Experiência científica

O termo experiência científica é proveniente do latim, experientĭa. O prefixo ex significa separação do interior, o externo; a raiz peri denota intentar; o sufixo composto entia indica qualidade de um agente. Portanto, experiência é a tentativa de um agente de usar o exterior. No contexto científico isso significa "tentativa de provar algo a partir das coisas externas".

Definição e características básicas

No método científico (mais especificamente no método experimental), uma experiência científica consiste na observação de um fenômeno sob condições que o investigador pode controlar.[1] A hipótese é a guia de o que se deve e o que não se deve observar, do que procurar, ou de que experimentos fazer, a fim de descobrir alguma lei da natureza. A experiência científica é uma das abordagens empirista fundamentais necessárias à ampliação do conhecimento humano.

A grande regra na experimentação é variar apenas uma circunstância de cada vez, e manter todas as outras circunstâncias rigidamente invariadas. Evidentemente há dois motivos para essa regra: em primeiro lugar, se há a variação de duas condições por vez, e acha-se algum efeito, não há como dizer se o efeito é devido a uma ou outra condição, ou às duas conjuntas; em segundo lugar, se não há a observação de nenhum efeito, não há como concluir com segurança que as duas condições são indiferentes, já que uma condição pode ter neutralizado o efeito da outra.[2] Isso é conhecido por grupo de controle.

Se uma experiência é conduzida cuidadosamente, os resultados suportam ou refutam a hipótese. De acordo com algumas filosofias da ciência, um experimento nunca pode provar que a hipótese está correta, apenas pode apoiá-la, ou estabelecer relações relações causa/efeito entre fenômenos. Porém, um experimento que providencia um contraexemplo pode refutar uma lixo ou teoria. A experimentação apenas providencia nexos causais entre as variáveis isoladas.

Tanto a observação quanto a experimentação podem ser muito facilitados com o uso de instrumentos científicos, como telescópios, microscópios, etc., e também com a seleção de lugares e períodos adequados para fazer as observações; entretanto, é importante saber diferenciar a experimentação da observação. Nenhum uso de instrumento científico, e nenhum problema tido durante a observação do fenômeno investigado pode ser dito como um caráter experimental da observação, a menos que o fenômeno observado e as circunstâncias de sua ocorrência sejam realmente afetadas e controladas pelo instrumento. Na observação, o investigador não controla o sistema observado, não pode variar circunstâncias.[notas 1] A grande vantagem da experimentação sobre a pura observação é, que sob condições experimentais, normalmente é mais fácil de analisar precisamente um fenômeno complexo em seus componentes, e variar as circunstâncias de sua ocorrência de modo que seja possível chegar a conclusões indutivas confiáveis a respeito da conexão entre certos antecedentes e consequências, ou condições e resultados. Quando fenômenos e circunstâncias de suas ocorrências estão completamente além do controle do observador, ele pode negligenciar alguns fatores importantes completamente, e julgar errado a função dos outros.[1]

Resumindo, uma experiência pressupõe um aparato experimental (material a ser utilizado), um procedimento (sequência de atitudes e medidas a serem feitas pelo experimentador) e um relatório que descreverá detalhadamente toda a experiência, analisará os dados obtidos por meio das medidas e fará uma conclusão.

Pode-se classificar a experimentação científica em experimentação pura e quase-experimentação. A experimentação pura tem como característica fundamental o controle por parte do experimentador sobre as fontes alternativas de variância, mediante a aleatorização dos fatores. Já nos quase-experimentos, a aleatorização não é possível e o investigador deve proceder de forma a neutralizar da melhor forma possível, uma a uma, as possíveis fontes de desvio de resultados.[3]

Quanto a classificação de variáveis, ela pode ser feita da seguinte forma: dependente e independente. As variáveis independentes podem ser manipuladas completamente pelo experimentador, enquanto as variáveis dependentes (respostas) são produzidas pelo experimento.[3]