Agroecologia
English: Agroecology

A agroecologia refere-se ao estudo da agricultura desde uma perspectiva ecológica. Tem como unidades básicas de análise os ecossistemas agrícolas, abordando os processos agrícolas de maneira ampla, não só visando maximizar a produção mas também otimizar o agroecossistema total - incluindo seus componentes socioculturais, econômicos, técnicos e ecológicos.[1]

Atualmente, o termo agroecologia pode ser entendido como uma disciplina científica, como uma prática agrícola ou como um movimento social e político.[2] Nesse sentido, a agroecologia não existe isoladamente, mas é uma ciência integradora que agrega conhecimentos de outras ciências, além de agregar também saberes populares e tradicionais provenientes das experiências de agricultores familiares de comunidades indígenas e camponesas.[3]

Portanto, a base de conhecimento da agroecologia se constitui mediante a sistematização e consolidação de saberes e práticas, convertendo os conhecimentos empíricos tradicionais em conhecimentos com bases e metodologias científicas, visando a sociodiversidade e a agricultura ambientalmente sustentável, economicamente eficiente e socialmente justa.

Agroecologia aliada ao desenvolvimento de forma sustentável

Uma nova visão de agricultura é criada ao reavivar/resgatar conhecimentos esquecidos e/ou suprimidos, que é proporcionalmente fundamentais para serem usados nas técnicas de cultivos de plantas.

O modelo de crescimento econômico proposto nas décadas de 60 e 70 com o aporte de tecnologia pós gerra, gerou desequilíbrios significativos nos ambientes (naturais, sociais e do trabalho). Na mesma proporção em que há riquezas e poderes centralizados, a miséria, a fome e a poluição se alastram de forma alarmante. Tendo isso em vista, surge a premissa de uma nova forma de organização econômica que vise o desenvolvimento monetário sem danos relevantes à sociedade e seus integrantes, e ao meio ambiente.

A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente define “ desenvolvimento sustentável “ como o progresso capaz de suprir as necessidades de uma atual geração sem que para isso seja comprometido o futuro de uma eventual geração posterior. É basicamente um desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto.

Sendo sabedor de todas essas informações, torna-se questionável a possibilidade de os modelos convencionais de desenvolvimento e agricultura terem chegado no limite. O que se sabe de fato é que os monocultivos, baseados nas práticas e tecnologias da famosa Revolução Verde, têm sido responsáveis por um conjunto de eventos externos que levaram a uma crise socioambiental imensurável na história da humanidade.

Em resumo, o grande desafio consiste alterar a relação sociedade e recursos naturais, sendo exigido o desenvolvimento sustentável e a incorporação da agroecologia nos modelos agrícolas conhecidos atualmente. Para isso, o desenvolvimento econômico e social concomitante à proteção ambiental e a agroecologia deve ter atenção política, incentivos à pesquisa e atualizações tecnológicas por parte do Estado, além de ferramentas didáticas para o partilhamento de conhecimento e consciência para todos nós.

A agroecologia é muito mais do que simplesmente tratar sobre o manejo ecologicamente responsável dos recursos naturais. Tendo o marco do seu surgimento nos anos 80, na esteira das correntes que conformam as perspectivas ecosociais, a agroecologia ascendeu como uma perspectiva teórica, recuperando a necessidade de preservação da biodiversidade ecológica e cultural.

No processo de aceitação deste novo paradigma surgem categorias determinantes para a construção de um modelo alternativo de desenvolvimento rural, atribuindo importância à especificidade rural, a noção de economia moral do campo e a ideia de desenvolvimento desde o zero, assim como o reconhecimento de um certo “potencial capitalista", determinada pelo particular lógica dos camponeses.

Sob uma perspectiva mais superficial, a Agroecologia incorpora ideias ambientais e sentimento social a respeito da agricultura, com características e prescritivas contemporâneas,respeitando os limites dos ecossistemas naturais ou artificiais e o ser humano, indo além do pensamento convencional imposto. Em um ponto de vista mais restrito, a Agroecologia se refere ao estudo dos acontecimentos ecológicos e socioeconomico, que ocorrem no ambiente dos cultivos de determinados sistemas agrícolas, o que evidencia o seu enorme potencial de aplicação para resolver questões de degradação ambiental, buscando integrar tecnologias e favorecer a administração do campo de agroecossistemas sustentáveis.

Com a intenção de permitir o desenvolvimento de estilos de agricultura que resultem em um nível maior de sustentabilidade, a Agroecologia proporciona as referências cientificas para fortalecer o processo de transição a estilos de agricultura sustentável nas suas diferentes manifestações ou denominações. Preocupa-se com a otimização do agroecossistema como um todo, o que aplica maior ênfase no conhecimento, forma de analisar e de interpretar as complexas interações existentes entre as pessoas, os cultivos, os solos e os animais.[4][5][6]