Estónia
English: Estonia

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Eesti Vabariik
República da Estónia
Bandeira da Estónia
Brasão de armas da Estónia
BandeiraBrasão de armas
Hino nacional: Mu isamaa, mu õnn ja rõõm
"Minha terra natal, minha alegria e deleite"
Gentílico: estoniano, estónio[1] ou estónico[2]

Localização da Estónia

Localização da Estónia (em vermelho)
Na União Europeia (em branco).
CapitalTallinn
59º26'N 24º45'E
Cidade mais populosaTallinn
Língua oficialEstoniano¹
GovernoRepública parlamentarista
 - PresidenteKersti Kaljulaid
 - Primeiro-ministroJüri Ratas
 - Presidente do ParlamentoEiki Nestor
Independênciado Império Russo 
 - Declarada24 de fevereiro de 1918 
 - Reconhecida2 de fevereiro de 1920 
 - Ocupada pela URSS16 de junho de 1940 
 - Redeclarada20 de agosto de 1991 
Entrada na UE1 de maio de 2004
Área 
 - Total45 339 km² (132.º)
 - Água (%)4,46%
População 
 - Estimativa para 2019[3]1 323 824 hab. (151.º)
 - Censo 20011 294 455 hab. 
 - Densidade29 hab./km² (173.º)
PIB (base PPC)Estimativa de 2014
 - TotalUS$ 35,398 bilhões * [4] (52.º)
 - Per capitaUS$ 26 555[4] (20.º)
PIB (nominal)Estimativa de 2014
 - TotalUS$ 26,363 bilhões * [4] (32.º)
 - Per capitaUS$ 19 777[4] (8.º)
IDH (2017)0,871 (30.º) – muito alto[5]
Gini (2005)34,0
MoedaEuro3 (euro)[6] (EUR)
Fuso horário(UTC+2)
 - Verão (DST) (UTC+3)
ClimaContinental oceânico
Org. internacionaisUE, Organização do Tratado do Atlântico Norte, OMC, Conselho da Europa
Cód. ISOEST
Cód. Internet.ee
Cód. telef.+372
Website governamentalwww.valitsus.ee

Mapa da Estónia

1. Nas províncias do sul, o võro e o seto são as línguas oficiais juntamente com o estoniano
2. Também .eu, compartilhado com outros Estados-membros da União Europeia.
3. Antes de 2011, coroa estoniana.

A Estónia (pt) ou Estônia (pt-BR) (em estoniano: Eesti; pronunciado: [ˈeːsti]), oficialmente República da Estónia (em estoniano: Eesti; pronunciado: [ˈeːsti]) é um dos três Países Bálticos, situado na Europa Setentrional, constituído por uma porção continental e um grande arquipélago no mar Báltico. Limita ao norte com o golfo da Finlândia que o separa da Finlândia, a leste limita com a Rússia, ao sul com a Letónia e a oeste com o mar Báltico, que a separa da Suécia. Tem 45 mil quilômetros quadrados de área e em 2000 tinha 1 376 743 habitantes. A Estónia é membro da União Europeia desde 1 de maio de 2004 e da OTAN desde 29 de março de 2004.

Os estonianos são um povo fínico íntima e etnicamente ligado aos finlandeses e aos lapões. O país tem ligações culturais e históricas com os países nórdicos,[7] particularmente com a Finlândia, a Suécia e a Dinamarca.

A língua estónia faz parte do grupo fino-úgrico e é próxima do finlandês e distantemente ligada ao húngaro, outras duas línguas pertencentes ao grupo fino-úgrico. Juntamente com o finlandês, o húngaro e o maltês, o estoniano forma o grupo de línguas oficiais da União Europeia que não é de origem indo-europeia.

O nome atual de Estónia provavelmente provém do historiador romano Tácito, que em seu livro Germânia (ca. 98 d.C.) descreveu o povo que morava na região da atual Estónia como os éstios, um povo bárbaro que era distinto dos outros povos da região. Igualmente, havia nas antigas sagas escandinavas relatos sobre a região da Estónia como Eistland. Em latim arcaico e em outras fontes da Antiguidade, o nome pode ser encontrado como Estia e Hestia descrevendo as terras estonianas. Mas a primeira vez que os próprios estonianos se chamaram assim foi durante o período de fortalecimento da cultura estoniana no meio do século XIX, os "habitantes das terras do leste" ou Eesti.

Durante séculos os estonianos tiveram a sua terra ocupada por outros povos, o que caracteriza um pouco da influência da Rússia, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Alemanha na cultura estoniana. A noção de país veio muito mais tarde, apenas na metade do século XIX, com um forte crescimento cultural somado ao crescimento da população urbana, em decorrência da industrialização e da elevação do nível cultural da população, o que favoreceu a união de povos de mesma origem, resultando em um Estado autônomo, estabelecido com a promulgação da constituição de 1917.

História

Ver artigo principal: História da Estónia

Supõe-se que os primeiros povos que habitaram o atual território da Estónia tenham sido os éstios, nômades de origem fínica que viviam em tribos semi-organizadas, mas sem unidade. No século XIII, a Igreja Católica organizou, por meio do rei Valdemar II da Dinamarca, uma cruzada para cristianizar as tribos pagãs do mar Báltico.[8] A luta que se seguiu por quase 20 anos acabou por delimitar o território estoniano ao norte pela Dinamarca e ao sul por uma divisão entre vários bispados e a Ordem dos Livônios, uma poderosa ordem cristã que conseguiu derrotar todas as tribos locais e dominar a maior parte do território.[9][10]

Em 1248, Reval (atual Tallinn) adotou um governo autônomo baseado na lei de Lübeck e, anos depois, teve a sua entrada aceita na Liga Hanseática, tornando a região importante comercialmente e assinalando a perda do domínio dinamarquês na região. Mesmo após diversos tratados com o Grão-Ducado da Lituânia e com o Império Russo, a Dinamarca não conseguiu conter o aumento do poderio militar dos vassalos, influenciados pela Vestfália e outros pela Livônia, até que, em 1343, os estonianos, até então subjugados pelos vassalos e tidos apenas como servos dos nobres, organizaram a Revolta da Noite de São Jorge,[11] na qual renunciaram ao cristianismo e lutaram contra a servidão. A Ordem Teutônica, que comandava a Livônia, acabou com a revolta dois anos depois e comprou o território à Dinamarca. Assim, iniciava-se o período do domínio teutônico sobre a Estónia.[12]

Domínio sueco

Confederação da Livônia, em 1260. Mostram-se os territórios da Estónia Dinamarquesa ao norte, os Bispados de Dorpat e Ösel-Wiek, e os territórios da Ordem Livoniana.

Dois séculos depois, o território da Estónia tornou a ter importância. O recém-formado Império Russo, na sua sede de imperialismo e favorecido pelo enfraquecimento da Ordem Teutônica, devido ao litígio com a União Lituano-Polonesa no sul, invadiu a Livônia, considerando-a terra de seus ancestrais. Enquanto isso, Dinamarca, Suécia e Polônia, que não aprovavam o avanço russo sobre terras tão próximas de seus domínios, contituiram uma aliança militar para conter o avanço russo na região.[13]

Teve início então, em 1559, a Guerra da Livônia, na qual lutaram dinamarqueses, suecos e poloneses, para obter o território da Livônia e conter o avanço russo, que já havia conquistado o bispado de Dorpat. Quando os suecos dominaram a região norte, os poloneses a região sul e os dinamarqueses as ilhas do Bispado de Ösel-Wiek, teve início outra guerra, a Guerra Nórdica dos Sete Anos (1563-1570).[14] Aí consolidou-se o avanço e o subsequente domínio sueco na região, derrotados os russos em Narva, e conquistadas em 1629 as terras da Livônia, até então controladas pelos poloneses.[15]

Então, em 1645, após a nova derrocada da Dinamarca,[16] os suecos foram o terceiro povo a dominar o território da Estónia, mas o que mais trouxe benefícios aos estonianos, antes tidos como apenas servos dos nobres que dominavam a região. Foi nessa época que surgiram as primeiras escolas nas vilas estonianas, que eram capazes de ensinarem o povo a ler alguns ensinamentos religiosos. Foi aberta também, pelo rei Gustavo II Adolfo, em Tartu, a primeira universidade na Estónia.[17] Anos depois, após a Guerra dos 30 anos, mestres alemães vieram à academia de Tallinn ministrar aulas como nas academias alemãs, aumentando a influência que os alemães sempre tiveram na Estónia.[17]

Império russo

Vitória em Narva
O rei Carlos XII derrota os russos em Narva, durante a Grande Guerra do Norte.
Gustaf Cederström, 1905, Museu Nacional de Belas-Artes da Suécia

Depois de uma guerra com o príncipe de Brandemburgo, a Suécia fez uma reforma[18] nas terras dos nobres na Estónia, gerando um descontentamento e propiciando o retorno de outras nações ao território estoniano. Gerou-se então, em fevereiro de 1700, a Grande Guerra do Norte, mais uma vez com participação de Dinamarca, Polônia, Rússia e Saxônia, contra os suecos. Depois de muitas batalhas e reviravoltas, como a Batalha de Poltava, os russos conseguiram derrotar as tropas pessoais do rei Carlos XII e conquistar Tallinn, dominando finalmente a Estónia e a Livônia, fato requerido desde a época do czar Ivã IV.[19]

Durante o século XVIII, a criação das universidades na Estónia propiciou um forte crescimento cultural da população, com a maior utilização do idioma próprio (o estoniano) e de valorização da cultura estoniana. Foi a primeira vez que os estonianos se viram como um povo e os intelectuais buscavam a criação de uma nação. Aproveitando a inevitável queda do Império Russo, e já descontente com algumas medidas do império, se revoltaram em conjunto com a Revolução Russa de 1905 e foram fortemente reprimidos pelo exército russo. Mas esse foi o primeiro passo real para a independência que seria alcançada após a Revolução Russa de 1917, que daria pela primeira vez uma terra independente aos estonianos, a República da Estónia. As cores da bandeira têm o seguinte significado: o azul representando a fé, a lealdade e devoção, bem como os lagos e o céu; o preto simboliza o passado negro e o sofrimento do povo estoniano; o branco representa as virtudes e a felicidade do povo, mas também a casca da bétula, a neve e a luz do sol.[20]

Estónia independente

Durante os primeiros 22 anos de independência (1918-1940),[21] a Estónia passou por uma conturbada vida política com dissolução de partidos e o primeiro presidente sendo eleito apenas em 1938. Mas no aspecto cultural, foi um período muito forte, com a criação de muitas escolas que lecionavam em estoniano e a garantia da autonomia cultural das minorias,[22] única em todo o Leste Europeu. Mas devido a essa política de neutralidade, a Estónia foi alvo da ocupação durante a Segunda Guerra Mundial. Em decorrência de uma artimanha soviética,[23] a Estónia foi ocupada em 1940 pela URSS. Em 1942, os alemães invadiram a União Soviética e começaram por tomar também a Estónia. Naquele primeiro momento, o povo estoniano ficou contente, devido à antiga aproximação com os alemães e também por sonhar com a volta da Estónia independente, fato que logo foi descartado pelo governo de Adolf Hitler. Quando a invasão alemã na URSS fracassou e os alemães saíram da Estónia, a nova invasão soviética se mostrou inevitável, devido ao desgaste do país na guerra. Assim se estabeleceu a República Socialista Soviética da Estônia.[24]

Durante os 52 anos de ocupação soviética, muitos movimentos de revolta e até de guerrilha se formaram na Estónia, sendo o mais conhecido o Metsavennad,[25] mas todos foram suprimidos pelo governo de Moscou. Apenas em 1989, com a queda da União Soviética, é que começou uma reestruturação dos países soviéticos. A independência se seguiu em 1992, sendo Lennart Meri o primeiro presidente da nova era independente. Após a saída do exército russo em 1994, a Estónia aumentou seus laços comerciais com o resto do leste europeu e obteve um alto crescimento econômico nos anos 2000. Teve seu ingresso aceito na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 29 de março e na União Europeia em 1º de maio de 2004.[26]