Baía de Angra do Heroísmo

Baía de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores: vista panorâmica a partir do Alto da Memória. Em primeiro plano, o centro histórico; ao fundo o Monte Brasil.

Esta angra, mais conhecida por "Baía de Angra do Heroísmo", localiza-se na cidade de Angra do Heroísmo, na costa Sul da ilha Terceira, nos Açores. As suas águas têm uma profundidade média de 40 metros.

Reveste-se de importância histórica uma vez que, a partir do século XV, foi o porto de abrigo das naus da Carreira da Índia - carregadas de ouro, prata, porcelanas, especiarias e outras mercadorias -, que aqui aguardavam a reunião das frotas para seguirem sob escolta da Armada das ilhas até ao Reino.

Aqui ficavam protegidas dos ventos dominantes de Norte e Nordeste, uma vez que os únicos ventos a que a baía é sensível são as tempestades de Sul e Sudoeste. Estas encontram-se na origem de numerosos naufrágios, atestados na documentação e na tradição oral e confirmadas em numerosas evidências arqueológicas que apenas recentemente começaram e ser identificadas mas onde desde já é possível identificar mais de 90 naufrágios históricos.

História

Representação da Ilha Terceira (Jan Huygen van Linschoten, século XVI): em primeiro plano o Monte Brasil e a baía de Angra com maior número de naus ancoradas.
Marina de Angra do Heroísmo.
Angra do Heroismo e sua baía, Terceira.
Baía de Angra do Heroísmo e Igreja da Misericórdia (Angra do Heroísmo), Terceira.
Baía de Angra do Heroísmo, Terceira.
Portas da Prata, Baía de Angra do Heroísmo, Terceira.
Galeão a entrar no Porto de Pipas, festas São Joaninas, 2008.

Dado o volume de riquezas que por aqui transitavam, desde cedo se sentiu a necessidade de defender a cidade de Angra e a sua baía, dos ataques de piratas e corsários, frequentes nesta altura do Oceano Atlântico. Desse modo, ao longo dos séculos, constitui-se um cordão defensivo ao redor da ilha, sendo a baía de Angra defendida pelo cruzamento de fogos entre a Fortaleza do Monte Brasil e o Castelo de São Sebastião.

Foram as viagens de Cristóvão Colombo e, posteriormente de Vasco da Gama (cujo irmão Paulo da Gama se encontra sepultado no Convento de São Francisco de Angra), que consagraram os Açores como escala fundamental das rotas atlânticas. Na primeira viagem do Gama encontra-se definida a importância da ilha Terceira e, em especial, da baía de Angra enquanto escala vital no retorno das rotas do Oriente.

Essa importância é atestada pela criação, por Manuel I de Portugal, da Armada das ilhas, fixada no " Regimento para as naus da Índia nos Açores" e na instituição dos Juízes das Alfândegas (ou "Juízes do Mar"), ambos em 1520.

No reinado de João III de Portugal, cerca de 1527, foi criado o cargo de Provedor das Armadas, com sede em Angra, e que permaneceu nas mãos da família Canto até à extinção do mesmo no início do século XIX. Este provedor, cuja habitação se encontrava estrategicamente próxima à baía de Angra e do Cais da Alfândega, tinha a função de articular um sistema de vigilânca que permitisse detectar a aproximação das naus vindas de Ocidente, de forma a protegê-las da eventual presença de piratas, tomando todas as medidas que fosse necessárias à aguada e ao abastecimento das mesmas.

A montagem de todo este sistema obrigava a uma articulação de esforços entre o provedor e outras autoridades com sede na Terceira e também com as autoridades das ilhas dos grupos central e ocidental.

Especial atenção era sempre tida em relação à comunicação com as "justiças" (autoridades) da ilha do Corvo, que tinham a seu cargo a missão de vigiar as naus e logo que estas fossem avistadas, lhes mandarem aviso para singrarem sem demora para Angra do Heroísmo.

A defesa das naus, era feita então pela presença, nas águas dos Açores, da já mencionada Armada das Ilhas, armada esta, composta por um número variável de navios que saíam todos os anos de Lisboa e rumavam primeiramente às ilhas Berlengas e daí para a ilha Terceira.

Na Terceira, o capitão-mor da Armada tomava conhecimento das notícias referentes a piratas e, em seguida, a Armada dirigia-se para a ilha do Corvo, na proximidade da qual ficava durante cerca de quatro meses. O seu regresso a Lisboa só teria lugar quando chegasse a última nau da carreira da Índia desse ano.

Tudo isto permitiu que a baía de Angra se tornasse uma autêntica base marítima.