Fundação Casa de Rui Barbosa

Fundação Casa de Rui Barbosa
Tipofundação
Inauguração1924 (95 anos)
Website oficial
Geografia
Coordenadas22° 56' 58.196" S 43° 11' 13.034" O
LocalizaçãoRio de Janeiro
PaísBrasil

A Fundação Casa de Rui Barbosa é uma instituição vinculada com o Ministério da Cultura, a sua sede se localiza no bairro do Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro, que era o bairro preferido da aristocracia brasileira da época. A sede é uma das chácaras mais antigas da cidade e também é a antiga casa do jurista, político, advogado e intelectual brasileiro Rui Barbosa de Oliveira. A instituição também é um museu-casa. De acordo com a definição do Conselho Internacional de Museus (ICOM): “Museus-Casas são edifícios históricos que já foram habitados e estão abertos ao público para exibir mobiliário e coleções originais de interesse histórico, cultural e etnográfico, preservando o espírito dos antigos donos e a memória da comunidade”. [1]

Além de abrigar muitos objetos e artigos originais da residências, também é uma das mais importantes instituições de cultura e preservação de artigos e documentos. Ao longo de sua existência a Fundação já teve diversas missões, mas, atualmente, foca no trabalho de preservação e pesquisa. De acordo com o site oficial da Fundação, a principal missão é: “O desenvolvimento da cultura, da pesquisa e do ensino, a divulgação e o culto da obra e vida de Rui Barbosa” [2] e acomoda um acervo do intelectual, tanto de Rui Barbosa como também de outros intelectuais, e atividades de pesquisa nas áreas de museologia, arquitetura, urbanismo, arqueologia e educação, além promover cursos, oficinas e projetos culturais.[3]

Origem e história

A instituição, que antes era a residência de Rui Barbosa, tem seu início pela vontade de perpetuar o legado e acervo do ex-político. Nascido na Bahia em 1849, só veio ao Rio de Janeiro em 1879, ao ser eleito para a Assembleia Legislativa da Corte Imperial, onde se fixou até o fim de sua vida. Rui Barbosa vivia na casa com sua esposa: Maria Augusta Viana Bandeira e os seus cinco filhos até a sua morte. Barbosa era uma figura muito conhecida e de grande destaque nacional, tanto ao longo de sua vida como também postumamente.[4] Após sua morte em março de 1923, deu-se início o processo do governo pela aquisição de sua propriedade tanto física (sua residência, móveis e objetos, etc.) como intelectual (todas as obras e documentos feitos pelo ex-advogado). No ano seguinte, o governo, na época presidido por Arthur da Silva Bernardes, que autorizou e liberou toda a verba pelo decreto nº 4789 de 02 janeiro de 1924, para o feito da futura Fundação. Foi adquirido apenas a casa, os livros, os manuscritos, arquivos e a propriedade intelectual de Rui Barbosa. O restante dos pertences, como móveis e objetos pessoais, não foram adquiridos, obrigando os descendentes de Rui a organizar um leilão para a venda dos objetos restantes.[4] Mas foi somente em 1930, com o presidente Washington Luís que houve a recuperação de alguns itens que ainda estavam sob posse da família Barbosa, e a casa finalmente é aberta para visitação do público.[4]

Diante da representação da figura de Rui Barbosa para o público, cada cômodo da casa recebeu o nome de algum momento marcante da vida pública do político, a sua biblioteca, por exemplo, é denominada como Sala da Constituição, por conta da sua contribuição na primeira Constituição Republicana do Brasil, na qual Barbosa exercia a função de Ministro da Fazenda (1889-1890). Os outros cômodos da recebem os nomes momentos importantes da vida de Rui Barbosa, são eles: Sala de Haia (corresponde ao escritório de Rui Barbosa), Sala de Habeas Corpus (corresponde ao quarto do casal), Sala Maria Augusta (corresponde ao quarto de vestir de Maria Augusta - esposa e viúva de Rui), Sala Pró-Aliados (corresponde a sala de visitas), Sala da Federação (corresponde a sala destinada a bailes e recepções), Sala Buenos Aires (corresponde a sala onde eram se realizados os saraus), Sala Civilista (corresponde a um dos anexos da biblioteca e o lugar preferido de Rui para trabalhar que ele apelidou de “gabinete gótico”), Sala da Constituição (corresponde à biblioteca), Sala do Casamento Civil (corresponde ao quarto de vestir de Rui Barbosa), Sala do Código Civil (corresponde ao aposento particular de Rui), Sala João Barbosa (corresponde a sala íntima onde recebia convidados após o jantar), Sala Bahia (corresponde à sala de jantar quando havia convidados), Sala Questão Religiosa (corresponde a sala para refeições íntimas) e Sala Queda do Império(corresponde ao escritório do seu genro Batista Pereira e, depois, quarto de dormir do seu filho João), Sala Deyfrus (corresponde ao refeitório dos criados, depois transferido para o espaço situado abaixo da cozinha), Sala do Estado de Sítio, Sala da Instrução Pública e Sala da Abolição (corresponde ao cômodos do sobrado que foi posteriormente ocupado por sua filha Maria Adélia e  seu marido Antônio Batista Pereira, após o casamento).[1]

No dia 13 agosto de 1930 foi inaugurada a Casa de Rui Barbosa pelo Presidente Washington Luís. A inauguração contou com a viúva do jurista Maria Augusta Ruy Barbosa ao seu lado e o Senador João Mangabeira, que realizou o discurso oficial de abertura da casa.

"Foi essa crença nas forças eternas, foi essa fé na supremacia das forças morais, que te levou, grande morto, a trabalhar mais do que os outros. Não trabalhaste em vão! Esta casa, testemunha muda de teus trabalhos, de tuas vigílias e de teus sacrifícios, a nação transformou-a num templo, santificando-o para o culto da democracia e da lei. De ora avante, será aqui que virão pedir inspirações, beber ensinamentos, reacender a chama da fé bruxoleante, os amigos do direito, os defensores da liberdade, os devotos da lei, os sacerdotes da justiça! Nesta casa se revirá todos os dias tua Pátria, orgulhosa do monumento que, à tua própria glória, fundaste com as tuas mãos.”[5]

Desde a criação da casa-museu, a principal preocupação dos organizadores foi manter a memória do proprietário e toda a sua família com a realização de um trabalho extenso e cuidadoso de coleta e interpretação de fatos que se quer manter e, principalmente, conservar toda a vida de um possível esquecimento ao longo dos anos, usando como suporte os objetos, bens e acervo de Rui e a sua família.