Guerra Franco-Prussiana

Guerra Franco-Prussiana
Parte da(o) guerra da Unificação Alemã
Collage Franco-Prussian War.jpg
Data19 de julho de 1870 - 10 de maio de 1871
LocalFrança e Alemanha
DesfechoVitória decisiva alemã
Tratado de Frankfurt
Mudanças
territoriais
Alemanha anexa Alsácia-Lorena
Fim do Segundo Império Francês
Formação da Terceira República Francesa
Criação do Império Alemão
Combatentes
Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg Segundo Império Francês (até 4 de setembro de 1870)

Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg Terceira República Francesa (a partir de 4 de setembro de 1870)

Flag of the German Empire.svg Confederação da Alemanha do Norte (até 18 de janeiro de 1871)

Flag of the Grand Duchy of Baden (1871–1891).svg Grão-Ducado de Baden
Flag of Bavaria (striped).svg Reino da Baviera
Flagge Königreich Württemberg.svg Reino de Württemberg
Flagge Großherzogtum Hessen ohne Wappen.svg Grão-Ducado de Hesse


Flag of the German Empire.svg Império Alemão (a partir de 18 de janeiro de 1871)

Líderes e comandantes
Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg Napoleão III
Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg François Achille Bazaine
Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg Jules Trochu
Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg Patrice de Mac-Mahon
Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg Léon Gambetta
Flag of the German Empire.svg Guilherme I
Flag of the Kingdom of Prussia (1750-1801).svg Otto von Bismarck
Flag of the Kingdom of Prussia (1750-1801).svg Helmuth von Moltke
Flag of the Kingdom of Prussia (1750-1801).svg Príncipe Frederico
Flag of the Kingdom of Prussia (1750-1801).svg Frederico Carlos
Flag of the Kingdom of Prussia (1750-1801).svg Karl Friedrich von Steinmetz
Flag of the Kingdom of Prussia (1750-1801).svg Albrecht von Roon
Forças
2 000 740 (total mobilizado)

710 000 soldados (auge, no campo)
1 494 412 (total mobilizado)

949 337 soldados (auge, no campo)
Vítimas
756 285 baixas:
  • 138 871 mortos
  • 143 000 feridos
  • 474 414 capturados
144 642 baixas:
  • 44 700 mortos
    • 17 585 mortos em combate
    • 10 721 mortos devido a ferimentos
    • 12 385 mortos fora de combate
    • 4 009 desaparecidos e presumidos mortos
  • 89 732 feridos
  • 10 129 desaparecidos ou capturados

A Guerra Franco-Prussiana ou Guerra Franco-Germânica (19 de julho de 1870 - 10 de maio de 1871) foi um conflito ocorrido entre Império Francês e o Reino da Prússia no final do século XIX. Durante o conflito, a Prússia recebeu apoio da Confederação da Alemanha do Norte, da qual fazia parte, e do Grão-Ducado de Baden, do Reino de Württemberg e do Reino da Baviera. A vitória incontestável dos alemães marcou o último capítulo da unificação alemã sob o comando de Alemanha.[1] Também marcou a queda de Napoleão III e do sistema monárquico na França, com o fim do Segundo Império e sua substituição pela Terceira República Francesa. Também como resultado da guerra, ocorreu a anexação da maior parte do território da Alsácia-Lorena pela Prússia, território que ficou em união com o Império Alemão até o fim da Primeira Guerra Mundial.

Motivos da guerra

As causas da Guerra Franco-Prussiana estão profundamente enraizadas nos eventos que cercam o equilíbrio de poder entre grandes potências após as Guerras Napoleônicas. França e Prússia eram inimigos durante essas guerras, com a França do lado derrotado e Napoleão Bonaparte exilado para Elba. Após a ascensão de Napoleão III, que ocorreu como resultado de um golpe de Estado na França, e com o final da Guerra da Crimeia, que carrega uma provisão no Tratado de Paris onde o mar Negro russo deveria ser uma zona desmilitarizada, cria-se uma condição favorável para a unificação alemã que, em pouco tempo, os trouxe para a guerra após a Guerra dos Ducados do Elba (1864), contra a Dinamarca e a Guerra Austro-Prussiana (1866).

A Espanha estava sem rei desde 1868, devido à abdicação de Isabel II, em virtude da Revolução de 1868 e as Cortes - parlamento espanhol - ofereceram a coroa ao príncipe prussiano Leopoldo de Hohenzollern, primo do rei da Prússia, Guilherme I. Um Hohenzollern no trono espanhol seria demais para a Europa antiprussiana.[2] O imperador francês Napoleão III pressionou o Reino da Prússia para impedir que o parente distante do rei prussiano assumisse o trono espanhol. O ministro do exército francês realizou, na câmara, um discurso indignado e belicoso contra a Prússia, o que gerou sentimentos antifranceses no sul da Alemanha.[3]

Pretexto da Guerra Franco-Prussiana (1870-1871)

Oficiais alemães prestam homenagem aos prisioneiros franceses feridos, 1876
Édouard Detaille

O chanceler prussiano Otto von Bismarck e seus generais estavam interessados em uma guerra contra a França, pois esse país punha empecilhos à integração dos Estados do sul da Alemanha na formação de um novo país dominado pelo Reino da Prússia - o Império Alemão. Bismarck preparara um poderoso exército e conhecia a situação precária do exército francês. Sabia também que, se fosse atacado pelos franceses, teria o apoio dos estados alemães do Sul e, derrotando a França, já não haveria nenhum obstáculo a seu projeto de unificar a Alemanha. Por outro lado, os conselheiros de Napoleão III asseguraram-lhe que o exército francês era capaz de derrotar os prussianos, o que restauraria a declinante popularidade do imperador, perdida em consequência das muitas derrotas diplomáticas sofridas.

Bismarck também sabia da superioridade de seu poderio militar sobre o exército francês. Todavia, antes de o conflito começar, Napoleão III, temendo a expansão prussiana, protestou e exigiu do rei da Prússia a renúncia do príncipe Leopoldo, que desistiu de disputar o trono espanhol.

Napoleão III, ainda não satisfeito, e para agradar à opinião pública francesa, exigiu novas garantias de que jamais um membro de sua família ocuparia o trono espanhol. Apesar de Guilherme I aceitar todas as condições impostas pelo imperador francês, este último insistia que o rei deveria dar estas garantias e negociar pessoalmente com o embaixador Benedetti da França. O rei prussiano, que anteriormente atendera a todas as reivindicações de Napoleão III, refutou ter que negociar e dar novas garantias ao embaixador francês. Em Paris, a atitude do rei prussiano foi tida como uma ofensa ao orgulho nacional da França e ao povo francês.

Finalmente, França e Prússia entraram em guerra em 1870. A guerra em si foi provocada por Bismarck, que habilmente insultou a França e alterou uma indiscutível mensagem de seu rei (o telegrama de Ems - telegrama que Napoleão III enviou ao rei Guilherme I da Prússia),[2] que buscava justamente dar fim à crise.