Astroquímica

Aglomerado globular Westerlund 2 com cerca de 3000 estrelas que se formaram do gás e da poeira interestelar.
QuímicaA Wikipédia possui o:
Portal de Química

Astroquímica é um campo multidisciplinar da astronomia que estuda a evolução química do universo. Nessa área são estudados a abundância, mecanismo de formação e reações de elementos e moléculas no universo e sua interação com a radiação.

A palavra "astroquímica" pode ser aplicada aos estudos do Sistema Solar e ao meio interestelar. O estudo da abundância de elementos e proporções de isótopos em objetos do Sistema Solar, como meteoritos, também é chamado cosmoquímica, enquanto o estudo de átomos interestelares e moléculas e sua interação com radiação é às vezes chamado de astrofísica molecular. A formação, composição atômica e química, evolução e destino das nuvens de gás molecular é de especial interesse, porque é a partir dessas nuvens que os sistemas solares se formam.

A astroquímica pode ser dividida em três áreas:

  • Astroquímica observacional: identifica moléculas por meio de seus comprimentos de ondas de rádio e infravermelho.[1]
  • Astroquímica teórica: desenvolve modelos explicativos utilizando química ou físico-química acerca das análises da astronomia observacional.[1]
  • Astroquímica experimental: verifica, por meio de experiências laboratoriais, de questões sobre a ocorrência, a constituição e a sobrevida de moléculas em determinados meios.

Histórico

A astroquímica desenvolveu-se ao longo do tempo juntamente com a evolução da astronomia. Pode-se dizer que foi em 1666, quando o astrônomo italiano Giovanni Cassini, identificou uma diferença de cor entre a superfície e as calotas polares de Marte, que a astroquímica nasceu, pela necessidade de se determinar a composição dos planetas.[2]

Ainda assim, durante muitos anos, a composição interestelar era desconhecida. A astronomia óptica apenas revelava a presença de estrelas, galáxias e nebulosas. A astroquímica dependeu do desenvolvimento de outras áreas como a astrofísica, a invenção de novas técnicas análise e espectroscopia.[2] Houve grande avanço com o desenvolvimento da radioastronomia na década de 1950, porque permitiu a identificação de organismos que emitem radiação fora do espectro visível. Pode-se mencionar outros campos em desenvolvimento como astrobiologia e genética, que desde a segunda metade do século XX revolucionou a forma como responder às perguntas mais básicas sobre vida e natureza.[2]

A seguir alguns marcos importantes para a astroquímica:

  • A demonstração de não solidez dos anéis de Saturno por Édouard Roche (1848);
  • A interpretação das linhas escuras no espectro solar por Gustav Kirchhoff (1859);
  • Verificação da natureza de algumas nebulosas gasosas por William Huggins, mostrando que o universo é composto de elementos comuns a Terra (1864);
  • A invenção da espectroheliógrafo (1891);
  • Henry Russell publicou sua teoria da evolução estelar (1913);
  • Melvin Slipher detectar um desvio para o vermelho no espectro das galáxias (1920);
  • Robert Goddard desenvolve seu primeiro foguete à combustível (1926);
  • dióxido de carbono é detectado na atmosfera de Vénus (1932);
  • São gravados por radares o eco da Lua (1946);
  • Detecção de moléculas pré-bióticas, como água, amônia (amoníaco) e metanol (1960-presente).