Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

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Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
Flag of the FARC-EP.svg
Datas das operações27 de maio de 1964 - 27 de junho de 2017[1]
LíderManuel Marulanda Vélez[2]
Raúl Reyes[3]
Iván Ríos[4]
Alfonso Cano[5]
Timoleón Jiménez[6]
MotivosFundação de um estado socialista colombiano
Área de atividade Colômbia
 Peru
 Venezuela (2017)
 Brasil[7]
 Argentina
 Paraguai
América Central
IdeologiaExtrema-esquerda (historicamente)
Marxismo-leninismo
Nacionalismo
Guevarismo
Foquismo
Tamanho7 000 – 10 000 (2013)[8]

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia — Exército do Povo[9] (em castelhano: Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia–Ejército del Pueblo), também conhecidas pelo acrônimo FARC ou FARC-EP, foi uma organização paramilitar de inspiração comunista, autoproclamada guerrilha revolucionária marxista-leninista, que operava mediante táticas de guerrilha. Lutaram pela implantação do socialismo na Colômbia[10] e defendiam o direito dos presos colombianos.[11] Existia uma intensa cooperação entre a ELN e as FARC.[12]

As FARC eram consideradas uma organização terrorista pelo governo da Colômbia, pelo governo dos Estados Unidos,[13] Canadá[14] e pela União Europeia.[15][16] Os governos de Equador,[17] Brasil,[18] Argentina[19] e Chile[19] não lhes aplicaram esta classificação e o governo da Bolívia não chegou a dar nenhuma posição oficial, porém o ministro das relações exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, chegou a dizer que o mais importante era trabalhar para ajudar a garantir a paz na Colômbia e na região.[20] O presidente Hugo Chávez rejeitou publicamente esta classificação em janeiro de 2008, e apelou à Colômbia, como outros governos, a um reconhecimento diplomático das guerrilhas enquanto "força beligerante", argumentando que elas estariam assim obrigadas a renunciarem a sequestro e atos de terror a fim de respeitarem as Convenções de Genebra.[21][22] Cuba e Venezuela adotam o termo "insurgentes" para as FARC.[23]

A origem das FARC remonta as disputas entre liberais e conservadores na Colômbia, retratadas pela obra de Gabriel García Márquez, "Cem Anos de Solidão", marcada por massacres, como o período da La Violencia. Em 1948, os liberais, com apoio dos comunistas, iniciam uma guerra civil contra o governo conservador. Após 16 anos de luta guerrilheira e a conquista de algumas reivindicações políticas, os liberais passaram a temer que a experiência cubana de 1959 se repetisse na Colômbia. Rompem com a esquerda e passam para o lado conservador.

Ao longo da história do grupo guerrilheiro, o Partido Comunista Colombiano teve relações mais próximas ou mais distantes com as FARC. Enquanto originaram-se como um puro movimento de guerrilha, a organização já na década de 1980 foi acusada de se envolver no tráfico ilícito de entorpecentes,[24] o que provocou a separação formal do Partido Comunista e a formação de uma estrutura política chamada Partido Comunista Colombiano Clandestino.[25]

As FARC-EP se definiam como um movimento guerrilheiro paramilitar. Segundo estimativas do governo colombiano, as FARC, no seu auge, chegaram a possuir entre 6 000 e 16 000 membros, perto de 2001[26] (aproximadamente 20% a 30% deles são recrutas com menos de 18 anos de idade[27]). Outras estimativas disponíveis avaliavam em mais de 18 000 guerrilheiros, números que as próprias FARC afirmaram em 2007 numa entrevista com Raul Reyes.[28]

As FARC-EP tinham presença armada em 15-20% do território colombiano, principalmente nas selvas do sudeste e nas planícies localizadas na base da Cordilheira dos Andes.[29] Segundo informações do Departamento de Estado dos Estados Unidos, as FARC controlam a maior parte do refino e distribuição de cocaína dentro da Colômbia, sendo responsável por boa parte do suprimento mundial de cocaína e pelo tráfico dessa droga para os Estados Unidos.[30]

Em junho de 2016, as FARC assinaram um acordo de cessar-fogo junto ao presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, em Havana. Embora o acordo de paz final exigirá um referendo, o acordo tem sido visto como um passo histórico para acabar com a guerra que já dura há cinquenta anos.[31] Em 25 de agosto de 2016, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou que quatro anos de negociação já garantiu um acordo de paz com as FARC e que o referendo nacional será no dia 02 de outubro.[32] O referendo falhou com 50,24% de votos contra.[33] Apesar do resultado, o líder das FARC e o presidente colombiano continuaram a assinar o tratado de paz.[34] Pelos esforços, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, recebeu o Prêmio de Nobel da Paz de 2016.[35]

Segundo a ONU, as FARC e o ELN são responsáveis ​​por 12% das mortes de civis no conflito armado na Colômbia, com 80% cometidos por milícias paramilitares de extrema-direita, e os restantes 8% cometidos por forças de segurança.[36]

No final de 2016, as FARC anunciaram que teriam abandonado a luta armada, nos termos do cessar fogo firmado com o governo colombiano. Em 27 de junho de 2017, seu braço armado oficialmente deixou de existir, seus membros foram dispersados e suas armas de fogo entregues as Nações Unidas. Um mês mais tarde, eles se reformaram em um partido político, a Força Alternativa Revolucionária do Comum, a fim de conseguir poder de forma legal na Colômbia.[37] Atualmente se contabiliza que 40% da sua militância é feminina.[38]

Desde o cessar das armas, sob o acordo de paz, 1/3 dos ex combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia retomaram as armas.[39]

Origem

Guerrilheiros da FARC.

Em 1964, temendo a radicalização da guerrilha camponesa, influenciada pela Revolução Cubana, os liberais, aliados aos Conservadores, enviam tropas ao povoado de Marquetália.

Inicialmente as FARC era composta por famílias e camponeses e recebia crescentemente a influência do Partido Comunista Colombiano

A depender do presidente, o governo colombiano apostou na negociação ou no confronto com as FARC-EP e outros grupos armados, obtendo relativo sucesso. Grupos como o EPL, o ERP, o Movimento Armado Quintín Lame e o M-19 depuseram armas e aceitaram os acordos de paz.

Em 1985, as FARC junto com outros grupos de esquerda integraram a União Patriótica, uma frente eleitoral orientada para a conquista de uma serie de reformas mínimas para a abertura democrática (reforma agrária, reforma urbana, democratização das forças armadas, fim da doutrina de Seguridade Nacional, respeito aos direitos humanos). Uma operação de extermínio por parte de grupos narcotraficantes e paramilitares, assim como organismos de segurança do Estado colombiano contra a UP se desenvolveu. Segundo o PCC a operação assassinou mais de 3000 militantes (entre eles os candidatos presidenciais Jaime Pardo Leal e Bernardo Jaramillo Ossa; o ex-secretario da Juventude Comunista Colombiana José Antequera; e dirigentes como Teófilo Forero e Manuel Cepeda Vargas).

No final de 1990, tropas do exército comandadas por César Garcia ignoraram as negociações de paz e atacaram a Casa Verde, sede do secretariado nacional das FARC-EP como parte da Operação Centauro II. O governo alegou falta de interesse por parte das FARC nas negociações, uma vez que facções do grupo continuavam a manter ações violentas. Em 10 de agosto de 1990, o líder e ideólogo Jacobo Arenas falece.

Em 26 de fevereiro de 1991, um grupo de 40 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que se autodenominava "Comando Simón Bolívar", adentrou em território brasileiro, próximo a fronteira entre Brasil e Colômbia, às margens do Rio Traíra no Estado do Amazonas, e atacou de surpresa o Destacamento Traíra do Exército Brasileiro, que estava em instalações semi-permanentes e possuía efetivo muito inferior a coluna guerrilheira que o atacara. Operações de inteligência afirmam que o ataque foi motivado pela repressão exercida pelo destacamento de fronteira ao garimpo ilegal na região, uma das fontes de financiamento das FARC. Nesse ataque morreram três militares brasileiros e nove ficaram feridos. Várias armas, munições e equipamentos foram roubados.

Em 3 de junho de 1991, reiniciam-se as negociações de paz em território neutro em Caracas e Tlaxcala, no México.[40]

Porém a violência não cessou, com ataques de ambos os lados, até que em 1993, as negociações cessaram por falta de acordo e a coordenação das FARC se dissolveu e os grupos guerrilheiros passaram a agir de forma independente. As FARC se dividiram em 70 frentes espalhadas pelo país, com efetivo entre 7000 e 10000 membros.

Antes do fim das negociações, um grupo de intelectuais colombianos, entre os quais o escritor premiado com o Nobel da Literatura Gabriel Garcia Marquez, escreveu uma carta à coordenação dos grupos guerrilheiros denunciando as consequência das ações das FARC-EP.[41]

De 1996 a 1998, as FARC efetuaram uma série de ações contra o exército colombiano, incluindo uma batalha de três dias em Mitú, departamento de Vaupés, aprisionando um expressivo número de soldados, e iniciam o processo de criação do Partido Comunista Colombiano Clandestino (PCCC).

No final dos anos 2000, o grupo começou a se enfraquecer, devido a prisão de seus membros, morte ou captura de seus líderes e falta de apoio dentre a sociedade. Em junho de 2016, um acordo histórico de cessar-fogo foi firmado com o governo colombiano e em junho de 2017, o grupo entregou suas armas a ONU, formalmente encerrando suas atividades como uma organização paramilitar, anunciando que buscariam poder agora apenas pela "via política-democrática".[42]