Estado da arte

O estado da arte é o nível mais alto de desenvolvimento, seja de um aparelho, de uma técnica ou de uma área científica, alcançado em um tempo definido, como "Este novo televisor reflete o estado da arte em tecnologia de projeção", ou "Jimi Hendrix trouxe o estado da arte para a guitarra".

O "estado da arte" indica, portanto, o ponto em que o produto em questão deixa de ser um projeto técnico para se tornar uma obra-prima.

Ao contrário do que se pensa por conta da palavra 'arte' inserida, o termo foi originado por tecnólogos, e seu primeiro uso documentado foi em 1910, em um manual de engenharia , de Henry Harrison Suplee (1856- depois de 1943), intitulado Gas Turbine: progress in the design and construction of turbines operated by gases of combustion. Há uma passagem no livro, onde se lê: "In the present state of the art this is all that can be done " ('No atual estado da arte, isto é tudo o que pode ser feito').

Pode encontrar-se a expressão "estado da arte" na composição de teses acadêmicas, seja como parte da introdução ou no capítulo seguinte, que se destina a documentar o que está a ser feito atualmente no campo em estudo. Este capítulo é fundamental para explicar os acréscimos da tese ao estado de conhecimento atual.

No entanto é também frequente o uso da expressão "estado da arte" em relatórios técnicos, para referir-se ao estágio atual de um trabalho em andamento. Por exemplo: "O estado da arte do projeto é o seguinte: [...]". Este é um uso incorreto da expressão, que poderia ser substituída por "estado atual" ou simplesmente "estado do projeto".

Origem

A origem da expressão está, possivelmente, no Livro I da Metafísica, onde Aristóteles discorre sobre o conhecimento e expõe as noções de έμπειρία (translit. empeiría) e de τέχνη (téchne), isto é, 'experiência' e 'arte', referindo-se à experiência como o conhecimento dos singulares, e à arte, como o conhecimento dos universais. Aristóteles julga haver mais saber e conhecimento na arte do que na experiência, considerando os homens de arte mais sábios que os empíricos. Isto porque os primeiros conhecem a causa, e os outros não, ou seja, enquanto os empíricos sabem o "quê", mas não o "porquê", os homens de arte sabem o "porquê" e a causa. Assim, a verdadeira ciência é, para Aristóteles, a que resulta do conhecimento teorético, especulativo, não prático, cujo objeto é o saber das causas ou da razão de ser.[1]