Ação Libertadora Nacional

Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Aliança Nacional Libertadora.
Cartaz da ALN.

Ação Libertadora Nacional (ALN) foi um grupo armado que lutava contra a ditadura militar instaurada no Brasil em 1964.

História

O grupo surgiu no fim de 1967, com a saida de Carlos Marighella do Partido Comunista Brasileiro, após sua participação na conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) em Havana.[1]

Para o jornalista Luís Maklouff Carvalho, a ALN era a organização mais estruturada da guerrilha urbana, sendo também aquela em que a quantidade de mulheres vinculadas era proporcionalmente maior do que em outras organizações.[2] Seus ideais eram a luta contra o regime militar e pela instalação de um governo popular revolucionário, mesmos objetivos do ao lado do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).[1]

Em seu programa de ação a Ação Libertadora Nacional audodefinia-se da seguinte forma: Todos nós somos guerrilheiros, terroristas e assaltantes e não homens que dependem de votos de outros revolucionários ou de quem quer que seja para se desempenharem do dever de fazer a revolução. O centralismo democrático não se aplica a Organizações revolucionárias como a nossa.[3]

Segundo pesquisadores e militantes de esquerda, como Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio (ambos ex-guerrilheiros), a ALN tinha a proposta de uma ação objetiva e imediata de aniquilamento do regime militar, defendendo a luta armada, a guerrilha e a guerra popular como instrumentos de ação política.

Jarbas Passarinho, político e militar de direita, ministro do governo Médici e um dos participantes da reunião governamental que decidiu pela instituição do AI-5 - na qual proferiu a frase "às favas com os escrúpulos" - o objetivo da ALN era a construção de um regime de esquerda (comunista).[4]

A dissidência formada ao redor de Marighella denominou-se Agrupamento Comunista de São Paulo (ou "Ala Marighella"), enquanto arregimentava mais militantes que saíam do chamado Partidão (PCB). Só em 1968 passou a se chamar ALN, como expressão da proposta de libertação nacional de seu líder e ideólogo[5].

Em 1967, a ALN iniciou ações para sua estruturação, denominadas de expropriações, como assaltos a bancos, carros, trens pagadores e outros métodos criminosos . Em seus melhores momentos, a maioria de seus militantes eram estudantes que foram a linha de frente da organização. Dos quatro sequestros de diplomatas realizados na história do país, a ALN participou da execução de dois. O primeiro, junto com o MR-8, foi o do embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, que conseguiu a libertação de 15 presos políticos, além de conquistar grande destaque na imprensa, divulgando a sigla da organização e a ideia da luta armada. O segundo sequestro foi o do embaixador alemão Ehrefried Von Holleben, que libertou 44 presos políticos.[1]

Marighella foi morto em uma tocaia montada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos principais torturadores do Regime Militar, no dia 4 de novembro de 1969, em São Paulo, na alameda Casa Branca.[6] Joaquim Câmara Ferreira (o "Velho" ou "Toledo"), jornalista e ex-membro do PCB desde a década de quarenta, dirigiu a ALN a partir daí até a sua morte, em 23 de outubro de 1970, quando foi delatado por José Silva Tavares, o "Severino", que teria sido torturado após ser preso. Joaquim Câmara foi torturado até a morte pelo Delegado Fleury e membros de sua equipe.[7]

Em 1970, Eduardo Collen Leite (codinome Bacuri), um importante membro da ALN, foi preso pela equipe do delegado Fleury e morreu após 109 dias de confinamento.[8]

Em 1971, um grupo de dissidentes que havia efetuado treinamento de guerrilha em Cuba criou o Movimento de Libertação Popular (Molipo). A maior parte de seus militantes da linha de frente foi morta até 1974 e depois disso a ALN apenas sobreviveu ao cerco montado pela repressão.

Em 5 de fevereiro de 1972, militantes da ALN, VAR-Palmares e PCBR,[9] assassinaram a tiros o marinheiro inglês David Cuthberg, que se encontrava no país juntamente com uma força-tarefa da Marinha Britânica para as comemorações dos 150 anos de independência do Brasil. Após o ato, os membros da organização declararam a decisão de se solidarizar à luta do Exército Republicano Irlandês contra o domínio inglês.[10]

O único comandante da ALN ainda vivo é Carlos Eugênio Paz, conhecido por Clemente nos tempos de guerrilha. Carlos Eugênio entrou para a ALN aos 17 anos e participou de diversas ações visando o combate ao regime militar. Por ser o homem mais procurado pela repressão, exilou-se na França em 1973 e viveu por lá até 1981. Até outubro de 2009, havia publicado os livros "Nas trilhas da ALN" e "Viagem à Luta Armada".