Amido florideano

Ilustração mostrando a ramificação da glucose polimerizada.

Amido florideano (ou amido das florídeas) é um tipo de glucano que serve de material de reserva da fotossíntese que é depositado livre no citoplasma das células das algas vermelhas e das glaucófitas. A designação «amido florideano» deriva de Florideae (presentemente geralmente designada por Florideophyceae), a classe de algas vermelhas a partir de cujas células o composto foi inicialmente identificado[1] em meados do século XIX.[2]

Descrição

O amido florideano, frequentemente referido também como «amido das florídeas», é um tipo de glucano de armazenamento (um polissacarídeo de monómeros de D-glicose,[3] unidos por ligações glicosídicas) encontrado nas glaucófitas e nas algas vermelhas (as rodófitas) onde geralmente constitui a forma primária de armazenamento do carbono fixado pela fotossíntese.

O composto, que ocorre em grãos ou grânulos no citoplasma das células, é um polímero composto por monómeros de glicose ligados por ligações α com um grau de ramificação intermédio entre a amilopectina e o glicogénio, embora mais similar à amilopectina. Devido às semelhanças estruturais com a amilopectina, o amido florideano é por vezes designado por "semi-amolopectina".[4]

O amido florideano é um polímero constituído por moléculas de glicose interligadas primariamente por ligações do tipo α(1,4), com pontos de ramificação ocasionais formados por ligações do tipo α(1,6). Difere de outros polímeros comuns de glicose do tipo alfa-glucano pela frequência e posição dos ramos, o que dá origem a propriedades físicas distintas. O amido florideano é frequentemente descrito em contraste com o amido comum (uma mistura de amilopectina e amilose) e o glicogénio:[4]

Amido florideano Amido Glicogénio
Organismos Algas vermelhas, glaucófitas Algas verdes, plantas Algumas bactérias, alguns Archaea, fungos, animais
Composição Semi-amolopectina; em geral sem amilose, embora existam alguns exemplos em que a amilose está presente. Amilopectina e amilose. Glicogénio
Localização do armazenamento Grânulos no citosol No interior de plastídeos Disperso no citosol
Blocos estruturais UDP-glicose ADP-glicose Eucariotas: UDP-glicose

Bactérias: ADP-glicose

Ramificação Nível de ramificação intermédio. Amilopectina: as ramificações são relativamente raras e ocorrem em grupos.

Amilose: quase inteiramente linear.

Ramificações relativamente frequentes e uniformemente distribuídas.
Genes necessários para manutenção < 12 30–40 6–12

Historicamente, o amido florideano tem sido descrito como desprovido de amilose. No entanto, a amilose foi identificada como um dos componentes dos grânulos de amido floridiano em alguns casos, particularmente em algas vermelhas unicelulares.[5][6]