Engenharia de minas

Engenharia de Minas: exploração subterrânea de cobre e zinco, em Neves-Corvo, Portugal.


A engenharia de minas é o ramo da engenharia que se ocupa do aproveitamento dos recursos da Terra, especialmente através da exploração de minas, utilizando os conhecimentos de diversos ramos da ciência, particularmente os da geologia, da química e da física.

Entre outras áreas, a engenharia de minas intervém na pesquisa, prospeção e extração dos recursos minerais (incluindo minérios, águas minerais e hidrocarbonetos), na mineralogia e metalurgia, no tratamento e refinação de recursos minerais, na gestão do subsolo, construção de túneis e outros aspetos da engenharia subterrânea no âmbito da construção civil e na engenharia de combustíveis e explosivos.

A engenharia de minas é um dos mais antigos ramos da engenharia.


História

Minas de diamantes em Minas Gerais, Brasil, durante o século XVIII.

Desde os primórdios da civilização, o Homem usou pedra, cerâmica e, mais tarde, metais encontrados junto à superfície da Terra, para fabricar ferramentas e armas. Por exemplo, o sílex de alta qualidade encontrado no Norte de França e no Sul da Inglaterra era utilizado para ignições e para partir rocha. Foram descobertas antigas minas de sílex nas regiões calcárias, nas quais foram explorados veios subterrâneos de minério, através da escavação de poços e galerias subterrâneas. Segundo os registros arqueológicos, a mais antiga mina conhecida é a da Cova do Leão na Suazilândia. Neste local, que foi datado como tendo 43 000 anos através da datação por radiocarbono, os humanos do Paleolítico mineralizaram minério de hematite, o qual continha ferro e era utilizado para produzir o pigmento ocre.

Os antigos Romanos foram grandes inovadores na engenharia de minas, desenvolvendo métodos de mineração em larga escala. Desenvolveram especialmente o uso de grandes volumes de água transportados até às explorações mineiras por aquedutos. A rocha exposta era aquecida pelo fogo e em seguida molhada com água, causando um choque térmico que fazia com que a rocha se rachasse, permitindo a sua remoção. Em algumas minas, os Romanos utilizavam máquinas hidráulicas, como as rodas de água usadas nas minas de cobre de Rio Tinto no Sudoeste de Espanha, para extrair água a cerca de 25 m de profundidade.

A pólvora foi usada, pela primeira vez, na mineração em 1627, nas minas de Banská Štiavnica, na atual Eslováquia. A utilização de explosivos passou a permitir rebentar com a rocha e com a terra, libertando e revelando veios de minério e uma forma muito mais rápida que o antigo sistema de choque térmico com fogo e água. A Revolução Industrial levou a mais avanços tecnológicos na engenharia de minas, incluindo a introdução de explosivos mais aperfeiçoados, de bombas a vapor, elevadores e brocas.

Em 1765, em Freiberga, no Saxe, é fundada a Bergakademie Freiberg (Academia de Minas de Freiberga), a mais antiga escola de engenharia de minas do mundo.