Greve geral no Brasil em 1917

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Greve Geral de 1917
São Paulo (Greve de 1917).jpg
Manifestação em São Paulo
Lugar São Paulo
 Rio de Janeiro
 Rio Grande do Sul
ClasseOperários de indústrias, camponeses e trabalhadores rurais
ReivindicaçõesDireitos trabalhistas, fim da exploração de menores, diminuição da jornada de trabalho e melhores condições de trabalho.

Greve Geral de 1917 foi uma greve da indústria e do comércio do Brasil, ocorrida em julho de 1917 em São Paulo, durante a Primeira Guerra Mundial, promovida por organizações operárias de inspiração anarquista[1] aliadas à imprensa libertária. Foi a primeira greve geral da história do Brasil, e durou 30 dias.[2]

Histórico social

A greve geral de 1917 no Brasil faz parte de um processo de politização dos trabalhadores brasileiros. Esta politização se deu em parte graças às ideias e princípios organizacionais aportados no país junto com trabalhadores europeus italianos e espanhóis que imigraram para o Brasil buscando melhores condições de vida a partir da segunda metade do século XIX. Enquanto os espanhóis permaneceram no meio urbano, ao aportarem no Brasil, as famílias de imigrantes italianos tiveram destinos diversos. No estado de São Paulo, ainda que em regime assalariado os italianos passaram a substituir a mão de obra escrava nas fazendas de café, enquanto no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina os italianos foram enviados para a região da serra onde receberam lotes de terra não trabalhada para desenvolver atividades produtivas, sem conhecer as especifidades dos solos e do clima da região.

Oreste Ristori, importante militante e jornalista libertário, ativista anti-imigração, assinala o tratamento escravista dado aos imigrantes italianos no interior de São Paulo pelos grandes proprietários de terra, fator que fez com que os trabalhadores se dirigissem a capital, quando possível.

Nas proximidades de Araraquara, existe uma daquelas tantas prisões perpétuas, chamada Fazenda São Luís, da qual é digno proprietário aquela pérola de bandido que responde pelo nome de José de Lacerda Abreu. (...) Nesta prisão perpétua ocorrem frequentemente cenas assustadoras. Os pobres reclusos (é assim que precisamos chamar os colonos porque não podem sair da fazenda, sob pena de serem pegos a pauladas ou assassinados) trabalham anos e anos sem serem pagos. Quando perguntam pelo seu ganho se responde a eles com insultos e com chicotadas (...) Deste lugar de horror nove famílias colonas conseguiram fugir enfrentando perigos de toda a espécie. As outras que permanecem gostariam de seguir o exemplo das primeiras mas, sendo a Fazenda circundada por capangas, não se arriscam.
ROMANI p. 150

Ainda no inicio do século XX, um número considerável de imigrantes italianos abandonou o regime de servidão imperante nas fazendas de café do interior paulista para trabalhar em fábricas na capital. No meio urbano, passaram a atuar contra as precárias condições de trabalho nas fábricas, a utilização massiva de mão de obra infantil e as jornadas laborais de mais de 13 horas. Em diversas cidades os italianos passaram também a fazer contato com grupos de ativistas libertários brasileiros, mas também espanhóis e portugueses emigrados. Juntos estes trabalhadores de diferentes origens fundaram diversos sindicatos e organizações de trabalhadores que compunham o movimento operário, lutando por direitos laborais básicos, como férias, salários dignos, jornada laboral diária de oito horas e proibição do trabalho infantil.[3]

A crescente organização dos trabalhadores passou a ser vista com maus olhos pelas elites urbanas brasileiras que enxergavam ali uma ameaça aos seus interesses. Diante da organização das classes subalternas as elites passaram a assumir um discurso nacionalista homogeneizante afirmando que os trabalhadores estrangeiros estavam se voltando contra o país que os acolheu.[carece de fontes?] As organizações governamentais e grande parte dos meios de mídia foram mobilizadas contra os trabalhadores na defesa dos interesses das classes dominantes: a primeira greve geral realizada ainda em 1906 foi combatida com energia pelo então secretario da segurança pública, Washington Luis.

Naquela conjuntura o anarcossindicalismo era uma das tendências majoritárias no meio operário europeu e se consolidava rapidamente também nos países americanos. No Brasil os anarcos sindicalistas articulavam diferentes iniciativas para fazer frente exploração imbricada no projeto desenvolvimentista das elites agrárias e urbanas, e da classe política a estas vinculada. Além dos sindicatos, também foram fundadas creches, escolas de educação libertária, gráficas e jornais. Um dos objetivos destas iniciativas era propagar entre as classes exploradas de operários urbanos e trabalhadores rurais a greve geral como estratégia de luta, não só por melhores condições de vida, mas também como forma de emancipação da dominação das classes dominantes.[4]

Paralisações antecedentes

Em 1917 houve uma onda de greves iniciada em São Paulo em duas fábricas texteis do Cotonifício Rodolfo Crespi e, obtendo a adesão dos servidores públicos, rapidamente se espalhou por toda a cidade, e depois por quase todo o país. Logo se estendeu ao Rio de Janeiro, e outros estados, principalmente ao Rio Grande do Sul. Foi liderada por trabalhadores e ativistas inspirados nos ideais anarquistas e Socialistas, dentre eles vários imigrantes italianos e espanhóis. Os sindicatos por ramos e ofícios, as ligas e uniões operárias, as federações estaduais, e a Confederação Operária Brasileira (fundada em 1906) inspirada em ideais anarquistas.