A Arte da Guerra

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孫子兵法
Arte da Guerra
Bamboo book - binding - UCR.jpg
O início de A Arte da Guerra, em um livro de bambu da época do reino do Imperador Qianlong, século XVIII.
Autor(es)Sun Tzu
IdiomaChinês
País China
AssuntoEstratégia militar

A Arte da Guerra (chinês: 孫子兵法; pinyin: sūn zĭ bīng fǎ, literalmente "Estratégia Militar de Sun Tzu"), é um tratado militar escrito durante o século IV a.C. pelo estrategista conhecido como Sun Tzu. O tratado é composto por treze capítulos, cada qual abordando um aspecto da estratégia de guerra, de modo a compor um panorama de todos os eventos e estratégias que devem ser abordados em um combate racional. Acredita-se que o livro tenha sido usado por diversos estrategistas militares através da história como Napoleão, Zhuge Liang, Cao Cao, Takeda Shingen, Vo Nguyen Giap e Mao Tse Tung.

Desde 1772 existem edições europeias (quatro traduções russas, uma alemã, cinco em inglês), apesar de serem consideradas insatisfatórias. A primeira edição ocidental tida como uma tradução fidedigna data de 1927.

A Arte da Guerra foi traduzido para o português por Caio Fernando Abreu e Miriam Paglia (1995).

Com seu caráter sentencioso, Sun Tzu forja a figura de um general cujas qualidades são o segredo, a dissimulação e a surpresa.

Edição de bolso americana de A Arte da Guerra.

Hoje, A Arte da Guerra parece destinado a secundar outra guerra: a das empresas no mundo dos negócios. Assim, o livro migrou das estantes dos estrategistas para as do economista e do administrador[1]

Embora as táticas bélicas tenham mudado desde a época de Sun Tzu, esse tratado teria influenciado, segundo a Enciclopédia Britânica, certos estrategistas modernos como Mao Tsé-Tung, em sua luta contra os japoneses e os chineses nacionalistas.

Inclusive encontra-se nos escritos militares de Mao-Tse-Tung citações do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu.

O general brasileiro Alberto Mendes Cardoso chamou o livro do Sun Tzu de clássico militar.

A guerra na época de Sun Tzu

Até 500 a.C., a guerra era, de certo modo, ritual. Efetuavam-se campanhas sazonais, em conformidade com um código mais ou menos estabelecido. Estavam proibidas as hostilidades durante os meses das sementeiras e das colheitas, enquanto no inverno os camponeses semi-hibernavam nas suas cabanas de tijolos, sendo o frio demasiado para se poder combater. Também no verão era quente demais. Teoricamente, pelo menos, as guerras eram interrompidas durante os meses de nojo que se seguiam à morte de um senhor feudal. Em combate, não era correto bater em homens velhos ou aplicar qualquer golpe a quem já estivesse ferido. O governante de boa índole não "massacrava cidades", não "emboscava exércitos adversários", nem levava a guerra para além da estação própria, e nenhum príncipe que se prezasse se baixava a qualquer dissimulação ou aproveitaria qualquer oportunidade desleal.

Quando o rei Chuang, de Ch'u, cercava a capital de Sung, em 594 a.C., a certa altura os mantimentos começaram a escassear, tendo o seu ministro da Guerra observado: "Se os mantimentos nos acabam antes de subjugarmos a cidade, teremos de voltar para casa".

O rei mandou que Tzu-fan subisse a rampa encostada à muralha da cidade para apreciar os sitiados.

O príncipe de Sung enviou o seu ministro, Hua-Yuan, à muralha para o interceptar, tendo entre os dois ocorrido a seguinte troca de impressões:

Tzu-fan: "Como vão as coisas por aí?"

Hua-Yuan: "Estamos exaustos. Trocamos as crianças e comemo-las; partimo-lhes os ossos e os chupamos".

Tzu-fan: "Céus! Estão mesmo apertados! No entanto, tinham me dito que nas cidades cercadas era costume amordaçar os cavalos, quando lhes davam de comer, e enviar somente os ainda gordos ao encontro do inimigo. Como poderá o senhor ser tão franco?".

Hua-Yuan: "Consta-me que um homem superior sente compaixão quando vê outro sofrer e que o homem inferior se regozija com o sofrimento de outrem. Por isso fui franco".

Tzu-fan: "Assim é. O nosso exército tem rações para apenas sete dias".

Tzu-fan informou o rei Chuang da conversa, e este perguntou-lhe: "Como estão eles?"

Tzu-fan: "Exaustos. Trocam as crianças, comem-nas e partem-lhes os ossos para os chuparem".

Rei Chuang: "Céus! Estão mesmo apertados! Resta-nos vencê-los e regressarmos".

Tzu-fan: "É impossível. Já lhes disse que o nosso exército só tem rações para apenas sete dias".

Rei Chuang, zangado: "Mandei-te observá-los. Por que lhes disseste isso?".

Tzu-fan: "Se um Estado tão pequeno como Sung ainda dispõe de um súdito incapaz de mentir, como poderá Ch'u não ter um também? Foi por isso que lhe falei a verdade".

Rei Chuang: "Mesmo assim vamos vencê-los e regressar".

Tzu-fan: "Fique Vossa Majestade aqui. Eu, se mo permitirdes, voltarei para casa".

Rei Chuang: "Se fores para casa, deixando-me, com quem ficarei? Eu regressarei, como desejas".

E assim fez, acompanhando-o o Exército.

Os homens superiores apreciam fazer as pazes. Hua-Yuan contara a verdade a Tzu-fan, conseguindo que o cerco fosse levantado, mantendo-se intacta a integridade dos dois Estados.

Os filósofos e os reis faziam distinção entre guerras corretas e guerras incorretas. Era moralmente correto a qualquer príncipe esclarecido atacar "uma nação rústica e obscura", civilizar os bárbaros, punir aqueles que voluntariamente desejavam manter-se na cegueira, ou sumariamente arrumar um Estado em degradação. Tais castigos, em perfeito acordo com a vontade do Céu, eram executados pelo próprio governante ou por um ministro por ele delegado. Os comandantes das diferentes colunas eram elementos da aristocracia hereditária, refletindo a graduação na hierarquia militar a posição na sociedade feudal. Maspero ilustrou essa questão num interessante estudo, onde demonstrou ter o comando dos exércitos do Centro de Chin sido, durante um século, a partir de 573 a.C., monopólio de algumas poucas famílias.

Os exércitos da China antiga eram particulares, tal como as levas feudais europeias o foram. A pedido do soberano, esperava-se que os elementos da nobreza concorressem com determinado número de carros, cavalos, carroças, bois, peões, cozinheiros e carregadores. O tamanho e o gênero desses contingentes variavam de conformidade com a importância dos feudos, que, oscilando entre poucas vintenas e muitos milhares de famílias, faziam com que os grupos, ao apresentar-se nos pontos de reunião fossem, por certo, extremamente variados.

Como um aldeão valia muito menos do que um boi ou um cavalo, o seu bem-estar não era motivo de grande preocupação. Os servos, analfabetos e dóceis, tinham lugar de pouca importância nas batalhas do tempo, onde o papel principal pertencia aos carros, quadrigas, equipadas com cocheiro, um lanceiro e um arqueiro nobre. Os dispensáveis aldeões, geralmente protegidos por jaquetas estofadas, agrupavam-se em torno dos carros. Um pequeno grupo de alguns selecionados entre eles dispunha de escudos de bambu entrançado ou, às vezes, de altamente incómodo e rudemente curtido couro de boi ou de rinoceronte. O seu armamento consistia em adagas ou espadas curtas, lanças de ponta de bronze e ganchos e lâminas cortantes atados com tiras de couro a varas de madeira. O arco era arma só para nobres.

O terreno apropriado aos carros ditava e restringia o decorrer da luta, limitando simultaneamente os elementos táticos. A estrutura feudal não admitia a existência de oficiais não originários da nobreza.

As batalhas na China de antanho eram primitivas refregas, que a nada conduziam na maior parte dos casos. Usualmente, os opositores assentavam arraiais frente a frente, assim se conservando durante vários dias, enquanto os adivinhos examinavam augúrios e os respectivos comandantes executavam sacrifícios propiciatórios.

Quando o auspicioso momento escolhido pelos vaticinadores chegava, toda a hoste, com gritaria que deveria fazer estremecer os céus, se lançava desordenadamente sobre o inimigo. Uma vez no local logo se chegava a uma decisão: ou o atacante era repelido e a sua retirada permitida, ou conseguia romper as formações contrárias, matava aqueles ainda com disposição para oferecerem oposição ativa, perseguia os fugitivos ao longo de umas centenas de metros, pilhava o que de valor houvesse e regressava ao acampamento ou à sua capital. Raramente se explorava qualquer vitória. Quando muito, apenas algumas ações limitadas e com objetivos limitados eram levadas a efeito.

Pouco antes de 500 a.C, os conceitos moderando o guerrear principiaram a alterar-se. A guerra tornava-se mais feroz. Uma batalha travada em 518 a.C. entre exércitos de Wu e Ch'u retrata-nos macabramente tais mudanças. Foi aqui que o visconde de Wu ordenou que três mil homens condenados se alinhassem frente às suas formações, onde, à vista das hostes inimigas, todos se suicidaram cortando a garganta. Os exércitos de Ch'u e dos seus aliados, aterrados, debandaram.

Quando Sun Tzu surgiu, a estrutura feudal, ou, melhor, os seus últimos resquícios de degradação, já ia sendo substituída por um tipo completamente diferente de sociedade, onde o indivíduo de talento usufruía de muito mais possibilidades. A evolução era gradual, mas verificava-se em todos os campos, incluindo o militar. A originalidade e o empreendimento traziam recompensas…

Uma vez que as levas transitórias de antes, de pouca confiança e ineficientes, já não eram consideradas como adequadas, os grandes Estados passaram a dispor de exércitos permanentes, comandados por oficiais profissionais. O sistema de mobilização foi introduzido junto dos camponeses. Os novos exércitos passaram a ser constituídos por tropas disciplinadas e bem preparadas, às quais se acresciam recrutas com idades variando entre os 16 e os 60 anos. À frente desses exércitos havia tropas de escol, ou de choque, especialmente escolhidas pela sua valentia, habilidade, disciplina e lealdade. A primeira das formações desse género apareceu cerca do ano de 500 a.C., chamando sobre si atenção suficiente para que Mo Tzu comentasse que o rei Ho-lü havia treinado as suas tropas durante sete anos, podendo os seus grupos de escol marchar 300 li (mais ou menos 180 km) sem descansar! Os "guardas" de Ch'u envergavam armadura e elmos, usavam bestas com quinze virotes emplumados, pontas de virote extra, espadas e um suprimento de arroz seco bastante para três dias. Na mesma ocasião surgiram unidades mais ligeiras também. Com exércitos permanentes, dessa forma constituídos, as operações deixaram de ser sazonais, podendo passar a ser levadas a cabo muito mais rapidamente e a representar ameaças bem mais constantes para os adversários em potência.

O tempo dos bravos e dos guerreiros, cuja farra provinha de proezas individuais, acabara. Combates singulares, característica própria de todas as sociedades feudais, poderiam ainda ocorrer aqui e além. Simplesmente, os generais recusavam-se a fazê-lo agora eles próprios.

Quando Wu Ch'i lutou contra Ch'in, houve um oficial que, antes de a batalha se iniciar, não pôde refrear o seu ímpeto. Adiantou-se, cortou algumas cabeças e regressou às suas linhas. Wu Ch'i mandou que o decapitassem.

O comissário do Exército admoestou-o: "Trata-se de um oficial de talento. Não o deveríeis decapitar".

Wu Ch'i contestou: "Acredito que seja talentoso, mas é desobediente".

Ordenou depois execução do castigo.

As batalhas tinham-se mudado, transformando-se em operações perfeitamente orientadas. Nem os avançavam desapoiados, nem os covardes debandavam.

Elementos dos novos exércitos, capazes de movimentos coordenados e de acordo com planos preestabelecidos, funcionavam segundo sinais sistemáticos.

A ciência (ou arte) da tática havia nascido. O inimigo atacado por uma unidade cheng (ortodoxa) era vencido pelas unidades ch'i (não ortodoxa, única, rara, maravilhosa), sendo o costumeiro cheng agarrar-se ou fixar-se ao terreno, enquanto as unidades ch'i atacavam os flancos e a retaguarda. Os movimentos de diversão passaram a assumir grande importância e o sistema de comunicações do adversário, a ser um dos principais objetivos.

Muito embora não saibamos responder a muitas questões relativas a pormenores táticos, sabemos, pelo menos, que os fatores tempo e espaço eram calculados com perfeição. A convergência de várias colunas sobre um objetivo preestabelecido fazia parte de uma técnica que os chineses do tempo de Sun Tzu dominavam admiravelmente.

O conceito de "Estado-maior" teve a sua origem na era dos Estados Guerreiros. Estes Estados-maiores incluíam inúmeros especialistas, previsores meteorológicos, cartógrafos, oficiais comissários e engenheiros de túneis e minas. Havia ainda peritos na travessia de rios, de operações anfíbias, de inundações, de ataques com fogo e da utilização de fumo.

Já que o âmago do exército era composto por profissionais bem treinados, representando um pesado investimento, grande atenção era dada ao moral e à correta alimentação das tropas, aos prémios e aos castigos, esses últimos claramente codificados e com equidade concedidos ou administrados. O espírito do exército era, pois, acarinhado a ponto de, às ordens dos seus comandantes, os homens se sentirem dispostos a atirar-se sobre o ferro e o fogo. Os soldados que se distinguiam eram galardoados e promovidos. Tudo isso, lenta mas inexoravelmente, seguia minando a oposição da hierarquia hereditária na tropa.

A doutrina de uma responsabilidade coletiva durante as batalhas deve ter nascido a essa altura. Os comandantes que renunciassem sem autorização eram executados. Se uma seção batesse em retirada e o seu chefe prosseguisse lutando, aqueles que o haviam abandonado eram sumariamente decapitados. Se um comandante de coluna ou brigada recuasse sem ordens para tal, ficava sem a cabeça. Mesmo assim, a promulgação de códigos militares, por muito severos que fossem, correspondia a um passo em frente, e, se é certo que alguns generais os faziam cumprir implacavelmente, outros havia que reconheciam que um arbitrarismo aterrorizante não era o melhor modo de criar a vontade de combater. A profissionalização dos exércitos abria as portas a gente talentosa e, ao mesmo tempo, ia inibindo generais e oficiais quanto à prática de castigos incrivelmente cruéis e exigências exageradamente desnecessárias.

É claro que nem todos os generais do século IV a.C. atingiram as suas altas posições em virtude da sua habilidade. Era no entanto possível a um homem de valor ascender a postos de comando, independentemente da sua origem, aristocrática ou não, e receber, em investidura cerimonial, a acha-de-armas simbolizando a sua posição de comandante-chefe, com autoridade suprema quando fora da capital. A administração do exército e a sua utilização operacional caber-lhe-iam desse momento em diante. Quando um general passava para além das fronteiras, havia mesmo algumas ordens do seu soberano que poderia esquecer. Perante os seus oficiais, porém, estava sujeito à lei militar.

Melhorias técnicas também influíram na revolução havida na forma de guerrear na China. A introdução de bestas e de armas cortantes de ferro de qualidade suficientemente alta para poder receber e conservar um bom fio tiveram especial importância. Bem antes de a besta ter aparecido, já o arco de reflexão heterogénea era de emprego vulgar.

A besta, invenção chinesa do século IV a.C., disparava pesados virotes, suficientemente fortes para transformar em passadores quaisquer escudos gregos ou macedônios. Crê-se terem sido besteiros de grande pontaria quem tornou o emprego de carros de combate impraticável.

Os exércitos que Sun Tzu conheceu compunham-se de espadeiros, arqueiros, lanceiros (ou alabardeiros), besteiros e carros. A cavalaria só surgiria mais tarde, mas cavaleiros montando sem selas ou estribos já eram empregados como batedores e mensageiros. A infantaria servia-se de dois tipos de lanças, uma com cerca de cinco metros e outra com metade desse tamanho. Essas lanças possuíam um ferro misto, ou seja, uma ponta perfurante, e uma segunda lâmina cortante e enganchante. As lanças nunca serviam como arma de arremesso, visto os chineses já disporem na besta de uma arma de combate a curta distância, de trajetória horizontal, de imensa exatidão e tremenda força de impacto.

As operações no terreno eram normalmente feitas a partir de campos fortificados, traçados segundo a arquitetura das cidades chinesas: um quadrado encaixado em barrancos inclinados de terra rodeado por um fosso. Ruas ou paradas, cruzando-se nos sentidos norte/sul e leste/oeste, permitiam linhas de fogo interligadas. No centro, a bandeira do comandante-chefe drapeja-va sobre o seu quartel-general, rodeado pelas tendas engalanadas dos seus conselheiros e espadeiros de escol, sua guarda pessoal.

Antes de um exército sair do seu acampamento, formava para escutar as exortações do general, que, trovejando, os arengaria da justiça da sua causa e denegriria o selvagem adversário. Os oficiais manifestariam grande satisfação e fariam juras e promessas sobre ensanguentados tambores de guerra. Enquanto a tropa bebia vinho, o seu ânimo era levantado pelos rodopios de dançarinos de espadas.

Um exército chinês dos Estados Guerreiros em formação de combate devia ser um espetáculo impressionante, com as suas cerradas fileiras e vintenas e vintenas de estandartes repletos de bordados flutuando ao vento. Esses, decorados com tigres, aves, dragões, serpentes, fênix e tartarugas, apontavam a localização do comandante-chefe um pouco atrás do centro e da dos generais comandantes das alas. Movimentações contínuas perturbavam o inimigo e colhiam oportunidades para atuações ch'i contra os seus flancos e retaguarda.

A organização descrita por Sun Tzu dava grande mobilidade às forças em marcha, ao mesmo tempo que a sua grande articulação tornava possível um rápido desdobramento das unidades a entrar na luta. A quina, ou seção de cinco homens, tanto podia avançar a par como em fileira. E como se distribuía o armamento? Estariam os arqueiros e os besteiros em contingentes separados ou enquadrados em pequenas-seções de um "par" e um "trio"? Esses termos levar-nos-iam a crer que sim, mas, pelas escassas informações de que dispomos, parece que por ocasião da batalha de Ma Ling (341 a.C.) agrupavam-se separadamente.

Qual o alcance efetivo dos arcos e das bestas? Mais uma vez nos faltam dados, já que os números registrados não nos merecem confiança. Dizem-nos, por exemplo, que a besta atingia até 600 passos. Trata-se de um exagero, se o critério estivesse baseado no alcance mortal. A força da arma era medida pelo número de escudos que podia atravessar quando disparada de várias centenas de passos. O tipo de escudos não é, porém, descrito, o que torna as informações sem qualquer valor. Fosse como fosse, eram armas poderosas.

Que os processos de cerco já tinham atingido um estágio altamente refinado é confirmado pelos diversos fragmentos das obras de Mo Tzu, onde vários maquinismos e aparelhos destinados ao assalto de cidades muradas são mencionados. Escadas já eram empregadas muitos séculos antes do seu tempo, e no Livro dos Cânticos há menções a torres móveis, de vários andares, que se podiam encostar às muralhas, tal como a "tartarugas", móveis também, para a proteção de mineiros. Quanto a cercos, encontram-se mais pormenores no Lvro do Mestre Shang. Numa cidade cercada, toda a população era mobilizada, e três exércitos criados, sendo um de homens válidos, que, com provisões abundantes e armas aceradas, enfrentavam o inimigo, outro de mulheres robustas, que erguiam montes de terra, cavavam tocas-de-lobo e fossos, e, finalmente, um outro de crianças e velhos, que davam de comer e de beber, e guardavam o gado.

Em Sun Tzu encontram-se recomendações referentes ao reconhecimento tático, à observação, ao patrulhamento dos flancos, todas medidas que tendem a garantir marchas e acampamentos seguros. Sondar o inimigo antes da luta era essencial.

Desse modo, no século IV, ou algumas décadas mais cedo, a guerra na China já havia atingido a maioridade, estado que manteria, apenas com a oportuna adição da cavalaria, por muitas centenas de anos, sem alteração significativa.

Por esses tempos, os, chineses.dispunham de armas, dominavam táticas e técnicas ofensivas e defensivas que lhes permitiriam poder causar muito mais problemas ao grande Alexandre do que os gregos, os persas e indianos lhe causaram.