Ciclo de vida

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Ciclo de vida é o conjunto de transformações por que podem passar os indivíduos de uma espécie para assegurar a sua continuidade.

Algumas definições se referem especificamente ao ciclo de vida do indivíduo, inclusivamente considerando o seu final com a morte do organismo;[1] outras se centram no processo de reprodução sexuada, apesar de referirem os ciclos de vida assexuados.[2][3]

Na realidade, conhecem-se variados tipos de ciclos de vida e, em muitos casos, existe alternância, ou mesmo coexistência no mesmo indivíduo, de gerações sexuadas e assexuadas. No caso das angiospermas, por exemplo, é frequente que a mesma planta que produz sementes, produza também estolhos outra forma de reprodução assexuada. Mas é através da reprodução sexuada que as espécies conseguem manter a variabilidade genética necessária à sua sobrevivência, não só através da troca de genes entre diferentes indivíduos, pela cariogamia, mas também pela recombinação que é possível durante a meiose.[4]

Em organismos eucariontes

De acordo com a nomenclatura proposta por Nils Svedelius,[5][6] do ponto de vista da ploidia, ou seja, do número de complementos cromossómicos nas células, podem considerar-se três tipos de ciclos de vida nos organismos que se reproduzem sexuadamente:[7]

  • ciclo de vida haplobionte, em que há apenas um tipo de organismo adulto
  • ciclo de vida haplobionte haplonte, se a forma adulta é haplóide.
  • ciclo de vida haplobionte diplonte, se a forma adulta é diplóide.
  • ciclo de vida diplobionte, em que há dois tipos de forma adulta, uma haplóide e outra diplóide.

Existe alguma confusão na literatura entre as palavras "haplobionte" e "diplobionte", que são muitas vezes associadas respetivamente a indivíduos haploides e diploides. No entanto, a palavra haplobionte tem origem na língua grega e significa "seres simples", ou seja, que apresentam apenas um tipo de indivíduos, sejam haploides (ou haplontes) ou diploides (diplontes). A palavra "diplobionte" indica seres vivos com um ciclo duplo, ou seja, em que aparecem alternadamente indivíduos haploides e diploides. As palavras "haplodiplonte" e "haplodiplobionte" são ambíguas e devem, portanto, ser evitadas.[6] Nos diversos ciclos de vida, a meiose ocorre num determinado momento. Por esse motivo a meiose tem diferentes denominações, dependendo dos ciclos de vida. Assim sendo, no ciclo de vida haplobionte-haplonte a meiose é pós-zigótica ou inicial, no haplobionte-diplonte é pré-gamética ou final e no diplobionte é pré-espórica ou intermediária.

Ciclo de vida haplobionte haplonte (H,h)

Muitos protistas e fungos apresentam todas as células somáticas haploides. Nestas espécies, apenas o zigoto, formado pela fusão de gametas, é diploide; e normalmente sofre imediatamente meiose para formar esporos (células haploides) que darão origem aos novos indivíduos por mitoses.[7]

Ciclo de vida haplobionte diplonte (H,d)

Nos animais e alguns protistas, todas as células somáticas são diploides. Os animais e algumas algas possuem, no entanto, uma linhagem de células germinativas, que vão dar origem aos gametas por meiose.

Ciclo de vida diplobionte (D,h+d)

As plantas vasculares, os briófitos e algumas algas apresentam alternância de gerações entre indivíduos diploides, que produzem esporos haploides por meiose, o esporófito, e indivíduos haploides que produzem gametas por mitose, o gametófito.[7] Nas plantas vasculares, apenas os pteridófitos apresentam indivíduos diploides e haploides separados, respetivamente o indivíduo adulto e o protalo. Nas espermatófitas, o gametófito feminino, representado pelo tecido nutritivo haploide (gimnospermas) ou pelo saco embrionário (angiospermas) e o gametófito masculino, representado pelo tubo polínico (gimnospermas e angiospermas), são "parasitas" do esporófito, enquanto que nos briófitos, o esporófito está representado pelo indivíduo formado pelo pé, pela seta e pela cápsula, onde existem esporângios que formam esporos haploides por meiose. O esporófito se desenvolve a partir do zigoto, nos tecidos do gametófito, que é a forma adulta.[2]