Antônio Ermírio de Moraes

Antônio Ermírio
Antônio Ermírio de Moraes em 2003
Nome completoAntônio Ermírio de Moraes
Nascimento4 de junho de 1928
São Paulo, SP, Brasil
Morte24 de agosto de 2014 (86 anos)
São Paulo, SP, Brasil
Nacionalidadebrasileiro
FortunaAumento US$ 12,7 bilhões (fonte: Forbes 2014)
ProgenitoresMãe: Helena Pereira de Moraes[1]
Pai: José Ermírio de Moraes
Alma materEscola de Minas do Colorado
OcupaçãoEmpresário (Presidente do Grupo Votorantim)
PrêmiosPrêmio Eminente Engenheiro do Ano, 1979

Antônio Ermírio de Moraes (São Paulo, 4 de junho de 1928 — São Paulo, 24 de agosto de 2014) foi um empresário, engenheiro e industrial brasileiro. Foi presidente e membro do conselho de administração do Grupo Votorantim.[2]

Biografia

Seu pai, o engenheiro pernambucano José Ermírio de Moraes, criou o Grupo Votorantim, comprando as ações de uma empresa de tecelagem localizada na cidade homônima, no estado de São Paulo, que pertencia ao seu sogro, avô de Antônio Ermírio, o imigrante português António Pereira Inácio, e diversificando o negócio.[3] Sua mãe, Helena Rodrigues Pereira, natural de Boituva, teve quatro filhos com José Ermírio, dos quais Antônio Ermírio foi o segundo.[1]

Antonio Ermírio nasceu sem um rim e isso o ajudou a lutar toda a vida.[4] Após se formar no Colégio Rio Branco[5], tradicional escola da cidade de São Paulo, formou-se em engenharia metalúrgica em 1949 pela Colorado School of Mines, mesma universidade que o seu pai, José Ermírio, estudou. Casou em 1953 com Maria Regina, com quem passou a lua-de-mel na Europa.

Na década de 1950, sua família foi taxada de louca por querer concorrer com os grandes produtores de alumínio, como Alcan, Alcoa e Vale, fundou a Companhia Brasileira de Alumínio.[6] A empresa iniciou suas operações em 1955 produzindo apenas 4 mil toneladas e completou seu cinqüentenário com 400 mil toneladas.[6]

Em 1956, teve de contrair empréstimos que equivaliam a 16 meses de faturamento, na mesma época sofreu um acidente ao visitar a unidade e, queimado por soda cáustica, ficou um mês de cama - esta experiência ajudou a sedimentar em sua obsessão por conduzir o Grupo Votorantim da forma mais conservadora possível, evitando contrair dívidas.[7]

Após assumir o grupo, Antônio Ermírio transformou-o em uma multinacional, com a aquisição de uma fábrica de cimento[carece de fontes?]Cimenteira St. Mary´s no Canadá. Expandiu o Grupo Votorantim, com mais de 60 mil funcionários,[8] atua nas áreas de cimento, celulose, papel, alumínio, zinco, níquel, aços longos, filmes de polipropileno biorientado, especialidades químicas e suco de laranja.[4]

Apesar de o grupo Votorantim possuir um Banco, Ermírio foi um crítico do sistema financeiro e da especulação financeira:

[9]

Quando o Banco foi criado não se conformava com o fato dele, ocupando somente um andar e empregando poucos funcionários, ser mais lucrativo do que sua Companhia Brasileira de Alumínio.[10] Em relação ao banco Ermírio costumava brincar que a instituição só foi criada "para não pagar os juros cobrados pelo mercado e estabelecidos pelo Banco Central".

Ao mesmo tempo que lida com matérias-primas, Ermírio deu o aval para a criação da Votorantim Ventures, a caçula das empresas do grupo criada há quase quatro anos. A Ventures é um fundo de investimento com trezentos milhões de dólares para investir em áreas tão diversas como biotecnologia, bioinformática, distribuição de MRO, serviços de datacenter e de call center, comércio eletrônico e biodiversidade.

Assim como o pai, aventurou-se na política[11], lançando-se à candidatura a governador nas Eleições estaduais em São Paulo em 1986 pela União Liberal Trabalhista Social ( PTB, PL e PSC ), ficando em segundo lugar, perdendo para Orestes Quércia, do PMDB, em uma época em que não havia segundo turno). Durante esta experiência ficou chocado com as manobras políticas e fisiológicas, todos que o abordavam pediam cargos para poder ficar sem trabalhar.[10]

Foi a frustração com a política que o levou a escrever peças teatrais, dizia que "a política é o maior de todos os teatros".[10] É autor de três peças de teatro, duas já lançadas no circuito paulistano [12]: Brasil S.A., Acorda Brasil e S.O.S Brasil. Todas as peças acabaram virando livro, a peça "Acorda Brasil" foi vista por 26 mil pessoas.[4] Também escreveu para a Folha de S. Paulo uma coluna dominical durante 17 anos.[10] O empresário sempre dedicou parte de seu tempo à Sociedade Beneficência Portuguesa de São Paulo[13], uma hora e meia todo dia.[4] Também se dedicou à Associação Cruz Verde de São Paulo, à Fundação Antônio Prudente, entre outras organizações não governamentais.[3]

Em 2001 deixou a presidência do conselho de administração do Grupo Votorantim e entregou o comando do conglomerado aos filhos e sobrinhos.[7] Trabalhador incansável, uma combinação de doenças afetaram sua mente e seus movimentos, imobilizando-o numa cama, levando-o a sofrer de hidrocefalia e mal de Alzheimer.[10]