Behaviorismo

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John B. Watson (1878-1958)

Behaviorismo (do inglês Behavior = Comportamento) é o conjunto de abordagens, nascidas nos séculos XIX e XX, que propõe o comportamento como objeto de estudo da psicologia. Alguns consideram John B. Watson (1878-1958) o fundador do Behaviorismo por conta de seu manifesto, de 1913, no qual afirma: "A psicologia, como um behaviorista à vê, é um ramo puramente objetivo da Ciência Natural. Seu objetivo teórico é a previsão e o controle do comportamento. A introspecção não é parte essencial de seu métodos [...] o behaviorista, em seus esforços para conseguir um esquema unitário das respostas animais, não reconhece uma linha divisória entre homem e besta." (1913, p. 1, colchetes adicionados). Watson defendia o abandono da terminologia mentalista da "psicologia da consciência" de seu tempo. A rejeição da introspecção como método essencial e a rejeição da "psicologia da consciência" de seu tempo não significou uma rejeição ao estudo comportamental de pensamentos, sentimentos e emoções, como demonstra, por exemplo, o interesse de Watson sobre o tratamento de medo por meio do condicionamento clássico.

Em 1945, B. F. Skinner (1904-1990) descreveu como comportamentos operantes envolvendo eventos privados - como "emocionar-se", "pensar silencioso" e "falar sobre sentir dor" - estavam originalmente e persistentemente relacionados a comportamentos envolvendo eventos públicos e diretamente manipuláveis, o ​​que se tornaria um aspecto definidor da filosofia da ciência do comportamento por ele proposta, o Behaviorismo Radical[1].  Enquanto Watson investigou principalmente (mas não somente) processos comportamentais relacionados ao condicionamento clássico, Skinner investigou principalmente (mas não somente) processos comportamentais relacionados ao condicionamento operante.

Princípios comportamentais operantes e clássicos são utilizados em uma variedade de contextos aplicados, incluindo, por exemplo, o gerenciamento de comportamento organizacional, a indução da fala em pessoas com atraso no desenvolvimento, o tratamento de transtornos do espectro autista, abuso de substâncias, o tratamento de fobias, a confecção de anúncios publicitários, etc. 

O comportamento é definido por meio de unidades analíticas, como respostas e estímulos, e investigado por meio de diferentes métodos, dentre os quais destacam-se:

  • a observação do comportamento em ambiente experimentalmente controlado,
  • a observação do comportamento em ambiente natural
  • a interpretação de relações comportamentais orientada por evidências empíricas.

Historicamente, a observação e descrição do comportamento público fizeram oposição ao uso do método de introspecção.

Precedentes e fundação

Ivan P. Pavlov (1849-1936)

Como precedentes do comportamentalismo podem ser destacados os fisiólogos russos Vladimir M. Bechterev (1857-1927)[2], Ivan P. Pavlov (1849-1936)[3], o psicológo Edward L. Thorndike (1874-1949), da psicologia animal comparada.

Bechterev, grande estudioso de neurologia e psicofisiologia, foi o primeiro a propor uma Psicologia cuja pesquisa se baseia no comportamento, em sua Psicologia Objetiva[2].

Pavlov, por sua vez, foi o primeiro a propor o modelo de condicionamento do comportamento conhecido como reflexo condicionado, e tornou-se conceituado com suas experiências de condicionamento com cães. Sua obra inspirou a publicação, em 1913, do artigo Psychology as the Behaviorist views it[4], de John B. Watson. Este artigo apresenta uma contraposição à tendência até então mentalista (isto é, internalista, focada nos processos psicologicos internos, como memória ou emoção) da Psicologia do início do século XX, além de ser o primeiro texto a usar o termo "behaviorismo". Também é o primeiro artigo da vertente denominada "behaviorismo clássico".

Thorndike foi o criador da lei do efeito. Em sua primeira formulação, em sua tese de doutorado em 1898 (Inteligência Animal), atos são fortalecidos ou enfraquecidos por conta de seu resultado e, respectivamente, seu prazer e desconforto resultante. Em uma formulação posterior (1911, o livro "A lei do efeito"), Thorndike substitiu "prazer" por um termo não hedonistas: "satisfação". Thorndike também foi um ávido defensor do método experimental ao propôr o abandono do método anedótico no contexto da psicologia animal comparada (Abib, 2016, Behaviorismos, reflexões históricas e conceituais, volume 1, capítulo 5).