkhazia)
Ossétia do Sul Eduard Kokoity (comandante supremo)
Ossétia do Sul Vasiliy Lunev (Ministério da Defesa)[12]
Ossétia do Sul Anatoly Barankevich (Ministério da Defesa e Emergências)
Abecásia Sergei Bagapsh (comandante supremo)
Abecásia Anatoly Zaitsev (Ministério da Defesa)[13]

Forças
Geórgia Na Ossétia do Sul: 10 000 – 12 000 soldados
Total: 18 000 soldados,
10 000 reservistas[14]

2 000 soldados no Iraque no momento,[15] retornaram brevemente para o fim do conflito
810 forças policiais especiais.[16]

Rússia Na Ossétia do Sul:
10 000 soldados
Na Abecásia:
9 000 soldados
Ossétia do Sul 2 900 soldados regulares
Abecásia 5 000 soldados regulares[17]
Vítimas
Geórgia Geórgia:

Militares[18][19]
169 mortos, 947 feridos, oito desaparecidos, 42 capturados[20]
Policia[19]
11 mortos, três desaparecidos, 227 feridos

Rússia Rússia:

67 mortos, 283 feridos, três desaparecidos, 12 capturados[21]
Ossétia do Sul Ossétia do Sul :
cerca de 150 mortos[22] (incluindo voluntários), número desconhecido de feridos, 41 capturados[20]
Abecásia Abecásia:
1 morto, 2 feridos[23]

Vítimas civis:

Ossétia do Sul: 136 civis e 26 militares de acordo com a Rússia, 365 de acordo com a Ossétia do Sul[24][25][26]
Georgia: 224 civis mortos e 15 desaparecidos, 542 feridos[19][19]


Refugiados:
Pelo menos 158 mil civis deslocados[27] (incluindo 30 mil ossetianos do sul que se mudaram para Ossétia do Norte, na Rússia, e 56 mil georgianos a partir de Gori, Geórgia e 15.000 georgianos da Ossétia do Sul pela ACNUR que se mudaram para a Geórgia incontestada).[28][29] Estimativa do coordenador da Geórgia para os Assuntos Humanitários: pelo menos 230 mil.[30][31][32]
Destruição na Ossétia, 2008.

A Guerra Russo-Georgiana (também conhecida como Guerra na Ossétia do Sul em 2008, Guerra dos Cinco Dias ou Guerra de Agosto) foi um conflito armado ocorrido em agosto de 2008 entre a Geórgia de um lado, e a Rússia e os separatistas da Ossétia do Sul e da Abecásia, do outro.

A Guerra da Ossétia do Sul de 1991-1992 entre georgianos e ossetas havia deixado um pouco mais da metade da Ossétia do Sul sob o controle de facto de um governo apoiado pela Rússia não reconhecido internacionalmente.[33][34] A maior parte dos georgianos da Ossétia do Sul permaneceram sob o controle da Geórgia (distrito de Akhalgori, e a maioria das aldeias vizinhas a Tskhinvali), com uma força de paz conjunta da Geórgia, da Ossétia do Norte e da Rússia presente nos territórios. Uma situação similar existia na Abecásia após a Guerra na Abecásia de 1992-1993.

As tensões escalaram durante os meses de verão de 2008. Bombardeios por separatistas ossetas contra aldeias georgianas começaram logo em 1 de agosto, atraindo uma resposta pontual das forças de paz da Geórgia e de outros combatentes já existentes na região.[35] A Geórgia lançou uma ofensiva militar de grande escala contra a Ossétia do Sul durante a noite de 7 para 8 de agosto, em uma tentativa de recuperar o território;[36] declarando que estava respondendo aos ataques contra suas forças de paz e aldeias da Ossétia do Sul, e que a Rússia estava movendo unidades não pertencentes à manutenção da paz para o país. A Geórgia capturou com sucesso a maior parte de Tskhinvali em poucas horas. A Rússia reagiu, com a implantação de unidades do 58ª Exército Russo e das Tropas Aerotransportadas na Ossétia do Sul um dia depois, e lançou ataques aéreos contra as forças georgianas na Ossétia do Sul e em alvos militares e logísticos na Geórgia. A Rússia reivindicou que estas ações foram uma intervenção humanitária necessária a imposição da paz.[37][37][38][39]

As forças russas e ossetas lutaram contra as forças georgianas na Ossétia do Sul ao longo de quatro dias; os combates mais pesados ocorreram em Tskhinvali. Em 9 de agosto, as forças navais russas supostamente bloquearam uma parte da costa da Geórgia e desembarcaram fuzileiros navais na costa da Abecásia.[40] A marinha georgiana tentou intervir, mas foi derrotada em uma batalha naval. As forças russas e abecases e abriram uma segunda frente, atacando o Vale de Kodori, mantido pela Geórgia.[41] As forças georgianas colocaram apenas uma resistência mínima, e as forças russas invadiram posteriormente bases militares na Geórgia ocidental. Após cinco dias de intensos combates na Ossétia do Sul, as forças georgianas recuaram, permitindo que os russos entrassem no território incontestado da Geórgia e, temporariamente, ocupam as cidades de Poti, Gori, Senaki e Zugdidi.[42]

Através da mediação pela presidência francesa da União Europeia, as partes chegaram a um acordo preliminar de cessar-fogo em 12 de agosto, assinado pela Geórgia em 15 de agosto, em Tbilisi e pela Rússia em 16 de agosto, em Moscou. Várias semanas após a assinatura do acordo de cessar-fogo, a Rússia começou a retirar a maioria de suas tropas do território incontestado da Geórgia. No entanto, as autoridades ocidentais insistem que as tropas não retornaram para a linha onde estavam estacionadas antes do início das hostilidades, conforme descrito no plano de paz.[43][44] As forças russas permanecem estacionadas na Abecásia e na Ossétia do Sul no âmbito de acordos bilaterais com os governos correspondentes.[45]

Antecedentes

Em novembro de 1989, a Ossétia do Sul declara sua autonomia em relação à República Socialista Soviética Georgiana, detonando um conflito de três meses. A Geórgia e a Ossétia do Sul dão início a um novo conflito armado que inicia-se em 1990 e dura até 1992, ano em que Rússia, Geórgia e Ossétia do Sul acertam a criação de uma força de paz.

A tensão seguinte está relacionada com o beneplácito que a OTAN deu à Geórgia e à Ucrânia para entrarem nessa organização, contudo não ficou estabelecida nenhuma data para a sua adesão.

No mês de Abril de 2008, houve uma escalada da tensão com o suposto abate de um avião tripulado sobre a Ossétia do Sul, acontecimento denunciado pela Geórgia, mas negado pela Rússia. Seguidamente houve outros incidentes aéreos, assim como acusações cruzadas de provocações.

Nos últimos anos a zona do cáucaso tem aumentado a sua importância estratégica na rota do transporte energético, rivalizando a Rússia e o ocidente a sua influência na zona (não esquecer que os Estados Unidos têm 120 instrutores militares para treinar o exército georgiano. Os Estados Unidos afirmaram que não estão implicados no conflito, porém a Geórgia é o terceiro país com mais tropas no Iraque).

A Geórgia, por sua vez, diz que pretende manter a soberania daquela região separatista, visto ser um território internacionalmente reconhecido como da Geórgia.[46]